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segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

O óbvio que grita aos olhos:

Nada substitui o prazer do encaixe. Essas histórias que vagam soltas e ininteligíveis acabam sendo esquecidas na pilha ao lado da cama. @tati_bernardi, via twitter

E na cabeça Caetano canta: "it's a long way, it's a long way, it's a long long long long long long.. arrenego de quem diz..."

Excesso de confraternização causa curto-circuito.

domingo, 12 de dezembro de 2010

Por que quando chega dezembro a gente fica mais lenta? Por que quando chove a gente sente preguiça? Por que esse tempinho deixa a gente com vontade de assistir filme, comer pipoca, e só levantar da cama pra fazer xixi? Por que dá uma vontade louca de reler livros que a gente já cansou de saber começo, meio e fim? Por que dá vontade de fuçar nos diários antigos? Por que a chuva me deixa com fome? Por que vem uma sede de chocolate quente? Por que mesmo eu tenho esse milhão de provas pra corrigir e tô aqui escrevendo besteira? Por que mesmo, hein?

terça-feira, 7 de dezembro de 2010

O massacre da furadeira elétrica

- Dona Clarissa, aqui só tem a tubulação de água. Não foi feita a tubulação pros fios de cobre, não.
- Como assim? Eu quis fazer isso durante a construção mas o Ezequiel me ga-ran-tiu que entregaria a casa com as instalações feitas...
- Mas, dona Clarissa...
Sabe aquela propaganda de analgésico que a cabeça da mulher aumenta e diminui e os sons se distorcem? Pois é. Foi assim que eu ouvi a última frase. Entrei no carro e acelerei pela Kennedy. Peguei duas multas lindas e caras, enquando xingava tudo o que via pela frente: a metalúrgica com logo do Metallica, os dois sinais próximos demais um do outro, o Pura Fruta, o Zoobotânico, a ode suprema ao mau-gosto que é aquele motel das estátuas. Eu era o senhor Volante.
Não, eu não matei ninguém. Mas lembrei o porquê mesmo de ter pedido de natal, anos atrás, uma furadeira elétrica. Sim, eu sou a feliz e orgulhosa proprietária de uma furadeira elétrica que ninguém mais pode manusear.
Quando eu ganhei esse presente, tava grávida do Zé Luiz, reformando o apartamento, pintando berço e cômoda, organizando enxoval, trabalhando, cuidado do Pedro, e me estressando todo dia com pintor, pedreiro, marceneiro, bordadeira, e qualquer prestador de serviço adicional. E daí eu simplesmente decidi que eu precisava ter uma furadeira, com vários tamanhos de broca, pra diferentes materiais e propósitos.
- O que diabo tu vai fazer com uma furadeira mesmo?
- Furar, ora!
- Furar quem, homicida em potencial?
- Gracinha... Vou furar a parede, o móvel, o que eu precisar furar, sem ter que contratar ninguém pra me estressar. Simples assim. 
Com a furadeira numa mão e a planta hidráulica do apartamento na outra, saí furando paredes em praticamente todos os cômodos da casa. Inventei prateleiras pro quarto do bebê que ia chegar. Inventei mais varais na área de serviço. "Já pensou como vai ser útil pra secar fralda?" Inventei de pendurar vasinhos na parede da varanda (logo eu que mato até cactos com meu dedo pôde). Inventei de pendurar quadros sem noção pelas paredes da sala. O massacre da furadeira elétrica durou pouco - talvez uns quatro ou cinco dias. Mas os prejuízos à decoração da casa e à sanidade mental dos outros habitantes do Tom Jobim foram bem mais duradouros. Quanto à mim, fiquei bem mais tranquila, e até parei de implicar com os prestadores de serviço.
Pois hoje, em meio à confusão da instalação/não-instalação dos splits, ao quebra-quebra de paredes que já estavam prontinhas e branquinhas, resolvi procurar a tal furadeira no meio das caixas que se reproduzem na casa nova. Abri uma, duas, três caixas, e nada da furadeira. Mas não me contentei. Amanhã vou comprar uma britadeira pra mim. E vou começar a abrir buracos no quintal, no jardim, onde me der vontade. E vou furar até o Japão se for preciso pra jogar esse stress e esse cansaço lá. Eu aprendi faz tempo: o Japão é o lugar onde se joga todo o stress e aborrecimento do mundo - por isso eles são daquele jeito. É bem por isso, sim, que eles são japoneses.

sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

Show é isso

Não, eu não fui pro show do Cojoba's. Sim, já virou tradição: eu compro ingressos pra shows que eu acabo não indo, por um motivo ou outro, quase que da mesma maneira que eu compro livros que eu nunca consigo ler. Eu desisti do show do Paul McCartney com o ingresso comprado no primeiro segundo de pré-venda. Faltou grana ou sobrou bom senso (ainda não decidi qual das duas alternativas é verdadeira). Outro dia eu comprei ingresso pro show do Zeca Baleiro e nem lembro mais porque desisti de ir. Eu comprei uma mesa de 10 lugares pra ir ao show do Cojoba's hoje e desisti. E não só eu, mas cada um dos compradores iniciais da mesa desistiram de ir. Vai entender. Eu tinha um motivo sólido e importante pra não ir. Tontonzinho tá com a garganta que é só pus. De manhã o médico sentenciou: benzetacil nele. Sabe aquela história de que vai doer mais em mim que em você? Pois é, é a mais pura verdade quando as mães dizem isso. Mas como sempre o pequeno guerreiro surpreendeu. Eu sempre achei que se a gente se prepara pra dor ela se mostra menor. Eu não minto e nem faço de conta que não vai doer. Disse pra ele que ele iria tomar uma injeção, que iria doer, mas que ele podia segurar nas mãos da mamãe e do papai, e apertar bem forte, até mesmo quebrar, quando doesse. Antonio, muito altivo, só disse um an-ran desinteressado. (Se fosse eu, teria segurado as mãos, exigido colo, encostado a cabeça no ombro, pedido dengo e ainda sairia dizendo que não foi nadinha e que eu tinha dado conta de tudo so-zi-nha, viu?) A dor venceu a coragem e altivez e ele berrou forte, e eu segurei o choro ainda mais forte. Na volta, ele dormiu no carro, aquele sono de quem acabou de chorar tanto que os olhos salgaram e não conseguem mais ficar abertos. Quando acordou algumas horas depois, disse que o bumbum ainda doía, pra logo em seguida, cheio de vergonha e tentando se justificar, emendar com essa:
- Eu chorei porque tu disse que doía mais em tu, mamãe, e em mim doeu taaaaaanto!
E quem diabo precisa de show do Cojoba's quando tem um espetáculo desses em casa, diariamente?

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

E eu digo é valha!

Eu sei que isso é de uma sem-vergonhice sem fim: o blog abandonado há dias e eu sem coragem de escrever, atolada até a tampa em provas, trabalhos, leituras, orientações, filhotes de férias, providências pra casinha que tá quase pronta, perspectiva (enfim!) de mudança. Salve salve, meu São Jorge, que se sobrar um tiquinho de Cacá depois desse fim de ano prometo fazer enfim a tatuagem do senhor em cima do cavalo lutando contra o dragão, porque do ladinho do leão que eu mato todo dia ainda tem um dragão cuspindo fogo e fedendo a enxofre.
Por hoje fica a Alice Ruiz, que daqui não sai nada nem espremendo.

[minha voz não chega aos seus ouvidos
meu silêncio não toca seus sentidos
sinto muito mas isso é tudo
o que sinto]

sexta-feira, 26 de novembro de 2010

Enfim

Sexta-feira. Êêêêêêêêêêêêêêêêêêêêêêêêêêê! (Sim, hoje tô besta. Sim, essa semana foi terrível. Sim, o post de hoje é só isso mesmo.) E viva a sexta-feira!

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

Alçada

Alçada é um conceito que eu desenvolvi ao longo da vida, mas que só recentemente nomeei, numa dessas conversas de fim de noite com um amigo que gosta tanto quanto eu de criar teorias sobre o mundo e sobre as pessoas - aquelas teorias bestas que não servem pra nada, só mesmo pra gente gargalhar e fingir que o mundo faz mesmo algum sentido. Eu falava da teoria do homem de pochete, ele destrichava a teoria dos bebês mimimi, eu lembrava da teoria do primeiro encontro-desastre, ele discorria sobre a teoria da viagem em grupo. E numa dessas histórias de viagens, chegamos ao meu conceito de alçada. É mais ou menos assim: algumas pessoas (muitas na verdade) fazem parte da minha alçada. E isso significa algo bem simples: mesmo que essa pessoa esteja errada eu SEMPRE vou defender, e se ela se der mal eu vou ajudar, nem que seja a correr. E ponto. Mas a alçada não é algo estático. Existem, sim, essas pessoas que tem permanência perene na minha alçada: filhotes, família, amigos. E existem também alçadas circunstanciais: você vai pra um show com uma turma enorme que inclui amigos, namorados/as de amigos/as, vizinho do namorado e o diabo a quatro. Todo mundo que foi com você, naquela noite, faz parte da sua alçada. E todo mundo fica ligado se alguém for empurrado, se alguém se perder, se alguém nunca mais voltar do banheiro. É uma alçada temporária, digamos. Outro dia, fui pra um show e de lá pra um pub, e minha alçada foi se modificando durante a noite. Lá pelas tantas, uma menina que pouco conheço (mas que estava no mesmo grupo que eu) se viu sozinha às 4h da manhã porque a "amiga" com quem ela tinha ido resolveu seguir um cara até o aeroporto. Botei a figura no carro, pedi a outra amiga que me aconpanhasse e atravessei a cidade pra deixá-la sã e salva em casa. E não é porque eu sou boazinha, não. É só que ela estava na minha alçada naquela noite - e eu queria que agissem comigo assim também, e principalmente com meus filhos, se fosse preciso. E, sinceramente, é preciso realmente saber escolher sua alçada: porque uma figura que deixa a amiga sozinha, sem eira nem beira, de madrugada, pra seguir um saxofonista narigudo, realmente não merecer estar na alçada de ninguém.
Eu tenho a sorte de ter um mundo de gente na minha alçada - essa bolha de proteção, carinho e cuidado que eu invento pra manter quem importa pra mim, nem que seja de forma circunstancial. E tenho mais sorte ainda de ser da alçada de tantas outras pessoas. E de poder, depois de uma chateação imensa, saber exatamente pra que números ligar, e poder receber conforto em forma de palavras, e poder esperar a noite pra receber o colinho que eu merecia. E voltar pra casa leve, sabendo que o que importa na vida é a alçada.