"A fibra tropeça no muro
força a costura na prática
alinhava a próxima esteira.
Viver exige esforço
prematuro
e sangue quente
de guerreiro".
Simone Aver
Repositório de pequenos sonhos, epifanias e certezas transitórias. Espaço de despejo do excesso que pesa na alma. Lugar de ser pequena quando tudo fora é grande demais.
quinta-feira, 31 de março de 2011
quarta-feira, 23 de março de 2011
quarta-feira, 16 de março de 2011
Você tem medo de dizer eu te amo?
Eu já disse em algum lugar - num post, num texto pro jornal, num e-mail qualquer, ou em algum desses lugares onde eu despejo minhas palavras - que é o amor que dá sentido às nossas vidas. O amor ao que a gente faz, aos filhos, aos amigos, à família. O amor pela pessoa que merece nosso primeiro pensamento ao acordar, e nosso primeiro telefonema depois que aquela entrevista de emprego deu certo. O amor pela gente mesmo também. Sei o quão cafona, antiquado e piegas isso parece. Mas eu - que sempre fui tão precoce pra tudo - precisei de trinta e três anos pra entender. O Tah Hon Ming aprendeu bem mais cedo.
quarta-feira, 2 de março de 2011
Me guardando pra quando o carnaval chegar
Era de Mulher Elástica a fantasia que eu queria. A princípio era com ela que eu queria desfilar minha alegria pela Praça da Liberdade. Junto com os pequenos, pensei em montar uma nova Liga da Justiça, com direito a uns heróis esdrúxulos de nomes esquisitos e com mais efeitos especiais que super poderes.
Depois eu quis ser a She-ra. Porque ela mora no castelo de Cristal e anda num cavalo alado. E eu adoro cavalos, mesmo aqueles comunzinhos que não voam. Eu quis também ser gueixa, e somente servir, e sorrir tímida e brincar de obedecer, e sempre obedecer. Depois eu não quis nada disso - só mesmo a liberdade da praça, a chuva que sempre cai, o sorriso que nem me obedece mais.
terça-feira, 15 de fevereiro de 2011
Só pra dar satisfação
Sim, eu desapareci daqui. Prometi manter o ritmo mas não consegui. É que meu ritmo interno também mudou, e a necessidade de me gritar, escancarar, rasgar diminuiu. Não, não passou totalmente, senão nem seria eu. Mas ando mais calma que de costume - calma no meu próprio dicionário, segundo minha definição de calmaria, que passa longe da apatia, da monotonia, daquela "paz que eu não quero sentir", como na música do Rappa. Ando menos eufórica, menos ansiosa, mais tranquila um pouco. Sinto borboletas no estômago, mas elas não me causam ânsia de vômito. Sinto palpitações às vezes, mas já sei como acalmar meu coração. E às vezes nem quero acalmá-lo. Ando assim sorrindo abestada á noite, acordando tranquila de manhã cedinho, esquecendo as refeições como sempre, prometendo lutar boxe, jurando que escrevo uma dissertação nos próximos meses. Ando cada vez mais próxima dos amigos e das pessoas que me interessam. E estou um pouquinho mais tolerante com as pessoas das quais não consigo escapar - se é pra conviver, vamos tentar fazê-lo civilizadamente, né? Ando com amnésia seletiva, tentando a todo custo esquecer o que me faz mal, e deixando na mão de quem sabe a resolução de problemas que só me adoeceriam. Pensando bem, parece que eu ando um pouco mais sábia. Maturidade?
domingo, 23 de janeiro de 2011
Lar doce lar
É só uma porta, dessas assim de madeira, ordinária como qualquer porta. Mas tem duas carrancas paraenses - pra espantar tudo o que não presta - bem do ladinho dessa porta ordinária. E tem um boizinho, um bumba-meu-boi, que foi me dado junto com um monte de carinho. As carrancas espantam o mal, o boizinho celebra a alegria. E a portinha ordinária se abre pra uma outra dimensão - de amor, de acolhida, de lar. Aqui dentro tem uns caquinhos de coisas reunidas ao longo da vida. Em cada cantinho um pouquinho de amor, um tanto de carinho, e um bocado de boas lembranças, espalhadas entre o sofá e a janela, na mesa de centro, pelo meio das panelas. Aqui, nesse castelo, moram os sonhos de viagens pelo mundo do adolescente, os sonhos de campeonatos de futebol do menino de cabelo de anjinho, os sonhos de manobras de bicicleta do menino de voz rouca e coragem de guerreiro. Moram também aqui, entre essas paredes brancas, os sonhos da mãe dos meninos - o desejo de que tudo o que eles sonham se concretize, e de que ela possa sempre guiá-los. Moram também, no meio de tantos outros sonhos, uns desejos que são dela, e que se esgueiram entre os deles, e que buscam espaço e tentam respirar entre tantas aspirações dos pequenos. É que aqui dentro mora uma mulher que também tem lá seus sonhos.
Aqui na casa de número 2 tem bola, bicicleta, jogos. Tem livros a serem lidos e livros que merecem ser sempre relidos. Tem Chico Buarque que toca insistente. Tem a cadeira de embalar sono de bebê. Tem sambinha no domingo de manhã. Tem Cazuza e Barão sempre, sempre bem alto. Tem a nostalgia de Piaf pra hora em que é quase frio. Tem vinho tinto, tem amigas gargalhando na varanda. Tem São Jorge, São Francisco e Santa Clara. Tem Piazzola. Tem mosquito, bicho de luz e insetos sortidos. Tem campainha que toca e abrir de porta que traz beijo na boca e cafuné no sofá. Tem shizas e tem olhos turcos. Tem amigos reunidos no quintal. Tem irmã e primas cozinhando e atualizando a vida. Tem Santa Luzia, tem Santo Antonio. Tem piada interna, tem papo colocado em dia, tem lanche improvisado com ovo de codorna, patê e torrada. Tem pizza entregue quase de madrugada. Tem churrasqueira dada pela Teté. Tem um carneiro vivo aguardando mais uma inauguração. Tem tapete, vidraças e pontos cegos. Tem um quintal pra comemorar. Tem as garrafas d'água vazias de tanto saciar a sede dos meninos que jogam futebol no campinho em frente. Tem uma construção que não acaba jamais. Tem duas janelas que nunca chegaram. Tem um jardim pra ser terminado. Tem escolhas a serem feitas: flamboyant, ipê, jaboticaba? Tem uma vontade tão grande de nunca mais precisar sair. E tem um mundo grande lá fora que nos chama.
Como disse uma amiga, tem três príncipes, uma princesa e nenhum dragão (que esses eu despachei ladeira abaixo, no caminho pro castelo). E tá aberta pros amigos queridos - basta trazer boas energias, o peito aberto e a disposiçao pro sorriso que serão muito, muito bem-vindos!
segunda-feira, 17 de janeiro de 2011
Sim, eu estive terrivelmente ocupada...
| Auto de Natal |
| Pedro e Juju como José e Maria |
| Pastores picorruchos |
| A tradicional foto das primas (pouco numerosa nesse natal) |
| Agora primas e agregadas |
| Xamego de primos |
| Os invencíveis |
| Se é pra tocar, vai as treze sinfonias de Cacá, né, coronel? |
| Primas par-de-jarro |
| Reveião no quintal réi |
| As muié de tomara-que-caia - mas não caiu nenhuma! |
| É muié que dá no meio da canela! |
| Tem quem cante! |
| E tem quem invente de cantar e quem toque de verdade |
| Tonton mostra que é descendente da Chica Pipira |
| José cai no samba |
| E a percussão é dominada pela ala infantil - Zé entre as belas Isabela's |
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