Um dia, bem
Um dia, nem
Um dia, vem!
Um dia, quem?
Um dia, sem
Um dia, tem
Um dia, hein?
Um dia, amém
Um dia, quem sabe,
zen.
(pensando em Alice Ruiz)
Repositório de pequenos sonhos, epifanias e certezas transitórias. Espaço de despejo do excesso que pesa na alma. Lugar de ser pequena quando tudo fora é grande demais.
quinta-feira, 15 de abril de 2010
terça-feira, 13 de abril de 2010
Copo meio cheio
Enquanto ela caminhava pensava em como era boa a estrada: previsível, como ela sempre gostou. E embora não conseguisse ver aonde lhe levava, sabia exatamente o que lhe esperava no final: as coisas que sempre estiveram nos seus planos, o lugar onde sentaria, a mesa farta, a alegria. Pulou uma ou duas poças, chegou a cair algumas vezes, mas afinal sabia o que lhe esperava. Cansou algumas vezes, deu dois ou três passos pra trás por falta de opção. Mas seguiu. E sabe-se lá da onde ou por obra de quem, um imenso meteoro se espatifou bem na sua frente e os estilhaços feriram seus braços, seu rosto e suas mãos. Ela limpou as feridas, deu meia volta e continuou a andar. Mas não sabia exatamente pra que direção. Mas sabia que ia chegar no mesmíssimo lugar, mesmo sem planejar: a cadeira confortável, a mesa farta, a alegria. Sentia calafrios com o imprevisto, mas ainda assim sabia que chegaria. E, pela primeira vez sem um mapa, sentiu que estava no caminho certo.
sábado, 10 de abril de 2010
Minha cabeça de noite batendo panelas...
Provavelmente meu Chico (o Buarque, claro) não pensava na minha insônia de estimação quando compôs "Pelas tabelas", mas como só ele sabe fazer, descreveu exatamente minha dificuldade tremenda de dormir: a sensação é sempre a de que tenho panelas batendo, pensamentos brigando, listas e listas se formando aqui dentro (das coisas que tenho a fazer, das que eu esqueci, das que deixei passar, das que eu adoraria fazer, das que não nunca mais quero nem ouvir falar, thank you very much!)
O barulho de tanta coisa junta se esbarrando dentro de mim é infernal, como uma bateria de escola de samba fora de tempo, como vários bebês batendo panela no chão da cozinha com a colher do arroz. Durma com um barulho desses!
domingo, 4 de abril de 2010
Pra que servem os amigos?
Pra estarem por perto quando a gente precisa ou mesmo quando não. Amor de amigo está ligado a um querer e nem sempre a um precisar. Por isso é um amor assim tão bonito.
Amigos servem pra nos receber de braços abertos e quentes no frio japonês, quando a gente nem sabe bem mais com que olhos chorar e não encontra cobertor suficiente pra nos aquecer. Servem pra que a gente viaje por três horas só pra afogar as mágoas numa garrafa de vinho. Servem pra ver o sol nascer, dividindo a surpresa e a decepção. Amigos servem pra que a gente possa ouvir deles que não, eu não estou louca em sentir esse amargo de ódio. Que não, eu não sou impulsiva e irresponsável e que sim, eu mereço tão mais... Servem pra nos fazer acreditar que tudo será bem melhor, no momento em que a gente só vê escuridão.
Mas não só pra isso servem os amigos. Eles servem pra que você tenha um referencial claro de você mesma, de quem você é, quando o mundo parece ter mudado de eixo e você acha que já não sabe mais nada. Pra isso servem os amigos de infância, que sabem de você desde as voltas de bibicleta pelo "picho", desde a primeira paixão platônica. Pra eles você não precisa se explicar, se detalhar, esmiuçar - eles já sabem bem. E é um alívio não ter que se repetir.
E tem aqueles amigos que te levantam a bola: te pegam pela mão quando você nem pensa em sair da cama, exigem que você fique linda e te acompanham na balada. Eles te ajudam a sair da posição de peixe fora d'água. E sempre tem o telefonema no dia seguinte, a fofoca sobre a noite, a parceria no crime, e a deliciosa complacência: "Que é isso? Você tava ótima! Desencana!" Que maravilha são esses amigos!
E tem também os amigos que a gente mal vê. A distância geográfica, a agenda apertada acabam por nos apartar. Mas quando a gente se encontra parece que foi ontem mesmo que a gente deu boas gargalhadas e chorou uns baldes de lágrimas. E haja conversa pra se atualizar. E haja promessa de nunca mais se afastar.
E tem aqueles que a gente nem conta como amigos. Parece que nunca ouve aproximação verdadeira, até que um dia a vida te dá aquela rasteira. E de repente, sem que você espere, você ouve as melhores palavras que poderia, recebe o abraço mais caloroso, e descobre em alguém que você pouco conhecia um amigo disposto a te fazer um bem que você nem sabe se merecia.
Tem também as amigas do dia-a-dia, com quem você divide pequenas besteiras e crises medonhas, reclamações, alegrias, chateações e as vitórias dos filhos. Com elas você senta no Hashi e brinca de clube da Luluzinha, fala da vida, xinga os homens, faz planos malignos. E depois vai dormir, satisfeita com a catarse, com o poder dividir.
Minha mãe sempre disse, e eu acredito: "mais vale um amigo na praça". E eu sou muito, muito abençoada por ter tantos e bons amigos.
quinta-feira, 1 de abril de 2010
Receita para uma noite de quinta-feira feliz
Amiga de longas datas que está de volta à terra, comidinha do Tambo Mambo, vários copos de Coca-Cola com gelo e limão, conversa colocada em dia, certeza de que estaremos todas bem, amanhã ou depois ou qualquer dia desses.
E tem quem diga que o melhor de Teresina é que todo mundo se conhece. É nada! O melhor é sempre re-encontrar quem a gente conhece e reconhecê-los do mesmo jeitim.
Brigadinha pela noite, Samantha. Precisamos repetir.
E tem quem diga que o melhor de Teresina é que todo mundo se conhece. É nada! O melhor é sempre re-encontrar quem a gente conhece e reconhecê-los do mesmo jeitim.
Brigadinha pela noite, Samantha. Precisamos repetir.
domingo, 28 de março de 2010
Do atual estado das coisas
Um amigo próximo mas que se encontra distante vem me dizendo há dias que estou amarga e grosseira. Uma amiga querida me disse hoje que ando muito mal humorada e intolerante. Uma pessoa que mal conheci me disse que sou muito crítica. Minha irmã me disse que sou muito exigente comigo mesma e com o mundo. Uma aluna me disse que preciso relaxar. Outra amiga que mora no meu coração me disse que sou iii=intensa, impaciente, impulsiva. Eu concordo com todos, em maior ou menor grau. Eu sei que normalmente sou cri-cri, anal retentive, exigente, tirana, mal humorada, intensa e exagerada. Sei também que tudo isso vem se multiplicando por razões diversas. Mas também sou corajosa o suficiente pra sair de mim e me olhar de fora. E o que eu tenho visto não me agrada. Sou corajosa pra reconhecer meu desagrado e tentar mudar, mesmo que a passos de formiguinha, que não tem o ritmo que desejo, mas que devem me levar a algum lugar.
Sunday Blues
E quando você não se sente confortável em nenhum lugar ou em qualquer posição? E quando teu corpo repete em gestos e maneiras o desconforto da tua alma? E quando tuas roupas parecem ter espinhos perfurando a pele e teus músculos se sentem tão cansados quanto teu coração? Insistir parece o mais adequado, de modo que a dor seja tanta que o cansaço se torne exaustão, e que você possa enfim renascer. Um parto é sempre doloroso, e parir a si mesma significa uma dor dupla - a da mãe que dá à luz e a do filho que deixa o conforto do útero.
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