-- que tudo se foda,
disse ela,
e se fodeu toda
Repositório de pequenos sonhos, epifanias e certezas transitórias. Espaço de despejo do excesso que pesa na alma. Lugar de ser pequena quando tudo fora é grande demais.
quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010
terça-feira, 23 de fevereiro de 2010
Assim falou a Wikipedia...
Ansiedade, ânsia ou nervosismo é uma característica biológica do ser humano, que antecede momentos de perigo real ou imaginário, marcada por sensações corporais desagradáveis, tais como uma sensação de vazio no estômago, coração batendo rápido, medo intenso, aperto no tórax, transpiração etc.
É isso o que diz a wikipedia.
Eu prefiro definí-la assim:
1. palpitação a mil do coração, mas sem que ele esteja no peito
2. criação de roteiros completos de longa-metragem pra própria vida, com falas, casting, iluminação e trilha sonora
3. impossibilidade de dormir
4. medo de sonhar, dormindo ou acordada
5. medo de nunca mais sonhar
Obs: independente de sua localização física, a ansiedade sempre faz com que sua alma se desloque do corpo.
Migui, hidari, ue, ishita...
Pra que lado ir? Esquerda, direita, pra cima, pra baixo? Cada placa, cada sinal diz uma coisa diferente. Ou sou eu que não sei essa língua? Ou meu dicionário caducou? Ou eu sou um iô-iô humano? Ou eu penso demais? Ou meu sexto sentido é muito apurado? Ou, ao contrário, nenhum sentido meu funciona a contento? Eu só queria ter uma bomba, um flit paralisante qualquer pra poder negar bem no último instante!
quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010
Todo carnaval tem seu fim...
E o meu nem sequer começou. Carnaval debaixo de frio e vento, mas também debaixo de cobertas e descobertas. Sem bateria ou alegorias, só o tum-tum-tum do meu coração, o compasso da minha respiração. Sem brilhos ou enfeites, só a luz dos meus olhos. Sem passistas ou samba, só meus trôpegos e felizes passos, cheios de hesitação e entrega, certeza e tristeza. Porque carnaval é, antes de tudo, a celebração da alegria sobre as dificuldades que sempre chegam depois da quarta-feira de cinzas. Todo carnaval tem seu fim.
domingo, 7 de fevereiro de 2010
Metamorforse
sábado, 6 de fevereiro de 2010
Porque sonhos são apenas o que são
O nome já diz tudo: sonhos não são realidade. Eles são feitos de flocos de neve, de pele fria que merece ser aquecida, de sorrisos que não buscam porquês, de olhares que apagam todos os outros. A certeza ingênua e a confiança cega. A determinacao em não buscar explicações nem lógica. Disso são feitos os sonhos. A realidade é aquela estrada torta e lamacenta que a gente um dia tem que pegar, mas só até chegar ao próximo sonho. No final das contas, a realidade sempre espera pela gente e, ao contrário do que te ensinaram na escola, os sonhos não servem para moldar a realidade: eles são apenas um necessário intervalo no meio da estrada.
terça-feira, 2 de fevereiro de 2010
LAVOU TÁ NOVO
Ela sempre soube que havia algo a ser descoberto. Mesmo que não conseguisse colocar em palavras, nomear cada sentimento e reconhecê-lo como tal, ela sabia que cedo ou tarde teria que abrir a porta e deixar o que quer que estivesse lá fora entrar. Sua mão pequena, de dedos finos, quase não conseguiu puxar a maçaneta gelada da porta que tinha o exato peso de sua alma mais 21 gramas. A porta bateu com forca em sua canela (bem no ossinho gostoso), trazendo dor e alívio - o alívio de que afinal ela agora doía: aquela perna que estava há tempos dormente parecia enfim ter vida. Uma enxurrada entrou casa a dentro: lixo, lama, pedaços de móveis e vida, a medida do Bonfim, o Neruda, lágrimas, fotos e sorrisos distantes. E a lama se fez água, que limpou casa adentro, alma adentro. Corpo dolorido, perna machucada, alma limpa e lavada. Sorriso de propaganda de sabão Omo.
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