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domingo, 13 de junho de 2010

Carnival

Cansei! Bunda quadrada de passar o dia sentada estudando. Já deu. Tentando manter a tradição, musiquenha pra finalizar o domingão. Cardigans foi a trilha escolhida pro domingo de leitura. E pra cá, escolhi o clipe de Carnival, música que fez com que eu me apaixonasse pela banda, no ano de 96 do século passado (lembra, Renata, da gente andando pela W3 no seu fusquinha, ouvindo essa música a toda altura? "I will never know cause you never show. Come on and love me now. Come on and love now")
E que a semana comece boa pra todos nós: com muito trabalho, muito estudo, mas um pouquinho de farra que ninguém é de ferro. E que a segunda-feira chegue logo pra gente ligar a chave da normalidade de novo.

Tomodachis

Domingo é um dia enfadonho e improdutivo. Mas pra mim esse domingo tem que render - por isso estudo desde as 7 da matina. Resolvi tirar um recreio pelo facebook e encontrei uma surpresa deliciosa vinda diretamente de Nagoya, Japão. Meus amigos queridos Eulália e Rodrigo postaram um vídeo que lembra a gente, nossas farrinhas e brincadeiras. E falaram da vontade de estar na Taboca do Pau Ferrado tomando cerveja e conversando miolo de pote. Eita, que saudade boa não existe, não. Deu vontade de pegar o telefone e ligar pra eles (ainda lembro teu celular de cor, amiga) e chamar pro almoço de domingo no Malagueta, com as crianças subindo e descendo nos brinquedos e a gente com um olho na comida e outro neles.

Mas saudade mesmo deu daquele vinho que tomamos no frio, quando eu só sabia chorar e pensar que tudo no mundo tava errado. E eu via tudo tão ao contrário, mas tão ao contrário, que resolvi correr pro lugar mais distante que pude, onde tudo gira pro outro lado, pra achar a lógica de tudo. E achei. E vocês tavam lá, se admirando com minhas descobertas óbvias. Todo mundo sabe: a vida não acaba porque a gente tá sofrendo. O sol não deixa de nascer, as obrigações não cessam de se impôr à nossa frente, e os prazeres - que parecem tão distantes - acabam se mostrando de novo. A verdade de que a gente nasceu pra felicidade se mostra de um jeito ou de outro. Mas imersa em dor e culpa eu não via nada. E com vocês por perto eu voltei a sorrir de mim, e a fazer piada. E quando pensei que não, já tava respirando de novo, e perdendo aquela cor azulada que eu tinha adquirido. E quando percebi, já tava vendo beleza em pequenos gestos e em palavras bonitas colocadas com delicadeza sobre o travesseiro.

Esses dias me peguei pensando no Japão com saudades, e tive vontade de falar pra vocês. Como sabem, saí daí meio enfadada de tudo, embora curada. Osaka foi pra mim uma clínica de reabilitação: tratamento radical do vício de ser tão eu. E como toda rehab me deixou cansada. Mas eu tinha que descobrir como ser eu mesma de novo aqui desse lado do mundo. E o que não faltou foi medo de não conseguir. Era como estar num corpo novo que não me obedecia como o anterior, com o qual eu já estava tão acostumada. E sabem o que eu queria dizer pra vocês? Que a minha alma já se acomodou direitinho nesse novo corpo: cada cantinho já foi preenchido por mim e todos os meus movimentos agora são voluntários. Aqueles espasmos esquisitos, os impulsos sem explicação, a voz que falava e não era minha... tudo isso passou. E eu queria vocês aqui comigo pra testemunhar isso. Se saudade não for isso, sei mais o que é, não. Dava hoje o que tenho e o que não tenho por um churrasco com vocês na Taboca do Pau Ferrado.

P.S.: Diana rules!!!

sexta-feira, 11 de junho de 2010

É merchandising mesmo, minha gente!


Sugestãozinha para o Dia dos Namorados: livro M³ - mulher, mãe, moderna. Serve não só pra mulher, mas também pra homem, viu? Não trata só de conversa de mulherzinha, nem só de conversa de mãe. Serve pra quem tem filho e pra quem não tem também. Serve pra quem é moderno e pra quem não é. Pode dar pro namorado(a), ficante, peguete, cacho, ou sei lá que outras denominações vocês andam inventando por aí. Serve pro brucutu e pro descolado. E, bem, se é pra apelar, serve pra ajudar duas jornalistas/autoras que pretendem vender livros nesse Piauí querido.

E além de tudo, o livro tem o design lindamente esquizofrênico ou esquizofrenicamente lindo da Josélia Neves. E as ilustrações fofas da Gabriella Navarro.

Convenci? Então manda um e-mail pra clarissascarvalho@gmail.com, que eu faço o livro chegar nas suas mãos rapidinho, rapidinho. Ou então vai lá na Tocatta (que agora está funcionando ao lado da Praça Ocílio Lago).

quinta-feira, 10 de junho de 2010

Quem sai aos seus...

Hoje Guerreiro Antonio fez quatro anos. E não bastasse a vozinha rouca, o sorriso lindo, a gargalhada sem-vergonha que só ele tem, e a força enorme que nem parece caber naquele corpinho, o rapaz ainda mostra que tão cedo já tem excelente gosto musical. Quando lhe perguntei o que queria ganhar de aniversário, me saiu com essa, sem nem pestanejar:
- Um CD do Vitous (leia-se Beatles)
Então tá, filho. CD do Vitous pra você, que muito mais cedo que eu aprendeu a gostar dos Fab Four.

Message in a bottle

E lá tava eu esparramada na cama com a apostila na cara, tentando entender Giddens, o estruturalismo e o pós-estruturalismo. E isso não é fácil hora nenhuma, muito menos tarde da noite depois de um dia frenético. Mas quem mandou se meter a fazer tanta coisa? Agora vai e aprende, sua burra! A cada duas frases, um bocejo. A cada dois parágrafos, voltava um, porque não lembrava mais nada. E mesmo com ar condicionado ligado fazia um calor desgraçado. E eu pensava que queria ter mais tempo pra entender os autores, pra estudar, pra não me sentir tão peixe fora d'água.
O celular largado dentro da bolsa dá sinal de mensagem. E eu fico rindo abobada. Giddens não ficou mais fácil, o pós-estruturalismo continuou desestruturando minha paciência, minha angústia por não dar conta de tudo continuou viva. Mas a noite ficou muito mais quente e bonita. E eu dormi sorrindo, mesmo sem entender quase nada do texto.

quarta-feira, 9 de junho de 2010

Comé que é???

Pra quem me conhece é fato que não me comunico bem. Não só é fato, mas é piada entre meus amigos mais próximos e queridos que eu sou a comunicadora menos bem-sucedida quando se trata da vida pessoal.

Pra jornal impresso a gente escreve assim: apura os fatos, faz perguntas, ouve todos os lados possíveis. Daí faz um lead respondendo às seis indefectíveis perguntas que atormentam o jornalista, aplica a pirâmide invertida, e pronto. (Sim, é um gesso chato, mas funciona. E na falta de tempo, vai assim mesmo.)

Pra TV, é um pouco diferente e, na minha opinião, mais difícil. Casar texto e imagem, sem que um repita o outro, sem que um destoe do outro. Encaixar no teu texto o texto do entrevistado, de modo costurado, de modo que faça sentido. Pensar o áudio (quando há tempo) como componente da matéria. Escolher a trilha certa, que dá a emoção do que se tenta mostrar.

E tudo isso, claro, numa linguagem acessível, que possa ser entendida pelo pós-doutor e pelo analfabeto (pelo menos em se tratando de TV e rádio).

Isso eu sei fazer, com as duas mãos amarradas e os olhos fechados. Pra isso existe treino, leitura, observação e prática. Isso se aprende - é o que eu quero dizer.

Mas se comunicar na vida é bem mais complicado. E a cada dia tenho mais certeza de que pra isso não há aprendizado. Ou eu sou burra. Ou não tenho tido bons professores.

O fato é que nós, jornalistas, aprendemos a nos comunicar com um outro anônimo, massificado, generalizado. E com esse eu me comunico até bem. Mas o outro específico, o outro aqui perto, o outro que de alguma forma interessa, esse deve ver navios ao tentar entender meus grunidos que tentam ser palavras.

Nessa tentativa de comunicação, escorrego sempre pra um dos dois lados: Patropi ou dona Lunga (sim, já são piadas velhas). Ou falo um monte e não digo nada, ou me excedo no sarcasmo e mostro meu lado "muro chapiscado" (o que já me rendeu a maravilhosa alcunha de "Lixa 40").

E quando eu tento dizer que "não, isso já não me interessa faz muito tempo" só o que parecem entender é que eu quero voltar ao passado. Assim também quando não consigo me livrar da minha culpa de estimação, mesmo que eu berre que culpa não é bem querer e que pena é o sentimento que me causa mais mal.
E o que eu queria dizer e nunca consigo é que, sim, sofrimento existe e é pra ser sentido. E que qualquer pessoa que bombardeou um castelo deve sofrer (mesmo que o castelo estivesse em ruínas e que você só tenha acionado o detonador da dinamite). E não, isso não significa arrependimento, mas a confirmação, mais uma vez, de que o efêmero é o que há de constante na vida. Porque no final das contas, só essas pessoas cheias de armaduras conseguem passar ilesas pelas ruínas de sonhos, planos, vida, lembranças, Nerudas e etc. E que não, muito obrigada, mas não sou uma dessas pessoas que passam pela vida sem sentir, se privando, se protegendo. Eu quero mais é sentir, tanto a dor quanto o encantamento. E sinto muito. Mas estou bem feliz aqui onde estou, bem em cima das ruínas de onde consigo enxergar longe. E feliz com o que tenho visto e sentido. E sabendo que é de cima dos escombros que eu re-aprendo a voar.

quarta-feira, 2 de junho de 2010

É assim que a banda toca

Sai da reunião do Rondon correndo. Jornal O Dia. "Amiga, tô com dor de barriga." "Eu também!" Bom ter com quem dividir o trabalho de parto. "Dá licença que vamos ali parir um filho." SALIPI. Amigos - poucos e bons amigos. Alunos. Cunhada. Professora. Colegas. Pai. Ex-professores. Analista. Desconhecidos. Algumas ausências sentidas. Uma, em especial. Rosa vermelha do amigo. Bate-papo começa. Animador de torcida. Descontração. Cérebro repete e pede pra não mandar pra boca: "não é guerra dos sexos, não!" Boca fica calada (milagrosamente obediente). Sorteio. Agora dói o estômago.Vontade de que acabe logo. Autógrafos. (Meu Deus, eu sei fazer isso?) Amigo que chega atrasado e te comove com o abraço. Olik. Vernissage do Cabeção. Loja mais linda do mundo. Vontade de comprar tudo. Segura a bolsa senão eu gasto o que não tenho! Champanhe. Sorrisos. Miolo de pote. Brownie - chocolate em estado puro diretamente na veia. "Vamo embora, tô com sono!" Só mais uma taça. (Na cabeça Cazuza canta: "mais uma dose, é claro que eu tô a fim. a noite nunca tem fim. porque que a gente é assim?") Dormir, enfim.
Acorda, corre, FM Cultura. Difícil ficar do outro lado do microfone. UFPI. Mercado do Pão. Mais detalhes, mais detalhes. Deus mora nos detalhes. Sítio Minuano - tudo certo com os móveis. Arranjar dois ou três cafuçus pra ajudar a carregar móveis na quinta. Balde de água fria: passar menos de 24 horas em Pedro II. Não ver Zeca Baleiro nem Maria Rita. Anotação mental: nunca mais inventar uma viagem às vésperas de um lançamento. Outra: nunca mais ficar com a carteira de motorista vencida. Rezar pra não ser pega na blitz na volta. "Capa de Abraão, cegai, cegai"