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quinta-feira, 27 de maio de 2010

Os melhores amigos do mundo são os meus

E eu não canso de repetir. Eu tenho os melhores amigos do mundo. Pra almoçar, amigo menáge, porque hoje é quinta e ele é meu "marido de quinta". (Leia-se de quinta categoria, porque nem a lâmpada queimada do meu banheiro ele trocou!) Mas rodou comigo pela cidade pra eu achar as etiquetas que eu queria e, apesar de se irritar com minha obsesssão por canetinhas perfumadas, topou encarar o centrão pra eu ter o cheiro certo nos convites do livrinho. (Homens nunca entendem porque a gente se fixa em cheirinho de caneta - "Como assim uma pessoa que nem sequer usa perfume e que odeia cheiro forte pre-ci-sa de canetas perfumadas?")
À noite Mu e Maria me ajudando a preencher os convites, a organizar a lista, a não esquecer ninguém. E a cervejinha que não podia mesmo faltar, e o papo colocado em dia, e a saudade que eu tava da Maria já quase querendo passar. (Mas precisa de muitos e muitos dias, Maria, pra minha saudade de tu passar!)
E agora vou mesmo é dormir, feliz em saber que melhor que esse livro é saber que tem tanta gente junto comigo torcendo e ajudando.
Os melhores amigos do mundo são só meus. E eu não dou, não divido, não compartilho e não abro mão nunca mais. Porque eu sou ciumenta e possessiva mesmo. E tenho dito!
(P.S. super nada a ver, mas alguém reparou na lua absurda que tá no céu? É quase uma ofensa!)

quarta-feira, 26 de maio de 2010

Pendular

Hoje é mais um daqueles dias que parecem infinitos. Tem orientando vindo aí, tem aula pra dar, tem reunião ainda depois do trabalho, tem texto pra ler quando chegar em casa, tem uma culpa pra engolir quando encontrar as crianças dormindo, tem um silêncio horroroso de casa com crianças apagadas. (Por favor, deixem as luzes acesas ou é capaz de eu tropeçar nessa angústia que me segue noite e dia!)

Ao mesmo tempo que quer muitas horas a mais pra conseguir fazer tudo, você precisa que o dia acabe logo e amanhã nasça um outro. A gente sempre pensa que amanhã vai ser outro dia. Burrice humana - já nascemos programados pra esperança. A memória é coisa perigosa e traiçoeira: lembramos só o que nos interessa, tratamos de esquecer o que mais dói, e por isso acabamos caindo em armadilhas iguais. Minha avó dizia que a dor do parto é uma dor esquecida. Mas eu acho que toda dor é assim. A gente esquece que doeu e vai de novo com a cara no muro. (Ontem eu queimei a mão no mesmo lugar da semana passada, fazendo exatamente o mesmo prato. Mas eu juro que foi sem querer. E juro que nem tão cedo faço almôndegas de novo. E não, isso não é uma metáfora barata robertodamattiana.)

De tarde tentei dar um colo que eu nem tenho pra uma menina cuja avó/mãe tá muito doente. Eu gosto tanto dela e queria tanto ajudá-la. Mas acho que não servi pra muita coisa e continuo sem entender porque tanto procuram conforto em mim. Eu mesma ando abusando do colo dos meus amigos, sentindo uma falta desgraçada da minha mãe, enchendo o saco da minha irmã. Eu mesma ando sem saber bem onde estou. Eu, pêndulo humano, ando oscilando entre a euforia e a tristeza, entre meias certezas e dúvidas silenciosas, entre o cansaço e o impulso. E às vezes me pego sorrindo abestada, ou sem saber onde botar as mãos ou que palavras usar. E a certeza firme que tenho - a única - é só do que eu não quero.
Eu acho que eu tô precisando de férias de mim, só por uns dois ou três séculos.

terça-feira, 25 de maio de 2010

Hoje eu deixo pro poeta do absurdo

no dia que eu me zangar, mato você de carinho
dou uma pisa de amor que você erra o caminho

Zé Limeira

* E bora estudar, meu povo, que a semana mal começou...

segunda-feira, 24 de maio de 2010

Minha alma canta...

Óia o que eu acabei de encontrar na minha caixa de entrada:


CLARISSA SOUSA DE CARVALHO:

Parabéns, o seu documento MATERNIDADE, PARTO E RELAÇÕES DE PODER ENTRE
OS GÊNEROS foi aceito para ser apresentado na(o) II Fórum Internacional de
Análise do Discurso que acontecerá 2010-09-08 em Rio de Janeiro.

Obrigado e aguardamos sua participação no evento.
Rosane Santos Mauro Monnerat
UNIVERSIDADE FEDERAL FLUMINENSE
II Fórum Internacional de Análise do Discurso
Discurso, texto e enunciação

Pronto, agora eu tô si-si. E haja Foucault, Lipovetsky, Benveniste e Bakhtin pra eu enfim escrever o artigo (mas a cabeça tá é na praia mesmo).

Pequena guerreira


Quase entrando em sala de aula, eu pensava que hoje quando saísse da faculdade passaria pra "caçar" a Maria (sim, porque você sumiu e eu não te vejo há semanas e tô com saudade do teu abraço e daquele jeito fofo que você tem de dizer "amo tu", cheia de dengo e com uma doçura que eu morro de inveja e não consigo jamais aprender!).


Mas daí uma pessoa que pouco conheço, com quem já trabalhei e que aprendi a admirar demais, entra em contato comigo no gtalk. Achei a princípio curioso esse contato. Mas ela me falou dos problemas de saúde que a filha vem passando, e desse momento de absoluto desamparo/desespero/medo/impotência que eu tão bem conheço. E quis saber de mim como lidar com isso, como saber que se está fazendo a coisa certa, quem ouvir, como conseguir dormir (essa eu nunca aprendi).


E tudo o que eu pude dizer é que a gente acha as respostas nos filhos, nas suas reações, no seu conforto ou desconforto. E daí vem uma força que eu não sei nem de onde, e uma lucidez que te mostra o que fazer. Eu sei, parece místico, mas você vai saber, sim, como agir. Eu sei que agora isso parece impossível, e que vocês mal conseguem respirar sem que doa, e que bate uma culpa desgraçada de estar saudável quando ela está doente, e que dá vontade de berrar que Deus é esse que permite que uma criança adoeça. Eu sei de tudo isso. Eu estive aí, eu senti assim (segredo: às vezes ainda sinto), mas uma hora, nem que seja por puro senso prático, você vai entender que de nada adianta a revolta e o medo, e nessa hora você vai aprender a olhar com outros olhos e a buscar respostas dentro e não fora.


Eu lembro que eu olhava pros outros pais no hospital com seus filhos e não entendia como eles conseguiam não desmoronar. Eu os via como super heróis e pensava que Antonio tinha o azar de ter uma mãe tão fraca e impotente que jamais conseguiria segurar a barra que ele precisava que eu segurasse. E em tão pouco tempo (talvez o tempo de um sorriso dele), eu me vi defendendo meu pequeno como a leoa que toda mãe deve ser e, mesmo sem um manual, entendi o que ele queria de mim.


Todo dia repito: crianças especiais merecem pais especiais. E vocês são esses pais. E sua pequena pintora modernista é tão mais forte do que o que vocês pensavam quando escolheram pra ela esse nome. O frio, o cobertor... Lembra? Ela é uma pequena guerreira, porque a vida está exigindo isso dela.


Então, Maria, hoje eu corri da faculdade pra casa, o mais rápido que pude, e nem fui te ver. Porque eu queria abraçar meus luizes e lembrar que eu existo pra defendê-los, e que pra eles e com eles eu sei ser doce. E que esse medinho que eu ainda sinto não é sinônimo de covardia, mas sim de certeza de que por eles eu tenho que ser sempre bem mais.

quinta-feira, 20 de maio de 2010

Só contando

Um dia começa perfeito quando na noite anterior você descobre que não vai ter aula de manhã (sim, alunos são todos iguais...) E claro que, ao invés de aproveitar pra descansar, você decide começar a ler Trilogia Suja de Havana, de Pedro Juan Gutiérrez, que você havia comprado e escondido estrategicamente entre outros livros na estante, pra não gastar seu pouco tempo com leituras que não interessam ao mestrado. E é claro também que você perde o sono (aquele que você normalmente nem tem) sentindo muita raiva - raiva de inveja - do autor que consegue ser tão jornalista ao escrever ficção, das suas frases tão fortes e concisas quando você sempre se perde em divagações ao escrever (como agora!).
E entre a inveja do autor e a delícia do texto, você vai dormir muito mais tarde do que deveria, já se culpando pelo humor de cão-chupando-manga-pôdre com que você vai acordar no dia seguinte.
Mas você acorda incrivelmente bem humorada, e fica se perguntando o que fazer com a liberdade de uma manhã inteira. (Tá, não é tanta liberdade assim, já que você tem que ir à editora terminar de descascar o pepino do dia anterior. Mas fora isso, ir ao Palácio da Música resolver detalhezinhos do lançamento é uma delícia).
E se almoçar sozinha é uma merda, chega logo um convite do amigo menáge pra um almoço. Sim, aquele mesmo amigo que te deixou esperando um suco que nunca chegou, na noite anterior. E o Papardelle vira palco de mais uma daquelas conversas terapêuticas, recheadas de piadas internas que só vocês mesmos entendem. (Rir de vocês mesmos é o que fazem melhor!)
Atrasada pra reunião do Rondon, você descobre que coisas ruins de passar são as melhores pra contar - e morre de rir olhando pro celular. Afinal, poucas pessoas devem gostar mais de contar histórias que você (OK, nem de longe tão bem quanto o Gutiérrez - ô, mágoa de caboco!). Suassuna não se discute, nem dele se discorda. Mas, metida como é, você ousa um pequeno complemento: histórias boas de viver e contar são ainda melhores.

quarta-feira, 19 de maio de 2010

Pequeno Dicionário de Uma M³ à Beira de Um Ataque de Nervos

Incompetência é quando você não tem habilidades e/ou conhecimento para realizar uma tarefa.
Má vontade é quando você não faz o menor esforço pra realizar uma tarefa.
Irresponsabilidade é quando você não tem nem habilidade, nem conhecimento e nem a menor boa vontade pra realizar o que te foi designado.
Desrespeito é quando você ignora que o trabalho/esforço/sonho dos outros depende do seu trabalho, e por isso você não faz a sua mínima parte pra que as coisas funcionem a contento.
Impotente é como você se sente se depende do trabalho de uma pessoa incompetente, irresponsável e de má vontade.
Raiva é o que te faz pagar o king kong de chorar dentro do carro, debaixo do sol, no estacionamento da universidade onde você estuda/trabalha.
Conforto é a sensação de se descobrir parte de um time perfeito, quando do outro lado da linha a companheira te acalma e do outro lado da cidade a outra toma as providências pra que as coisas se resolvam, ao invés de chorar como uma mulherzinha, como você acaba de fazer.
Pronto, Isabela! Tu disse que gosta quando eu tô reclamando?! Pois taí pra tu. A propósito, adorei nossa reuniãozinha. Nada a reclamar!