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quinta-feira, 30 de setembro de 2010

Ciber divagações

Eu adoro o ciberespaço. É o não-lugar mais legal do mundo, na minha opinião. Poder continuar conectada às pessoas, ao mundo, ao que acontece fora desse escritório, enquanto estudo, trabalho, escrevo é pra mim um grande barato. Outro dia eu tava escrevendo um artigo pra um congresso - ops! - eu tava na verdade editando um Frankstein enquanto conversava no MSN. É muito, mas muito mais divertido trabalhar assim. Eu preciso, tenho necessidade mesmo de fazer mais de uma coisa ao mesmo tempo. E poder escrever enquanto converso, navegar enquanto estudo, falar besteiras e não-besteiras enquanto produzo é o céu pra mim.
Além de que eu sou a pessoa mais gregária que existe: preciso de gente perto de mim, de muita gente, de barulho, de calor, de interrupção. Não funciono no silêncio e tenho um medo horrível de solidão. E a sensação de que tem pessoas bem ali à distância de um clique me deixa mais tranquila.
Mas tem uma coisa engraçada: eu nunca, nunquinha fiz amigos na internet. Eu, a própria miss sociabilidade, nunca tive um único amigo virtual. Na verdade, na internet me relaciono com as pessoas que já fazem parte da minha vida, mesmo que muitas delas permaneçam muito mais no ciberespaço que no mundo offline. Mas deve ser mesmo porque eu sou muito de pele, de olho, de cheiro. Sempre escolhi meus amigos assim, mesmo que de maneira inconsciente: pelo que me fazem sentir, pela companhia que me faz bem, pela conversa que me faz abrir o coração, pelo cheiro, pelo olhar que me conforta ou me desconcerta.  E nisso o ciberespaço é (ainda) falho. E agora, boa noite pra meus amigos offline que andam por aqui.

terça-feira, 28 de setembro de 2010

Tem que ser selado, registrado, carimbado, avaliado, rotulado, se quiser voar

Todo mundo adora dizer que detesta burocracia. Já virou um daqueles clichês que nem precisam mais ser repetidos. Duvido que alguém chegue numa roda e diga: "adoro ir à Secretaria de Fazenda/DETRAN/cartório pra resolver pepinos" ? Pois é, como todo mundo, eu também odeio ter que resolver essas coisinhas. Mas acho que no meu caso chega a ser uma coisa patológica, quase uma fobia de repartição pública.
Passei mais de três anos com minha carteira de motorista vencida, por pura preguiça de ir renovar. Tá, não era só preguiça, não. A certeza da impunidade também era uma grande estímulo. Durante todo esse tempo dirigi por Teresina sem que ninguém me parasse em blitz por causa das mágicas cadeirinhas de bebê que carrego no banco de trás. Sabe como é que é, né? Mãe de família = pessoa do bem. Além disso eu tenho uma mandinga da capa de Abraão que funciona que é uma beleza, e uma cara limpa pra ser a primeira a parar na blitz, sem que me mandem parar. Mas um dia nada disso funcionou. Eu tava no carro do meu pai (sem cadeirinhas mágicas, portanto), vestida de She-ra, a caminho de uma aula da saudade. Pois bem na frente do Jockey uma blitz me parou. E eu com a cara mais séria possível de mãe de família, montada de She-ra, com direito a tiara na cabeça e tudo. E quando eu finalmente encontrei o documento do carro e mostrei ao guarda, ele resolveu me deixar passar sem cobrar minha habilitação, mas não sem a piadinha: "Da próxima vez, venha no cavalo alado que não precisa ter carteira!" Então tá, seu guarda, vou fazer assim da próxima vez!
Agora tô enrolada com três documentos ao mesmo tempo. Tenho que tirar a segunda via do meu título de eleitor, porque agora resolveram que precisa dele pra votar. Tenho que tirar passaporte (que venceu) ou R.G. (que tem mais de dez anos de emissão e não serve pra entrar na Argentina). Pra tirar o passaporte, preciso ter o título, que eu não tenho ainda. Vou tentar amanhã tirar o R.G. Mas que saco isso, né? Podia ser tudo nas digitais e pronto!

segunda-feira, 27 de setembro de 2010

[de tanto não poder dizer
meus olhos deram de falar
só falta você ouvir]

Alice Ruiz

Chatinha

Ora mais, o meu domingo foi ótimo. O dia todo de molho na piscina com as crianças, na companhia de amigos. A noite do domingo era só pra estudar mas - ora mais - ainda teve recreio com direito a sorvete do Pura Fruta e Diamante Negro guardado pro dia seguinte.

E, ora mais, eu dormi cedo e bem. Acordei cedo e mais lenta que o normal. Hoje eu passei o dia entre mau humorada e slow motion. Não sei se foi o calor da sala de vídeo do DCS. Não sei se foi o DVD que não funcionava. Não sei se foi o Zezinho que resolveu não abrir a xérox hoje. Não sei se foi a eletricidade que resolveu dar pane na Santo Agostinho. Não sei se foi o frio na barriga da confirmação do bate papo literário no Teresina Shopping. Ora mais, isso devia era me deixar feliz. Sei o que é, não. Só sei que não respondo mais pra ninguém que não, eu não tô na TPM porque eu não tenho TPM. Tem dia que eu fico assim infarenta, com preguicinha de viver. Óu quei?

Freezer

Em cada isopor, uma etiqueta: paixão, ódio, amor, paz, festa, ternura, saudade. Dentro de cada um, um coração. Trocado por ela ao sabor da conveniência. Difícil era voltar pra casa com o coração-paixão quando queria ter levado o coração-desprezo. Mas estava providenciando uma bolsa térmica.

(André Gonçalves. Coisas de Amor Largadas na Noite)

sábado, 25 de setembro de 2010

Sábado com Paralamas

Sim, eu sei que o vídeo é de péssima qualidade técnica, tá sem sincronia e ainda tá cortado no final. Mas vale pela música e pela prova de que o tempo deixa a gente bem melhor - como era esquisito o Herbert Viana na década de 80!

Apologizing

Eu até que acordei cedo e ainda consegui pegar o bonde andando. Eu até que acordei bem disposta e sorridente, mesmo sendo ainda tão cedo. Eu até que queria parar por aqui mais um pouquinho e escrever umas coisas que eu venho pensando. Mas tem tempo, não. O tempo ruge e a Sapucaí é grande. E só posso é pedir desculpas para meus queridos leitores que andam reclamando da falta de atualização. Vocês tem toda razão em reclamar. E eu garanto que na próxima semana eu me organizao pra estar mais presente aqui. Ah! E eu ainda acordei cantando Validuaté: "chove chuva chove chuva! chove chuva chove chuva!"