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domingo, 18 de abril de 2010

Estatuto da Mulher de Ressaca

Toda mulher ressacada tem o direito a:

1. Abraço de urso ao acordar
2. Pasta de dente exterminadora de gosto-de-cabo-de-guarda-chuva
3. Banho de banheira
4. Café-da-manhã composto por dois litros de coca-cola, um pote gigante de Hagen Dazz de Creme Brulé, duas barras de chocolate Meiji or Hershey's
5. Caixas e caixas de Neosaldina
6. Cafuné
7. Telefonema de um amigo dizendo que foi tudo, tudo bem, que ela não fez strip-tease nem bateu em ninguém
8. Se for dia de sol, piscina
9. Se for dia de chuva, edredon
10. Almoço na cama. Cardápio: lasanha
11. E pra fechar, dormir de conchinha o resto do dia

As ressacas seriam mais fáceis assim, não? Eu mesma beberia todo dia.

sexta-feira, 16 de abril de 2010

BUUMMMM!

Pronto, a explosão que há tempos eu sabia que se aproximava aconteceu! Depois de meses abafando a bomba com sorrisos, com música, com dança, com o calor dos meus amigos, com o frio do Japão, com uma alegria que às vezes é o inverso oposto de mim, com o sorriso fácil, com o humor negro, com o rir de mim, com a vida corrida, com as provas e os trabalhos, com o Hagen Dasz de Creme Burle, com o mau humor... com tantas outras coisitas que coloquei em cima do meu coração bomba, agora ele explodiu.
Bum! Hoje chorei e gritei e xinguei puta-que-pariu-caralho-vai-tomar-no-cu mil-vezes! O estopim? Bati o carro na porta da escola dos meninos. Batida leve, não sei de quem foi a culpa, me propus a pagar o arranhão do outro carro pra encerrar a conversa. Mas a senhorinha (com idade de ser minha avó) que dirigia o outro carro achou por bem me insultar. E eu tenho aguentado alguns sérios insultos de quem me conhece, de quem mal me conhece, de quem eu amo e de quem eu odeio, em formas de palavras e atitutes. Mas ser insultada depois de se comprometer a pagar por algo que não fez é um pouco demais.
Entrei no carro e vinha pra casa, segurando o choro, controlando a raiva, porque é assim que tem que ser, porque é assim que gente civilizada deve agir. Meu pai (sempre ele) me liga de outra cidade pra falar qualquer coisa. E eu desabo a chorar. E quando consigo explicá-lo o que aconteceu ele começa a rir, e dizer que vai ficar tudo bem e que não entende porque eu choro por uma besteira dessas. "Filhota, você não chora por coisa maior e agora vai chorar por causa de uma velha ranzinza e mal educada? Por causa de um carro? Por causa de uma barbeiragem?"
Não, pai, eu choro porque eu queria que não fosse eu a resolver, a lidar com a vida, a levar tudo, a discutir com a velha, a ter um carro que bate e que precisa ser consertado. Eu queria que hoje eu estivesse chorando porque a Veiridiana da 5 série C roubou meu estojo com canetinhas perfumadas e o senhor foi lá na esocla e falou com a coordenadora, e ela teve que devolver, e ela nunca mais me chamou de Olívia Palito, e nunca mais roubou nada meu. É por isso que eu choro. Porque as Veridianas da minha vida adulta são uns monstros e por mais que o senhor já tenha mandado o Batata vir levar meu carro, por mais que o senhor diga que vai falar com a senhorinha mal-educada, por mais que eu vá ficar com seu carro enquanto o meu conserta, eu queria mesmo era que o senhor falasse com a coordenadora do mundo, da minha vida, com Deus, sei lá com quem, e dissesse que eu não posso ser uma aluna assim tão ruim pra que tudo isso esteja agora caindo na minha cabeça.
Pornto, disse! E quem quiser me chamar de menina mimada, pode chamar, eu deixo. Vai ser só mais um insulto! E puta que pariu caralho vai tomar no cu pra você também! Porque hoje eu vou chorar até amanhã!

quinta-feira, 15 de abril de 2010

Uns dias

Um dia, bem
Um dia, nem
Um dia, vem!
Um dia, quem?
Um dia, sem
Um dia, tem
Um dia, hein?
Um dia, amém
Um dia, quem sabe,
zen.

(pensando em Alice Ruiz)

terça-feira, 13 de abril de 2010

Copo meio cheio

Enquanto ela caminhava pensava em como era boa a estrada: previsível, como ela sempre gostou. E embora não conseguisse ver aonde lhe levava, sabia exatamente o que lhe esperava no final: as coisas que sempre estiveram nos seus planos, o lugar onde sentaria, a mesa farta, a alegria. Pulou uma ou duas poças, chegou a cair algumas vezes, mas afinal sabia o que lhe esperava. Cansou algumas vezes, deu dois ou três passos pra trás por falta de opção. Mas seguiu. E sabe-se lá da onde ou por obra de quem, um imenso meteoro se espatifou bem na sua frente e os estilhaços feriram seus braços, seu rosto e suas mãos. Ela limpou as feridas, deu meia volta e continuou a andar. Mas não sabia exatamente pra que direção. Mas sabia que ia chegar no mesmíssimo lugar, mesmo sem planejar: a cadeira confortável, a mesa farta, a alegria. Sentia calafrios com o imprevisto, mas ainda assim sabia que chegaria. E, pela primeira vez sem um mapa, sentiu que estava no caminho certo.

sábado, 10 de abril de 2010

Minha cabeça de noite batendo panelas...

Provavelmente meu Chico (o Buarque, claro) não pensava na minha insônia de estimação quando compôs "Pelas tabelas", mas como só ele sabe fazer, descreveu exatamente minha dificuldade tremenda de dormir: a sensação é sempre a de que tenho panelas batendo, pensamentos brigando, listas e listas se formando aqui dentro (das coisas que tenho a fazer, das que eu esqueci, das que deixei passar, das que eu adoraria fazer, das que não nunca mais quero nem ouvir falar, thank you very much!)
O barulho de tanta coisa junta se esbarrando dentro de mim é infernal, como uma bateria de escola de samba fora de tempo, como vários bebês batendo panela no chão da cozinha com a colher do arroz. Durma com um barulho desses!

domingo, 4 de abril de 2010

Pra que servem os amigos?

Pra estarem por perto quando a gente precisa ou mesmo quando não. Amor de amigo está ligado a um querer e nem sempre a um precisar. Por isso é um amor assim tão bonito.

Amigos servem pra nos receber de braços abertos e quentes no frio japonês, quando a gente nem sabe bem mais com que olhos chorar e não encontra cobertor suficiente pra nos aquecer. Servem pra que a gente viaje por três horas só pra afogar as mágoas numa garrafa de vinho. Servem pra ver o sol nascer, dividindo a surpresa e a decepção. Amigos servem pra que a gente possa ouvir deles que não, eu não estou louca em sentir esse amargo de ódio. Que não, eu não sou impulsiva e irresponsável e que sim, eu mereço tão mais... Servem pra nos fazer acreditar que tudo será bem melhor, no momento em que a gente só vê escuridão.

Mas não só pra isso servem os amigos. Eles servem pra que você tenha um referencial claro de você mesma, de quem você é, quando o mundo parece ter mudado de eixo e você acha que já não sabe mais nada. Pra isso servem os amigos de infância, que sabem de você desde as voltas de bibicleta pelo "picho", desde a primeira paixão platônica. Pra eles você não precisa se explicar, se detalhar, esmiuçar - eles já sabem bem. E é um alívio não ter que se repetir.
E tem aqueles amigos que te levantam a bola: te pegam pela mão quando você nem pensa em sair da cama, exigem que você fique linda e te acompanham na balada. Eles te ajudam a sair da posição de peixe fora d'água. E sempre tem o telefonema no dia seguinte, a fofoca sobre a noite, a parceria no crime, e a deliciosa complacência: "Que é isso? Você tava ótima! Desencana!" Que maravilha são esses amigos!
E tem também os amigos que a gente mal vê. A distância geográfica, a agenda apertada acabam por nos apartar. Mas quando a gente se encontra parece que foi ontem mesmo que a gente deu boas gargalhadas e chorou uns baldes de lágrimas. E haja conversa pra se atualizar. E haja promessa de nunca mais se afastar.
E tem aqueles que a gente nem conta como amigos. Parece que nunca ouve aproximação verdadeira, até que um dia a vida te dá aquela rasteira. E de repente, sem que você espere, você ouve as melhores palavras que poderia, recebe o abraço mais caloroso, e descobre em alguém que você pouco conhecia um amigo disposto a te fazer um bem que você nem sabe se merecia.
Tem também as amigas do dia-a-dia, com quem você divide pequenas besteiras e crises medonhas, reclamações, alegrias, chateações e as vitórias dos filhos. Com elas você senta no Hashi e brinca de clube da Luluzinha, fala da vida, xinga os homens, faz planos malignos. E depois vai dormir, satisfeita com a catarse, com o poder dividir.
Minha mãe sempre disse, e eu acredito: "mais vale um amigo na praça". E eu sou muito, muito abençoada por ter tantos e bons amigos.

quinta-feira, 1 de abril de 2010

Receita para uma noite de quinta-feira feliz

Amiga de longas datas que está de volta à terra, comidinha do Tambo Mambo, vários copos de Coca-Cola com gelo e limão, conversa colocada em dia, certeza de que estaremos todas bem, amanhã ou depois ou qualquer dia desses.
E tem quem diga que o melhor de Teresina é que todo mundo se conhece. É nada! O melhor é sempre re-encontrar quem a gente conhece e reconhecê-los do mesmo jeitim.
Brigadinha pela noite, Samantha. Precisamos repetir.