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quarta-feira, 11 de agosto de 2010

Da cor do pecado

Nesse momento Ney Matogrosso se apresenta no Atlantic City e eu não estou lá. (Acompanhar as informações do show pelo twitter é um exercício de masoquismo). Mas não tinha mesmo como ir: tem uma gripe que me amoleceu o corpo e transformou meu nariz numa bola vermelha que não para de coçar e espirrar. (Sou dessas pessoas que nunca pega uma gripe, mas que quando pega, se acaba!) Além de tudo amanhã meu dia será longo, então nada de Ney pra mim hoje.
Pra me consolar, meu amigo me disse que esse show que ele apresenta hoje em Teresina é um pouco devagar demais e que eu não ia gostar. Ora, queridinho, gosto do Ney até cantando "A dança do quadrado"! (Eita, que agora eu gargalhei sozinha imaginando Ney Matogroso cantando e dançando "ado-a-ado, cada um no seu quadrado" com a cara pintada do tempo dos Secos & Molhados!)
Então fica um vídeo mal filmado do Ney cantando uma das minhas músicas preferidas (e que ele certamente não vai cantar no show de hoje!)

segunda-feira, 9 de agosto de 2010

Ó aí, povo feio!


Vinícius de Moraes estava errado, pelo menos em parte. A feiúra pode, sim, ser fundamental.

Só porque eu não podia deixar passar...

Zé Luiz me pergunta:

- Mãe, por que Deus fez a gente assim?
- Hein? Assim como?
- Com braços, pernas, barriga...
(Conto até dez pra ter paciência.)
- Acho que ele fez os braços pra você abraçar a mamãe, e as pernas pra gente caminhar, e etc e tal.
- Mas por que a nossa cara não fica na barriga, a batata da perna no braço, e o suvaco no pescoço?

Meu Deus, meu filho de 6 anos deve estar usando drogas pesadíssimas!

domingo, 8 de agosto de 2010

Dia do meu pai


A rede do meu pai não é uma só: ao longo da minha vida lembro dele deitado sempre na mesma posição, em redes de cores diferentes, e quase sempre com a varanda de croché rasgada porque ele tem mania de colocar dois dedos dentro do croché e puxar. Caboco do interior do Piauí, nunca se acostumou com cama, e tem um jeito todo dele de deitar na rede: sempre por cima de um braço, e usando o outro pra balançar a rede. Tem uma sensação de tranquilidade que me dá ouvir o barulho da rede balançando, o ranger dos armadores: "o papai tá em casa".
Dentro da rede, uns três lençóis, embora ele não goste de se cobrir. E tem sempre um lençol fininho que ele coloca no rosto na hora de dormir. O cheiro desse lençol é o cheiro do meu pai: nicotina, suor, sei lá. É um cheiro que só ele tem. Quando eu era criança e ele tava viajando, eu matava a saudade dormindo na rede dele e colocava o lençol na cara pra dormir embalada por seu cheiro. Até hoje tenho o hábito quase automático de cheirar o lençol dele quando chego em sua casa.
Era embaixo da rede que eu gostava de deitar pra fazer tarefa da escola, quando era criança. O chão frio do quarto, meus livros e cadernos, e volta e meia eu pedia que ele me ajudasse em alguma questão. Quando eu já era adolescente, ele gostava de me falar sobre história, os conflitos entre judeus e palestinos, a ditadura militar brasileira - sempre deitado na rede, enquanto eu escutava e pensava que ele era tão egoísta de não dividir mais disso com a gente.
Ele nem sabe que o verme do jornalismo nasceu em mim por conta dele. Primeiro, porque ele gostava de ler o que eu escrevia, e me incentivava a escrever sempre. Segundo, por conta de uma greve das universidades federais nos anos 80. Dia após dia, eu o via deitado na rede assistindo ao Jornal Nacional, e se irritando a cada dia mais porque Cid Moreira e Sérgio Chapelin não davam a notícia da greve. Vendo sua revolta, eu, que devia ter uns 6 ou 7 anos, perguntei porque importava que a greve fosse noticiada. "Porque se as pessoas não sabem é como se não estivesse acontecendo, ora!" (Olha o Habermas e a esfera pública aí, minha gente!) Pronto: daí resolvi que eu queria decidir o que as pessoas precisam saber, e acabei sendo jornalista. (Pra imenso desgosto dele que insiste que minha natureza brigona seria uma grande vantagem numa advogada ou que meu idealismo seria útil numa carreira política).
Meu pai nunca foi um pai Gelol, que gostava de participar. Nem lembro se alguma vez brincamos juntos. Mas a rede dele pra mim é até hoje minha rede de proteção - nunca caí sem que ele tivesse embaixo pra aparar. Nos momentos em que o mundo ficou grande demais, difícil demais, doído demais, ele tinha uma ou duas de suas econômicas palavras pra dizer. E talvez por falar tão pouco, suas palavras têm sempre esse peso de verdade absoluta. E seu amor por mim me convence de que eu mereço as coisas com as quais eu sonho, porque ele tem absoluta certeza do que eu mereço, mesmo quando eu não tenho.

sexta-feira, 6 de agosto de 2010

É o melhor para poder crescer

Hoje teve um negócio engraçado: festa surpresa que eu soube antes da surpresa, e que ainda tive que fingir que era surpresa. Coisa de Mesquita - elas simplesmente não admitem aniversário sem comemoração, mesmo que você argumente que comemorou no ônibus, com amigos, com colegas, com vinho. Não, não serve. Aniversário tem que ter festa, primos, tias, cerveja, vinho e muita comida: Mesquita style. (Se alguém aí já assistiu ao filme Casamento Grego sabe do que tô falando. Aquela é minha família, com a diferença de que a gente não cospe na noiva a caminho do altar). E eu acho é bom fazer parte de um núcleo assim tão festeiro.
E hoje o cardápio foi invenção da mamãe: arroz com pato, uma iguaria que ela descobriu em Portugal e que logo sacou que eu iria adorar (amo pato!). Isso também é muuuito Mesquita: comer algo e pensar logo que alguém ia gostar de provar. Quando nos reunimos pra falar de alguma viagem, o que todos querem saber foi o que comemos, o que tinha de diferente no cardápio, o que vamos compartilhar quando chegar. As fotos do lugar lindo, as histórias das pessoas que conhecemos ficam sempre em segundo plano. O que vale mesmo é o que comemos.
E eu venho de quase uma semana de orgia gastronômica em Belém: pato no tucupi, filhote no tucupi, tacacá, peixe com açai no mercado, maniçoba, caruru, tudo o que eu tinha direito.
Lembrei agora que outro dia li uma matéria na Veja sobre a biografia do Gilberto Freyre. Entre outras coisas, ele afirmava que não botava fé em mulher que não se interessasse por culinária. Instintivamente, penso assim também: quem não se interessa por comida e, principalmente, quem não gosta de comer, não deve entender porra nenhuma de sexo. Acho que são dois prazeres ligados. Tenho uma agonia desse povo que vive de engolir pilulazinha, que pula refeição, que tá sempre somando pontos antes de comer... Deve ser o tipo de gente que na hora de transar conta os minutos pro orgasmo, e logo em seguida corre pra tomar banho e se sentir "limpo" de novo. Eca! Sei não, mas pra mim cama e comida estão sempre muito próximas. Por isso mesmo, não consigo pensar em algo mais sexy do que um homem cozinhando, cortando tempero, o cheiro de alho dourando no azeite, a bagunça na pia. Imagina um jantar que começa com duas pílulas azuis, e termina com sobremesa de pílulas grená? O que pode ainda haver de sensual num encontro assim?
Vixi, que agora eu vou mesmo é dormir, entupida de pato com arroz e vinho tinto. E viva a gula!

Normal é isso

Tá bom, vai aí o resumo ultra resumido de Belém: foi Ó-TE-MO! (prometo pra mais tarde um post de vergonha sobre a ABA, sobre a cidade, sobre os passeios, etc e tal). Agora de volta pra casa e pra vidinha "normal": hoje, dar aula; amanhã, dar aula; segunda-feira, voltar a assistir aula e a dar aula na UFPI. Enfim... aulas, aulas e mais aulas. Só pra esse boteco não ficar tão mudo, deixo aí um Leminski dos meus preferidos pra vocês:


rio do mistério
que seria de mim
se me levassem a sério?

quarta-feira, 4 de agosto de 2010

Dicionário

Saudade é sentir falta de alguém. Banzo é quando a gente sente falta de uma situação, época, contexto. Foi assim que eu aprendi outro dia. Sei se é isso mesmo não. Mas acho que hoje tô com banzo. Seria overdose de tucupi?