Páginas

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

Todo carnaval tem seu fim...

E o meu nem sequer começou. Carnaval debaixo de frio e vento, mas também debaixo de cobertas e descobertas. Sem bateria ou alegorias, só o tum-tum-tum do meu coração, o compasso da minha respiração. Sem brilhos ou enfeites, só a luz dos meus olhos. Sem passistas ou samba, só meus trôpegos e felizes passos, cheios de hesitação e entrega, certeza e tristeza. Porque carnaval é, antes de tudo, a celebração da alegria sobre as dificuldades que sempre chegam depois da quarta-feira de cinzas. Todo carnaval tem seu fim.

domingo, 7 de fevereiro de 2010

Metamorforse



"Não haverá borboletas se a vida não passar por longas e silenciosas metamorfoses."


(Rubem Alves)



Porque renascer é preciso e se reinventar é a medida da sobrevivência!

sábado, 6 de fevereiro de 2010

Porque sonhos são apenas o que são

O nome já diz tudo: sonhos não são realidade. Eles são feitos de flocos de neve, de pele fria que merece ser aquecida, de sorrisos que não buscam porquês, de olhares que apagam todos os outros. A certeza ingênua e a confiança cega. A determinacao em não buscar explicações nem lógica. Disso são feitos os sonhos. A realidade é aquela estrada torta e lamacenta que a gente um dia tem que pegar, mas só até chegar ao próximo sonho. No final das contas, a realidade sempre espera pela gente e, ao contrário do que te ensinaram na escola, os sonhos não servem para moldar a realidade: eles são apenas um necessário intervalo no meio da estrada.

terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

LAVOU TÁ NOVO

Ela sempre soube que havia algo a ser descoberto. Mesmo que não conseguisse colocar em palavras, nomear cada sentimento e reconhecê-lo como tal, ela sabia que cedo ou tarde teria que abrir a porta e deixar o que quer que estivesse lá fora entrar. Sua mão pequena, de dedos finos, quase não conseguiu puxar a maçaneta gelada da porta que tinha o exato peso de sua alma mais 21 gramas. A porta bateu com forca em sua canela (bem no ossinho gostoso), trazendo dor e alívio - o alívio de que afinal ela agora doía: aquela perna que estava há tempos dormente parecia enfim ter vida. Uma enxurrada entrou casa a dentro: lixo, lama, pedaços de móveis e vida, a medida do Bonfim, o Neruda, lágrimas, fotos e sorrisos distantes. E a lama se fez água, que limpou casa adentro, alma adentro. Corpo dolorido, perna machucada, alma limpa e lavada. Sorriso de propaganda de sabão Omo.

domingo, 31 de janeiro de 2010

EU SOU EU E BOI NUM LAMBE!

"Se voce pensa que vai fazer de mim
O que faz com todo mundo que te ama..."




sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

Pre departure Tension

Aaaaaaahhhh! Só porque eu nunca mais apareci aqui não quer dizer que eu nunca mais poderia aparecer, não é mesmo? SURPRESA: TÔ DE VOLTA! E eu, que adoro supresas (tem gente que não gosta, sabia?), nem sei bem porque mesmo estou aqui de volta. Mas ultimamente minha cabeça balança entre o Haiti (por que, por que, por que justo lá???), minha viagem ao Japão (por que, por que, por que não me aquieto?) e a certeza cada vez mais sólida de que eu seria mais feliz se fosse menos perceptiva. Ai, esse tal de sexto sentido é a sacanagem suprema com as mulheres (depois da cólicas menstruais, claro!). Não que eu não queira ir. Não que eu não vá aproveitar cada segundo. Não que eu não me sinta incrivelmente estimulada em passar 50 dias fazendo o que mais gosto, que é estudar. Mas... tem um grilinho sussurrando em meu ouvido a cada minuto e meio, me informando com certeza absoluta que as coisas não serão tão boas assim. Há um grilo que me lembra que Osaka não é Okinawa, que 2010 não é 2001 e que, bem, convenhamos, não serei tão feliz quanto fui no idílico verão eterno de Urasoe. Mas não sou de me acovardar. E aviões vão e vem, como eu bem aprendi anos atrás. Então segunda-feira afivelo a mala, beijo os filhotes, e embarco. E tenho dito!

quinta-feira, 17 de setembro de 2009

Nostalgia

Porque hoje acordei com uma estrela cadente em meu travesseiro. Susto ao acordar, como em todos os dias (dormir é uma pequena morte), e meio às pressas meio com preguiça, catei meus caquinhos sonolentos rumo ao banheiro. Enquanto escovo os dentes ,as imagens ainda desconexas do sonho começam a se encaixar, como um quebra-cabeças. "Nada pode ser mais traiçoeiro que os sonhos", penso entre o gostos de Kolynos e o sabor daquele beijo sob um céu brilhante.
A vida segue igual a todo dia. Trabalho, sorrisos, amor. Feijão com arroz bem temperado. E no fundo, na base de tudo, uma certeza que sempre esteve lá: o amor não morre, não diminui, não se transforma. Sublime em sua essência ele permanece lá. Você não está nem jamais estará. Mas o melhor mora por aqui. E quem sabe amanhã essa estrela cadente pode aparecer de novo, acordando em mim a certeza de que vale sempre a pena amar.