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segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

prrrrrrrrrrrrrr....

Eu odeio aquele ditado infame de que ser mãe é padecer no paraíso. Eu discordo. Eu acho que amar, qualquer tipo de amor que seja, requer sempre um envolvimento tão intenso e descabido que às vezes chega, sim, a doer. Mas que só vale mesmo se for assim.
Eu rejeito qualquer tipo de vitimização materna, como rejeito qualquer tipo de vitimização a qualquer amor. Amar é uma decisão, por mais frio que isso possa parecer. Existe, sim, o clique, a sorte, o cheiro, a vontade que não se explica, mas existe a decisão sempre, em qualquer tipo de amor, inclusive no materno. (Pronto, podem jogar pedras na mãe desnaturada que está assumindo que não ama aos próprios filhos incondicionalmente!) Em minha defesa, eu poderia dizer que amo meus luizes incondicionalmente, porque decidi assim, porque sempre fui mãe mesmo antes de ser, porque eles me enchem os olhos de lágrimas (de felicidade, de espanto, de surpresa, de tristeza - porque é disso tudo e mais que o amor é feito), mas que como todos os outros amores do mundo, meu amor por eles foi -e é ainda e segue sendo, porque é sempre obra em construção - decisão.
Por isso, bem por isso mesmo, rejeito essa ideia de padecer no paraíso, essa capa de culpa e dor que algumas mães gostam de vestir pra se sentirem honradas. 
Mas hoje, só hoje, eu queria dizer que eu tô muito cansada de ser mãe. (Falem baixo, alguém da patrulha das mães abnegadas pode nos ouvir e me marcar com o carimbo da péssima mãe - horror! horror!). Hoje eu não tô cansada de ser mãe-torista, nem de inventar mil maneiras de distrair três filhos em férias enquanto estudo, nem de preparar o que cada um quer pro jantar, nem de adular um fiapinho de gente pra comer. Tudo isso cansa, claro, mas se resolve facilmente. 
Eu ando cansada mesmo é de não ter as respostas e de nem sempre saber a quem recorrer. É de ter que seccionar as crianças em departamentos para que os especialistas possam me ensinar como agir. Eu ando farta dessa minha bússola quebrada que nunca aponta o norte. E hoje, só hoje, eu vou sentir inveja da minha avó e vou repetir aquela ideia infame de que já foi mais fácil criar filhos. Amanhã, tudo normal de novo.

domingo, 9 de outubro de 2011

Coração bobo, coração bola, coraçao balão, coração são joão

Hoje eu acordei com vontade de escrever. Na verdade, hoje eu acordei com vontade de escrever o que me desse vontade e não as coisas que eu tenho que escrever por força da profissão, do mestrado, das pendências, etc. Aliás, acho que hoje eu acordei com vontade de ter vontade de escrever. Mais ainda, eu senti mesmo foi uma nostalgia esquisita, uma saudade do tempo em que eu pulava da cama ou saia correndo da festa pra vir escrever, porque eu sabia que se eu não escrevesse eu explodiria e se eu explodisse eu nunca mais iria conseguir juntar meus cacos. E eu batia no teclado sem parar, sem fôlego, até meu coração se acalmar. Às vezes não acalmava nada, mas ao menos eu tinha juntado umas palavras com outras e escrito algo em que eventualmente eu me reconheceria.
Coraçãozinho besta esse meu, querendo a urgência, a angústia, o vomitar de coisas sem nome.

terça-feira, 20 de setembro de 2011

Para o novo Machado de Assis

Há 14 anos, no meio de uma noite quente de b-r-o BRÓ, caiu uma inexplicável chuva. Às 23:23h, ao som de California Dreaming, você nasceu, vermelho e zangado, parecendo um velhinho. Seu corpo só denunciava a alma antiga que você trazia. "Esse menino é espírito velho", me disse uma pessoa um dia, como se falasse uma novidade. É essa sensatez que você tem, mesmo em meio aos arroubos típicos da adolescência, que revela a antiguidade e a sabedoria da sua alma. Eu sou suspeita pra falar, eu sei. Como mãe, só vejo o melhor, e faço questão de que seja assim.
Faz tempo que vejo o vermezinho da palavra em você. O texto sobre o tempo na formatura de Doutor do ABC, os vários professores que me chamam pra falar da sua habilidade com as palavras, seu gosto pelos livros, seus questionamentos que às vezes me exasperam, mas que também me enchem de orgulho. E no último sábado fui informada pela sua atual professora de redação que sua alcunha entre os professores é "novo Machado de Assis". Brincando de escrever contos, você andou impressionando as pessoas. Eu até quis dizer que já sabia, porque eu sabia mesmo, mas fingi modéstia, pelo menos até a página 2. Daí em diante disparei telefonemas, pro seu pai, pro padrinho, pros amigos, pros avós: "o Pedro é o novo Machado de Assis!" Do outro lado da linha, ninguém se surpreendeu - sua habilidade com a palavra escrita é nossa conhecida antiga, assim como a timidez que vai me obrigar a deletar esse post daqui a algumas horas.
Seu presente, é claro, é uma coletânea de contos de Machado. Dentre eles, está um dos meus preferidos, O Alienista, que sei que vai gerar muitos e muitos debates entre a gente. A Cartomante, que também é dos meus preferidos, fica pra uma outra ocasião. Mais que saboareando as palavras de Machado, quero sempre poder ver você lutando a luta vã das palavras, como bem definiu outro grande, o Drummond.

terça-feira, 13 de setembro de 2011

Eu confesso: eu nunca acreditei nessa tal de TPM. Eu sempre achei que era um misto de frescura com uma certeza besta de que mulher rima com sofrimento. "Ai, com eu sofro todo mês. Ai, como eu sou resignada. Ai, que são os ossos do ofício." Vi amigas próximas terem quedas de pressão e cólicas homéricas e não, não achei que era fingimento. Mas nunca entendi porque simplesmente não procuravam um médico e resolviam o problema. "Porque é assim mesmo. Todas as mulheres da minha família são assim" Aiiiinnn, se fosse qualquer outra dor, teria cura, mas dor de ser mulher, não? Não, não era só que eu não acreditava na TPM, era que eu não tinha paciência mesmo, porque se fosse comigo, eu já tinha mandado arrancar o útero. Ok, eu falo de um ligar privilegiado, do lugar de alguém que nunca na vida soube o que era uma cólica. Ai, mas se fosse comigo eu ia atrás de morfina ou do que fosse pra não sentir coisa nenhuma. E a frescurinha de ficar sensível demais, chorona demais, melosa demais? Não é pra mim. Eu sou hardcore, eu sou muro chapiscado, eu sou punk, porra! Pois é, hoje eu acho que a tal TPM me pegou porque eu tô tendo que repetir isso de 15 em 15 minutos pra não cair no choro sem razão. "Você é punk, Clarissa. Você consegue, Clarissa. Você é hardcore, Clarissa" - vamos lá, como um mantra.

sexta-feira, 9 de setembro de 2011

Ô Xico Sá, num tem só essas duas opções, não!

Disponivel em: http://xicosa.folha.blog.uol.com.br/

O que você prefere: homem frouxo ou canalha?



Sexta é dia de uma disciplina clássica aqui no blog: a cadeira "machos comparados".

No episódio de hoje, meu rapaz, minha rapariga, a peleja do homem frouxo X o homem canalha.


***



“Tinha cá pra mim que agora sim, eu vivia enfim o grande amor, mentira!”



Encontro minha amiga A., no nosso botequim predileto, e a desalmada vai logo anunciando, com a ironia fina que a acompanha na riqueza e na pobreza, na saúde e na doença.



Sempre tem boas histórias e uma mania louca de escolher uma música, normalmente no embornal do Chico, para trilha das sagas românticas e congas tantos que já levou como pé-na-bunda.



Como o xará Francisco tem um vasto elenco de personagens femininos e incorpora as dores e delícias das moças, ela escolhe no capricho, no ponto.



Moleza, garoto, vamos nessa.



“Tinha cá pra mim que agora sim, eu vivia enfim o grande amor, mentira!”, ela repete e repete, enche o saco com o “Samba do grande amor”.



Essa música nem é protagonizada por uma fêmea, e sim por um homem desiludido, um cabra cujo destino parafusou-lhe na testa belos chifres à moda dos vikings.



Mas ela insiste e canta assim mesmo. Pior: canta e ri, uma loucura. Que diabo de sofrimento é esse com essas gargalhadas todas?



A moça é assim mesmo. Não tem jeito. E olhe que nem pediu caipiroscas de frutas vermelhas nesse dia, ficou apenas no chope, coisa fina e civilizada, pense no aprumo!



“Morrer dessa vez é que não vou”, tira onda. “Ih, estou escaldada, amigo”.



O que A. me contou uma das coisas banais que mais escuto das minhas amigas nos últimos tempos.



E olhe que sou conselheiro, ombudsman das moças, cupido e ouvidor-geral de muitas crias das nossas costelas.



A amiga deparou-se com mais um desses homens que prometem, ensaiam, jogam um charme, cultivam, cantam de galo... comparecem e..., sem dizer nada, tomam o clássico chá de sumiço, saem para comprar o king size, sem filtro, do abandono.



“Por essas e por outras é que agora prefiro um bom canalha a um homem frouxo”, prega a amiga, conquistando rapidinho o apoio da távola redonda das gazelas ao lado.



“Um canalha pelo menos me pega com gosto, como se fosse mesmo a última noite”.



Defende a tese e emenda, riso desavergonhado: “Passava um verão a água e pão, dava o meu quinhão pro grande amor, mentira!”



É, rapazes, é tempo de homem frouxo, que corre mesmo diante da possibilidade de uma história mais densa e afetiva.



Não sabem o que estão perdendo.



A começar pela minha amiga cantante, belo exemplar da raça, no auge dos seus 3 ponto 6, boa conversa, boa lábia, gostosa, bocão-Jolie e um humor capaz de tornar o mais nublado dos dias na mais promissora e comovente folhinha do calendário.



Escrito por Xico Sá às 11h54

quarta-feira, 7 de setembro de 2011

O que você precisa pra viver?

Água, comida, teto. Afago, dengo, amor. Proteção e autonomia, na improvável medida certa. Sono, o suficiente pra descansar, mas não tanto que doa as costas e amorteça o pensamento. Projetos. Coisas a fazer. Prazos a cumprir. A adrenalina do relógio que nunca para. O medo de não dar certo que antecede a certeza do sucesso. Frustrações pra chorar um tiquinho. Salto alto para os dias de moral baixo. Coturnos vermelhos pra ganhar o mundo. Paciência.

segunda-feira, 1 de agosto de 2011

Meu inferno astral não terminava ontem?

Eu queria escrever um post alegre, ou pelo menos leve. Tem tanta coisa boa acontecendo na minha vida esses dias, mas tem também uma ansiedade à qual eu vinha me recusando a dar nome. E a verdade é mesmo que eu não ando nada, nada leve. De uns meses pra cá eu vinha dormindo bem, sono pesado, sonhos bons. Sono daqueles que quando a gente acorda se estica toda e sente aquela cãimbra gostosa na batata da perna, e acorda renovada pela fisgada. (Sim, eu adoro cãimbra, até porque eu criei a teoria de que as preocupações vão pra batata da perna e são dispersadas na dor). Mas nos útimos dias, nenhuma fisgadinha na batata da perna, nenhuma noite de sono reparadora. Semana passada tive um pesadelo, do qual não lembrei de manhã. O namorado me contou que a noite eu chorava que nem bebê, que acordei assustada, disse duas palavras emboladas e dormi de novo. De manhã eu lembrava da sensação de impotência e desespero, de um não poder resolver, de um não ser suficiente que me exasperava, mas segui a vida sem lembrar de nada. Nem precisa ser Carl Jung pra saber que eu tô engolindo algum sapo e nem quero assumir que o cururu tá entalado. Hoje, ao receber uma correspondência, lembrei do sonho, enxerguei a aflição, dei nome aos bois.  Eo pior: descobri que eu sou muito mais covarde do que eu me desenhei. A verdade é que eu queria mesmo uma varinha mágica pra resolver as coisas que eu não tenho peito pra encarar. E isso me coloca no lugar que eu tanto critico e do qual eu semprei jurei fugir: o de covarde.

terça-feira, 19 de julho de 2011

Corpo-espinho

Enquanto estudo, Tonton desenha, sentado num cantinho da minha cama, agora tomada por livros, xérox, cadernos, agenda, lápis, post-it, marcadores de texto, fichas de várias cores, notebook. (Sim, essa cama já foi mais divertida). Enquanto eu escavo no meio dos livros e anotações, tentando seguir o código de cores que criei pra não enlouquecer, Tonton brinca de destampar cada uma das suas canetinhas, uma por vez: tira do estojo, destampa, desenha, tampa, guarda, pega outra e recomeça o ritual.
- Mãe, olha o que eu fiz!
Ele me mostra um desenho ultracolorido que me faz confundir mais uma vez meu inútil código de cores.
- Tonton, isso é um prédio? Que lindo!
- É, sim, mãe. É o prédio que a gente morava.
- E quem é esse cara verde aqui?
- O corpo!
- Corpo?
- Sim, o corpo-espinho!
- Corpo o quê?
- Corpo-espinho, mãe, um homem que é cheio de espinhos mas que não é um porco, entendeu?

Entendi, não, filho. Até hoje, aliás, não entendi porque eu escrevo sobre maternidade ao invés de simplesmente ficar aqui ouvindo as histórias do corpo-espinho.

terça-feira, 12 de julho de 2011

ÉÉÉÉÉ'GUA!

Dez unhas roídas. Vários cigarros fumados. Algumas barras de Diamante Negro. Uma caixa de Ferrero Rocher. Litros e litros de coca-cola. Baldes de café, porque ele não costuma faiá. O namorado semi abandonado (você vai pro céu, querido, enquanto eu, calçando tênis apertado, acompanho o trio elétrico tocando forró universitário, no inferno). A penteadeira que virou escrivaninha. O quarto que virou escritório. As férias que viraram trabalho sem fim. E eu que não consegui virar nada, porque continuo ao que parece no mesmo lugarzinho infeliz. Impaciência. Incompetência. Da tela do computador pro mural, meus olhos lêem e relêem a mesma frase: "o desespero é pior nessa situação que já não está boa". (Sim, eu gosto de colocar no mural o que quer que me inspire, nem que me cutuque e doa.)  Todas as redes sociais abertas ao mesmo tempo enquanto tento escrever. Toda as tentativas do mundo de sentir pessoas amigas perto de mim. Um parágrafo e lá vou eu falar com a amiga no gtalk. Mais outro parágrafo e eu abro o MSN. "Respira no saco!", diz a amiga no facebook. E eu queria era asfixiar alguém com um saco. "Grita ÉÉÉÉÉGUA!", diz a outra. E eu? Eu só quero gritar égua, puta que pariu, caralho de asa, que porra é essa, quanto incompetência a minha, eu mereço mesmo me dar muito muito mal, por que pra todo mundo é mais fácil que pra mim, ai, que vontade de ser uma vítima da vida, do mundo, etc etc e tal.
Agora deixa de ser babaca, fecha o blogger, abre a janelinha da dissertação, concentra, escreve, envia. E aprende um mantra, faz yoga, fica zen, porque fogo amigo é que dói gostoso.

quarta-feira, 29 de junho de 2011

Avental todo sujo de ovo

Fato: o mundo à minha volta está grávido. Prima grávida, amiga grávida, colegas de profissão grávidas. Pra onde eu me viro, respiro maternidade. O dia inteiro me divido entre meus meninos (de férias e cheios de energia) e a tela do computador com esse cursor que pisca insistente pedindo que eu escreva sobre... maternidade. Sim, o mundo anda exalando maternidade perto de mim. Não, eu não estou grávida e nem vou ficar. A única coisa que eu pretendo parir nos próximos meses é um dissertação, o que tem me rendido contrações dolorosas, sem anestesia, com a possibilidade real de uso de fórceps.
Outro dia minha amiga linda que carrega Pilar no bucho (sim, é uma menina, só porque eu quero que seja!) me falava aquele texto típico da grávida de primeira viagem: "será que eu vou saber o que fazer?" Eu fiz o que todas nós fazemos: disse que sim, que a gente aprende, que o filho ensina, que a mãe atrapalha, que a gente erra mesmo, e que massa que a gente erra! Mas na horinha mesma em que dizia isso, eu já sabia que estava mentindo.  A verdade, Bee, é que a gente nunca sabe. Quando a gente aprender a dar banho, eles param de curtir a água; quando a gente aprende a defendê-los das quedas durante os primeiros passinhos, eles aprendem a correr... E por aí vai. É que esse negócio de ser mãe se tornou tão complicado... E não é só porque a gente ama demais e amor demais faz um mal desgraçado. É principalmente porque as crianças foram seccionadas em tantos pedaços a serem analisados, detalhados, cuidados que - sei lá - acho que as mães não sabem mais de nada mesmo. Aí você tem que ouvir o que diz o pediatra, a psicanalista, a professora, a psicopedagoga, a sua mãe (que logicamente vai se intrometer), o padeiro, o amigo, a vizinha, enfim, os especialistas por formação e os especialistas por pura intromissão. E dá uma vontade danada de apelar pr'aquele tal de instinto materno - que, sim, eu SEI que não existe - e dizer: "é assim porque eu sinto assim". Mas não, crianças são agora projetos, produtos a serem elaborados pro futuro e você não pode basear sua linha de produção em sentimentos, feeling, sexto sentindo, não é mesmo? Dá vontade de voltar ao dia em que eu estava numa indecisão danada em relação a um dos meninos e minha mãe disse simplesmente: "o que o seu coração tá dizendo?" E meu coração disse certo. Agora eu só queria que meu coração falasse. E eu nem ia chamar isso de instinto.

sexta-feira, 17 de junho de 2011

Sem açucar e com afeto

Se você vive em Teresina, já deve ter ouvido falar da campanha Assina Elmano, capetaneada pela minha amiga Jeane Melo. A causa é nobre, a solução é simples: basta uma assinatura do nosso prefeito Elmano Ferrer. O que Jeane e outros pais de diábéticos e diabéticos pedem é que o prefeito sancione a Lei Enzo, que foi aprovada na Câmara Municipal e que agora só precisa dessa bendita (e custosa) assinatura. Com essa lei aprovada, os diabéticos de Teresina passam a ter garantido um kit de aplicação de insulina que facilitaria, e muito, a vida deles.
Todo mundo falando da Lei Enzo, do Assina Elmano, e eu queria mesmo era falar da Jeane Melo, essa jornalista/publicitária/mãe-guerreira/praticante de boxe/designer de bolsas/alto-astral que conheci meio por acaso há uns anos atrás.
Eu estava na Wizard um dia quando um buchudinha entrou pra falar com uma colega de trabalho. Jeane trazia Enzo na barriga e uma sacola de bolsas Sinhazinha pra vender, que logo viraram paixão pra mim - ela e as bolsas.
Tempos depois me deparo com uma mensagem linda, em meia página de jornal, agradecendo aos médicos pela recuperação do Enzo. Foi assim que fiquei sabendo de seu diabetes, que tinha acabo de ser diagnosticado, depois de uma crise braba. Mais que qualquer coisa,  me chamou a atenção a maneira como aquela mãe decidiu agradecer aos anjos (como ela chamou) que salvaram seu filho: Jeane usou sua melhor arma - a palavra. Redatora publicitária de talento, escreveu uma mensagem pros médicos-anjos e publicou na edição de domingo de um jornal. Lembro que liguei pra ela logo em seguida pra saber como estava o Enzo, e ela novamente me surpreendeu com um otimismo que eu (ainda) não sabia ser possível diante de um filho doente.
Tempos depois fui eu a levar um susto e tanto com meu Antonio. E Jeane - talvez até sem saber - me ajudou, com seu exemplo, a colocar os pés no chão e entender que era preciso bom humor e coragem pra defender nossas crias.
Vejo agora Jeane novamente utilizando suas armas do bem pra aprovar a lei que foi apelidada com o nome do seu filho: twitts diários, mobilização de diabéticos e não-diabéticos na caminhada Assina Elmano, entrevistas, matérias...
E pra quem fala em impacto financeiro ou seja lá o que mais a equipe de gestores municipais esteja alegando, eu digo que o movimento liderado pela Jeane é uma das coisas mais lindas que já vi na minha cidade. Ao invés de se unirem pra seguir o trio na Micarina, jovens, crianças, idosos, diabéticos e não-diabéticos, Enzos, Josés, Carlas e Marias praticam a democracia de forma doce, pacífica e bem-humorada. Então, Elmano, vai assinar?

P.S.; Tentei vááárias vezes carregar o vídeo com jingle da campanha. Infelizmente ha um problema entre a cadeir e o computador e eu não consegui. ;)

terça-feira, 7 de junho de 2011

Sem palavras

É raro, mas às vezes fico sem palavras. Obrigada, meninos e meninas. Esse tipo de reconhecimento compensa qualquer dificuldade da profissão.

http://www.umestranhonocovil.blogspot.com/

quarta-feira, 18 de maio de 2011

Posta restante

Mais cedo eu comecei a escrever um post sobre o frio - não deu tempo de terminar porque tive que sair e enfrentar o frio lá fora pra assistir um debate sobre televisão, no Congresso Internacional de Jornalismo Cultural. Durante o debate, me enchi de ideias que eu queria escrever aqui - vinha no metrô pensando sobre um milhão de coisas que eu queria falar sobre o consumo dos produtos televisivos, sobre indústria cultural, sobre a influência da televisão no nosso cotidiano, sobre gente surtada que se propõe ao debate pra causar polêmica, raiva, estranhamento... ou simplesmente pra "causar", como a "galera" anda dizendo por aí.
Mas daí... inventei de dar uma olhada no tal do Orkut, aquele site de relacionamentos que já tá quase abaixo de sete palmos, sabe? Pois encontrei o melhor presente da minha semana, e o melhor assunto sobre o qual escrever. Meu amigo Eugene me mandou uma mensagem depois de tempos. Nem sei onde ele tá agora no mundo, mas há dias venho pensando nele e me cobrando escrever uma carta ou um longo e-mail pra saber da vida dele, pra contar da minha, mas principalmente, pra lembrar como é bom a gente junto. E foi exatamente o que ele fez na curta mensagem: lembrou do início da nossa amizade, em 2006 (ou foi 2005?), das nossas conversas, das indas e vindas dele a Teresina. Me contou que está feliz e me pareceu muito, muito bem. Saudade boa é essa que tem eco, que encontra resposta. É clichê, eu sei, mas amizade mesmo é essa que quando se reencontra (mesmo que virtualmente) parece igual ao início ou ao ano passado ou a ontem ou ao futuro. É o amor que subverte essa noção linear de tempo: ontem, hoje, amanhã - tudo deliciosamente igual.

Aviso aos navegantes

O blogger deu pau um dia desses e sumiu com alguns comentários do post anterior que já haviam sido aceitos e publicados. Lamento e peço desculpas aos autores.

quinta-feira, 12 de maio de 2011

Zé Luiz e suas pequenas epifanias

Zé Luiz, sete anos, bate insistente na porta do meu quarto, depois do almoço:
- Abre a porta, mãe. Quero falar contigo!
- Já vai, filho. Tô no banheiro.
Abro a porta e ele olha pra mim com uma cara de urgência que achei que alguma grande desgraça tivesse acontecido, como o campo de futebol ter sido bombardeado por extra-terrestres ou algo do tipo.
- Mãe, se eu soubesse falar só inglês desde pequenininho, sabe? Se eu só falasse inglês... eu ia aprender português só pra falar contigo.
- ...

Tão pequeno já entendeu que o amor é a busca de um código comum.
(O moleque só esqueceu que eu sou professora de inglês desde os 16 anos de idade!)

quinta-feira, 31 de março de 2011

Dias frenéticos

"A fibra tropeça no muro


força a costura na prática

alinhava a próxima esteira.

Viver exige esforço

prematuro

e sangue quente

de guerreiro".

Simone Aver

quarta-feira, 16 de março de 2011

Você tem medo de dizer eu te amo?

Eu já disse em algum lugar - num post, num texto pro jornal, num e-mail qualquer, ou em algum desses lugares onde eu despejo minhas palavras - que é o amor que dá sentido às nossas vidas. O amor ao que a gente faz, aos filhos, aos amigos, à família. O amor pela pessoa que merece nosso primeiro pensamento ao acordar, e nosso primeiro telefonema depois que aquela entrevista de emprego deu certo. O amor pela gente mesmo também. Sei o quão cafona, antiquado e piegas isso parece. Mas eu - que sempre fui tão precoce pra tudo - precisei de trinta e três anos pra entender. O Tah Hon Ming aprendeu bem mais cedo.
video

quarta-feira, 2 de março de 2011

Me guardando pra quando o carnaval chegar

Era de Mulher Elástica a fantasia que eu queria. A princípio era com ela que eu queria desfilar minha alegria pela Praça da Liberdade. Junto com os pequenos, pensei em montar uma nova Liga da Justiça, com direito a uns heróis esdrúxulos de nomes esquisitos e com mais efeitos especiais que super poderes.
Depois eu quis ser a She-ra. Porque ela mora no castelo de Cristal e anda num cavalo alado. E eu adoro cavalos, mesmo aqueles comunzinhos que não voam. Eu quis também ser gueixa, e somente servir, e sorrir tímida e brincar de obedecer, e sempre obedecer. Depois eu não quis nada disso - só mesmo a liberdade da praça, a chuva que sempre cai, o sorriso que nem me obedece mais.

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

Só pra dar satisfação

Sim, eu desapareci daqui. Prometi manter o ritmo mas não consegui. É que meu ritmo interno também mudou, e a necessidade de me gritar, escancarar, rasgar diminuiu. Não, não passou totalmente, senão nem seria eu. Mas ando mais calma que de costume - calma no meu próprio dicionário, segundo minha definição de calmaria, que passa longe da apatia, da monotonia, daquela "paz que eu não quero sentir", como na música do Rappa. Ando menos eufórica, menos ansiosa, mais tranquila um pouco. Sinto borboletas no estômago, mas elas não me causam ânsia de vômito. Sinto palpitações às vezes, mas já sei como acalmar meu coração. E às vezes nem quero acalmá-lo. Ando assim sorrindo abestada á noite, acordando tranquila de manhã cedinho, esquecendo as refeições como sempre, prometendo lutar boxe, jurando que escrevo uma dissertação nos próximos meses. Ando cada vez mais próxima dos amigos e das pessoas que me interessam. E estou um pouquinho mais tolerante com as pessoas das quais não consigo escapar - se é pra conviver, vamos tentar fazê-lo civilizadamente, né? Ando com amnésia seletiva, tentando a todo custo esquecer o que me faz mal, e deixando na mão de quem sabe a resolução de problemas que só me adoeceriam. Pensando bem, parece que eu ando um pouco mais sábia. Maturidade?

domingo, 23 de janeiro de 2011

Lar doce lar

É só uma porta, dessas assim de madeira, ordinária como qualquer porta. Mas tem duas carrancas  paraenses - pra espantar tudo o que não presta - bem do ladinho dessa porta ordinária. E tem um boizinho, um bumba-meu-boi, que foi me dado junto com um monte de carinho. As carrancas espantam o mal, o boizinho celebra a alegria. E a portinha ordinária se abre pra uma outra dimensão - de amor, de acolhida, de lar. Aqui dentro tem uns caquinhos de coisas reunidas ao longo da vida. Em cada cantinho um pouquinho de amor, um tanto de carinho, e um bocado de boas lembranças, espalhadas entre o sofá e a janela, na mesa de centro, pelo meio das panelas. Aqui, nesse castelo, moram os sonhos de viagens pelo mundo do adolescente, os sonhos de campeonatos de futebol do menino de cabelo de anjinho, os sonhos de manobras de bicicleta do menino de voz rouca e coragem de guerreiro. Moram também aqui, entre essas paredes brancas, os sonhos da mãe dos meninos - o desejo de que tudo o que eles sonham se concretize, e de que ela possa sempre guiá-los. Moram também, no meio de tantos outros sonhos, uns desejos que são dela, e que se esgueiram entre os deles, e que buscam espaço e tentam respirar entre tantas aspirações dos pequenos. É que aqui dentro mora uma mulher que também tem lá seus sonhos.
Aqui na casa de número 2 tem bola, bicicleta, jogos. Tem livros a serem lidos e livros que merecem ser sempre relidos. Tem Chico Buarque que toca insistente. Tem a cadeira de embalar sono de bebê. Tem sambinha no domingo de manhã. Tem Cazuza e Barão sempre, sempre bem alto. Tem a nostalgia de Piaf pra hora em que é quase frio. Tem vinho tinto, tem amigas gargalhando na varanda.  Tem São Jorge, São Francisco e Santa Clara. Tem Piazzola. Tem mosquito, bicho de luz e insetos sortidos. Tem campainha que toca e abrir de porta que traz beijo na boca e cafuné no sofá. Tem shizas e tem olhos turcos. Tem amigos reunidos no quintal. Tem irmã e primas cozinhando e atualizando a vida. Tem Santa Luzia, tem Santo Antonio. Tem piada interna, tem papo colocado em dia, tem lanche improvisado com ovo de codorna, patê e torrada. Tem pizza entregue quase de madrugada. Tem churrasqueira dada pela Teté. Tem um carneiro vivo aguardando mais uma inauguração. Tem tapete, vidraças e pontos cegos. Tem um quintal pra comemorar. Tem as garrafas d'água vazias de tanto saciar a sede dos meninos que jogam futebol no campinho em frente. Tem uma construção que não acaba jamais. Tem duas janelas que nunca chegaram. Tem um jardim pra ser terminado. Tem escolhas a serem feitas: flamboyant, ipê, jaboticaba? Tem uma vontade tão grande de nunca mais precisar sair. E tem um mundo grande lá fora que nos chama.
Como disse uma amiga, tem três príncipes, uma princesa e nenhum dragão (que esses eu despachei ladeira abaixo, no caminho pro castelo). E tá aberta pros amigos queridos - basta trazer boas energias, o peito aberto e a disposiçao pro sorriso que serão muito, muito bem-vindos!

segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

Sim, eu estive terrivelmente ocupada...

Auto de Natal
Pedro e Juju como José e Maria


Pastores picorruchos

A tradicional foto das primas (pouco numerosa nesse natal)

Agora primas e agregadas

Xamego de primos

Os invencíveis

Se é pra tocar, vai as treze sinfonias de Cacá, né, coronel?
Primas par-de-jarro


Reveião no quintal réi

As muié de tomara-que-caia - mas não caiu nenhuma!

É muié que dá no meio da canela!
Tem quem cante!

E tem quem invente de cantar e quem toque de verdade

Tonton mostra que é descendente da Chica Pipira

José cai no samba

E a percussão é dominada pela ala infantil - Zé entre as belas Isabela's