quinta-feira, 17 de setembro de 2009

Nostalgia

Porque hoje acordei com uma estrela cadente em meu travesseiro. Susto ao acordar, como em todos os dias (dormir é uma pequena morte), e meio às pressas meio com preguiça, catei meus caquinhos sonolentos rumo ao banheiro. Enquanto escovo os dentes ,as imagens ainda desconexas do sonho começam a se encaixar, como um quebra-cabeças. "Nada pode ser mais traiçoeiro que os sonhos", penso entre o gostos de Kolynos e o sabor daquele beijo sob um céu brilhante.
A vida segue igual a todo dia. Trabalho, sorrisos, amor. Feijão com arroz bem temperado. E no fundo, na base de tudo, uma certeza que sempre esteve lá: o amor não morre, não diminui, não se transforma. Sublime em sua essência ele permanece lá. Você não está nem jamais estará. Mas o melhor mora por aqui. E quem sabe amanhã essa estrela cadente pode aparecer de novo, acordando em mim a certeza de que vale sempre a pena amar.

domingo, 16 de agosto de 2009

Hoje é domingo, pede cachimbo...

Nunca gostei de domingos. Menos ainda que da tão mal-afamada segunda-feira. Domingo não é dia de preguiça, mas de tédio. Não é dia de descanso, mas de falta do que fazer. A segunda, por mais que seja o dia oficial da ressaca, é também o dia de ligar a chave da normalidade de novo, de voltar ao trabalho, de se sentir produtiva. O domingo é o dia em que tudo parece parar, embriagado pela monotonia e calor. Na segunda-feira, parece que uma fada balança sua varinha e todos os carros voltam às ruas, com seus estressados e atrasados ocupantes xingando uns aos outros nos cruzamentos.
Com o passar dos anos, venho aprendendo a não detestar os domingos com tanta intensidade. Procura ocupá-lo de várias formas, tento enxergá-lo como um novo sábado, crio artifícios diversos para enganar a mim mesma.
Quanto à segunda-feira, continua sendo meu dia preferido da semana. Tão ocupados que todos estão em odiá-la, nem percebem que o primeiro dia útil da semana é um primeiro de dezembro a cada sete dias. É sempre a sensação de recomeço, de que agora tudo será melhor, de que eu conseguirei terminar todas as minhas obrigações até sexta e nada vai atrapalhar meu final de semana, de que essa semana não vou me atrasar, nem reclamar com o porteiro, nem me chatear com o xixi do cachorro...
A segunda-feira, injustamente odiada, é a chance de se reinventar toda semana. Mas a maioria de nós prefere continuar igualzinho ao que era no modorrento domingo.

quarta-feira, 10 de junho de 2009

CARTA A UM PEQUENO GUERREIRO EM SEU TERCEIRO ANIVERSÁRIO


Filhote,

Amanhã, que já é hoje, você faz três anos de vida. O que dizer a um filho, o que ensiná-lo, quando ele já nasceu sabendo o principal: não se entregar jamais? Não me iludo quanto à sua trajetória nesse mundo – ela não será fácil, mas você já nasceu com as ferramentas para enfrentar qualquer dificuldade. Só nos cabe assistir da platéia o seu desempenho no mundo, torcer nas primeiras filas da arquibancada e enxugar seu suor no vestiário. Mas como mãe faz questão de ser necessária, deixo aqui algumas dicas e palpites.
Você vai aprender que suas limitações são proporcionais às suas capacidades em driblá-las. Deus dá o frio no tamanho do cobertor, dizem alguns. E esse cobertor a gente constrói ao longo da vida, com o amor e o respeito que conquistamos. Sorrisos amigos, afetos gratuitos e calor humano – essas são as linhas com as quais construímos nosso cobertor.
À medida que você for crescendo, vai descobrir que muitas pessoas além da mamãe, do papai e dos seus irmãos te amam. E que essas pessoas dedicaram preces e atitudes a você, pra que você pudesse seguir com sua vida de pequeno guerreiro.
Você vai aprender também que existem anjos na Terra, e não apenas o Santo Anjo do Senhor, pra quem você reza todos os dias antes de dormir. E que você já teve, e ainda tem, seus anjos: pessoas que mudaram sua vida e possibilitaram sua recuperação pelo simples fato de quererem fazer o bem e de entenderem que você merecia, como todas as crianças, a vida.
Você vai aprender que o amor é, sim, a força que move o mundo, por mais piegas que isso possa parecer. E é bem provável que em alguns momentos da sua vida você duvide disso. Mas é certo que em algum ponto você vai entender que nós agimos por amor, e que é ele que dá sentido a todos os nossos atos.
Você vai descobrir que família é a melhor coisa do mundo, mas que ela não se restringe às ligações de parentesco. Porque um dia você vai descobrir que os amigos são a família que a gente escolheu e que não existe nada melhor do que um amigo de infância, que te ama a ponto de comemorar teus sucessos como se fossem dele (porque na verdade o são). Você vai saber também que amigos de infância podem aparecer na vida adulta – vocês só atrasaram o encontro. E que quando encontramos um amigo de infância, logo sabemos que aquela pessoa deveria estar na nossa vida há muito, muito tempo.
Infelizmente, algum dia você vai descobrir que pai e mãe tem prazo de validade, mas também vai entender que o amor deles é infinito e transcende a distância e até mesmo a toda poderosa morte. E nesse dia nós esperamos que você não precise mais da nossa presença física, e que o melhor que nós podíamos te dar já esteja bem guardado com você.
Vai demorar um pouco, mas você também vai aprender que os irmãos são nossos melhores amigos, e são também o elo mais forte entre você e sua história. E que por mais que briguem e se estranhem, eles sempre vão estar ao seu lado. Talvez você até já saiba, mas a máxima “ninguém bate no meu irmãozinho além de mim” é incontestável.
Não sei que tipo de fé você terá quando crescer mais um pouquinho, mas espero sinceramente que tenha alguma. E espero também que entenda que tanto faz se Deus criou o homem ou se o homem criou Deus à sua imagem e semelhança. O que importa é que você acredite que há, sim, um propósito maior pra nossa vida. E que Deus, Alá, Krishna, ou seja lá o nome que os homens lhe dêem, não vive em templos, igrejas ou mesquitas, mas dentro de você, na certeza de que vale a pena sempre fazer o bem e de que é o bem que sempre prevalece. Bom sono é o dos justos, filho. E eu espero que você sempre durma assim tão bem quanto dorme agora.
Boa noite e feliz aniversário.



segunda-feira, 8 de junho de 2009

Quintaninha

Eu sei, eu sei que ninguém gosta de abrir um blog que vive às moscas e encontrar poesia conhecida, mas o que eu posso fazer se Quintana escrevia tão melhor que eu e tão mais perto da minha alma?
Todos estes que aí estão
Atravancando o meu caminho,
Eles passarão…
Eu passarinho!

terça-feira, 19 de maio de 2009

ERA SÓ O QUE FALTAVA

Plantar uma árvore. Ter um filho. Escrever um livro.
Alguém disse que nossa vida só estaria completa depois disso.
Plantei várias árvores. Tive três filhos, bem mais que as pessoas da minha geração.
Só falta o livro. Ou melhor, faltava.
Saiu ontem o resultado do edital da Lei A. Tito Filho, e meu livro em parceria com Danda (Elizângela Carvalho) foi aprovado.
Então é só aguardar: M3 - mãe, Mulher, Moderna vai estar logo, logo numa livraria pertinha de você.
E eu já posso me considerar completa, enfim. De missão cumprida.

quarta-feira, 6 de maio de 2009

IMPULSIVA

Que curta distância entre o pensar e o falar: mal as sinapses entre os neurônios terminam de acontecer e a língua já teima em despejar seu conteúdo no mundo.
Que mínima distância entre o sentir e o falar: o coração nem bem restituiu seu ritmo e a boca já pulsa e espalha o sangue pelas veias do mundo.
Curtas, mínimas distâncias que contróem muros de concreto.

sábado, 2 de maio de 2009

Livros que marcaram minha infância

Conforme sugestão da Lolinha em seu blog, resolvi falar dos livros que marcaram minha infância. A idéia da Lolinha era que seus leitores deixassem essas informações nos comentários, mas como esse espaço aqui anda às moscas, resolvi transformar a idéia em post.


Um dos primeiros livros que tenho lembrança é "O menino maluquinho", do Ziraldo. Ainda tenho em casa a edição antiga, com meu nome escrito com uma letrinha de criança recém-alfabetizada. Eu adorava a liberdade do Menino Maluquinho, que parecia não receber nenhum tipo de sanção por parte dos adultos. Ao que parece, eles entendiam que as crianças felizes eram assim.


Outro livro que marcou minha infância foi "A curiosidade premiada", de Fernanda Lopes de Almeida e Alcy Linares. Minha tia Rita morava numa casa perto da casa da minha avó Lourdes, onde eu passava grande parte do tempo quando era criança. E volta e meia eu ia pra casa da tia Rita e fica lendo e relendo aquele livro, encantada com o fato de que ser "perguntadeira" podia ser uma coisa boa e não mera chatice. Em um aniversário meu, tia Rita me deu esse livro de presente e ele é, até hoje, um dos meus bens mais preciosos.


Também foi tia Rita quem me deu dois livros que me marcaram muito quando eu era criança: "A centopéia e seus sapatinhos" e "Ah! Cambaxira, se eu pudesse...". Na verdade, o que esses livros têm de especial pra mim é que eles me acompanharam em um período em que eu estava doente, com um furúnculo no joelho que não me deixava andar e doía pra dedéu. Não sei quanto tempo isso durou, mas pra percepção de tempo de uma criança, foram séculos. Lembro que a tia Rita chegou pra me visitar com os livros embaixo do braço e eu passei dias lendo e relendo as histórias.


Eu também adorava um livro da coleção Gato e Rato chamado Tuca, Vovó e Guto. Acho que devia ser porque sempre adorei histórias com vovós.


Falando em vovó, na casa da minha tinha um exemplar do livro "Chapeuzinho Amarelo", do Chico Buarque (ele mesmo!). O livro era da tia Vera, minha madrinha, e ela gostava de ler pra mim. Quando eu finalmente aprendi a ler, ela me deu de presente. Esse tá na minha estante até hoje, bem velhinho, e meus filhos adoram. Anos depois fiquei sabendo que foi lançada uma nova edição, com ilustrações do Ziraldo. Pensei em comprá-lo mas pra mim a mudança de ilustração (com todo respeito e admiração ao Ziraldo) me pareceu uma intervenção no que já era perfeito.


Minha paixão por literatura infantil não se restringiu à infância. Até hoje curto livros para crianças - e compro não só pelos meus filhos, mas porque gosto mesmo. Já adolescente conheci o livro "Alexander and the terrible, horrible, no good, very bad day", de Judith Viorst. Não consegui descobrir nenhuma versão do livro em português, infelizmente.

Também já adolescente descobri um autor que me fascinou: Shel Silverstein. Primeiro li seu clássico "The giving tree", que tem versão em português (A árvore generosa). Essa obra é, em tese, um livro infantil, mas na verdade tem uma mensagem bastante adulta. Depois descobri outros títulos dele como "The missing piece" e "Where the sidewalk ends".

Toda seleção é um parto: escolher o que entra na lista dos "mais-mais" significa deixar outros títulos de fora. E isso dói. Mas acho que os livros mencionados fazem jus à tarefa.