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quinta-feira, 8 de julho de 2010

Vamos a la playa ô ô ô ô ô

Dois biquinis. Uma canga. Dois vestidos. Camisola. Uma toalha. Lençol. O xenhenhém. Protetor solar. Hidratante. Shampoo, condicionador, sabonete. Opti-free. Brincos, só os que já estão na orelha. Anéis, os de sempre. Relógio fica, porque pesa, em vários sentidos. Havaianas, só um par. Caim, do Saramago, ganhado recentemente, direto de Portugal. Amigos, de monte. E uma vontade louca de descansar o corpo, esvaziar a mente e relaxar o coração.
As melhores viagens são as da alma, alguém já disse e eu nem sei quem foi. E eu vou de alma inteira me jogar na areia, tomar banho de mar pra tirar o carrego, comer caranguejo, falar besteira, embaraçar o cabelo com o vento, tirar soneca na rede.
Dá licença que eu vou bem ali fingir que eu não carrego nenhum peso.

quarta-feira, 7 de julho de 2010

20 anos sem Cazuza

Todo mundo tem um ídolo na adolescência, e às vezes até leva a adoração pra vida adulta, como eu. Eu tive, e tenho, o Agenor de Miranda Araújo Neto, o Cazuza. Nem lembro bem quando começou minha admiração por ele, mas lembro que quando ele morreu, em 07 de julho de 1990, eu me senti entre órfã e viúva. (Perdoem o drama - meninas de 12 anos são assim mesmo. O bom é que um dia elas crescem. Ou não.)

O que lembro bem é do fascínio que me causavam as músicas dele. Eu gostava de ficar até altas horas da noite trancada no quarto ouvindo as músicas e cantando junto e pensando que a vida era muito, muito louca e triste, e que afinal alguém tinha coragem de dizer, naquele jeito jogado, vomitado, escrachado que só ele tinha, mesmo quando falava de amor. Era tudo tão maldito pela ótica dele, e eu achava que era tão bonito ser intenso assim... E aquela coragem dele de se assumir gay, de se assumir soropositivo - tudo isso me fazia pensar que eu queria ser corajosa assim, se fosse preciso.

Eu tava passando férias em Brasília quando ele morreu. Mas no dia mesmo, em 07 de julho, eu tava na fazenda da minha tia, em Formosa, e nem ouvi falar do fato. Cheguei em Brasília uns dois ou três dias depois. Eu e minhas primas na banca de revista da 205 Norte e eu vejo uma revista (que eu tenho até hoje) com as indicações de data de nascimento e de morte na capa, e a foto dele tão lindo de boina vermelha. Gelei. Olhei em volta e várias publicações traziam a foto do Cazuza. Pronto. Daí desabei a chorar. (Repito: meninas de 12 anos são dramáticas). Muitas lágrimas depois, seguidas de telefonemas pros meus pais em Teresina, e do consolo das minhas primas em Brasília, terminei a noite rindo: minha tia se fantasiou de fantasma do Cazuza e veio na janela do quarto nos assustar.

Duas décadas depois continuo amando essa energia escrachada do Cazuza, e a coragem que às vezes me falta e que nele sempre transbordou. E hoje não canso de pensar na mãe dele, que perdeu seu filho único. É que agora sou mãe, e arranjei outra maneira de exercer o lado dramático da menina de 12 anos que muitas vezes ainda sou.
(Tento desde ontem postar um vídeo do Cazuza aqui, mas simplesmente não carrega. Depois tento de novo)

terça-feira, 6 de julho de 2010

Férias




Última aula do semestre. "Enfim, férias", pensei. (mais ou menos férias, mas vá lá...) Amanhã não tenho que acordar cedo, nem que ficar até altas horas lendo textos e mais textos pra aula do dia seguinte. Oba!

Daí caiu a ficha da Sra. Nostalgia. Então amanhã não vou encontrar meus coleguinhas? Nem tomar baldes de café no corredor em frente à salinha do mestrado? Vou ficar dias sem a once-in-a-life-time identificação e os comentários picantes da Pavoa? Sem a perspicácia e a sempre-preparação da Monstro Antropológico? E sem seu apoio inteligente nas discussões em que sou maldosamente chamada de Clarissa de Beauvoir? E sem o cafuné carinhoso do André? E sem a voz insegura da Thaís, sempre seguida do meu grito: "te solta, criatura!"? Sem a metamorfose estética eterna da Joyce? Sem a voz de veludo e o abraço de urso do Marcão? Sem a pose "vim-da-praia" e a dicção engraçada do Lasanha? (Sem contar que há alguns dias já sumiram os Indiana Jones: Marcela pegou o rumo do Pará, e levou com ela aquele sotaque que eu adoro, e que me lembra tanto D. Lourdes. Eugênio levou seu cheiro não sei pra onde. Julimar deve tá em algum buraco de tatu.)

Quero não! Sou bichinho que se acostuma fácil a gente. E que mais fácil ainda gosta de gente. E vocês ocuparam boa parte das minhas horas esse semestre, e melhoraram meu mau humor matinal dia após dia. Exijo encontros semanais e cervejais, no bar oficial dos alunos do PPGARQ. E pra começar, vamos hoje mesmo orelhar. Já tô indo pra lá.


Fotos gentilmente cedidas pela Pavoa, que nas horas vagas é também fotógrafa oficial da turma.

domingo, 4 de julho de 2010

Los hermanos

Não, eu não devia postar algo assim por aqui. Eu devia respeitar os perdedores e dar graças a Deus que a derrota humilhante da Argentina ao menos nos livrou a todos de ver o Maradona pelado (visão do inferno!). Mas não me habitam os sentimentos nobres, como vocês bem sabem. E, mesmo que eu não ligue pra futebol, é sempre tão bom ver um argentino quebrar a cara... Então desde o dia em que gravei esse vídeo que penso nesse momento: a hora de finalmente trazer a público a certeza que os hermanos tinham de sua superioridade futebolística. Vai que é tua, Ariel!

quinta-feira, 1 de julho de 2010

Eu mereço

Porque hoje eu tô cansada. Porque ontem eu dormi pouco. Porque tive aula o dia inteiro. Porque foi tão bom almoçar com o pessoal do mestrado. Porque quando eu penso que vou entrar de férias a seleção brasileira atrapalha. Porque eu achei que não teria aula amanhã. Porque eu vou, sim, ter aula, até a hora do jogo. Porque eu queria dormir até tarde. Porque eu tô com dor de cabeça. Porque eu esqueci de comprar o presente que o papai pediu. Porque amanhã isso vai ser motivo de encheção de saco. Porque abriram as portas do meduna. Porque todos os loucos do mundo me adotaram pra Cristo. Porque eu não sou Jó nem tenho parentesco com ele. Porque eu ando meio assustada. Porque minha mãe não chega nunca. Porque eu queria pegar logo a estrada. Porque hoje eu merecia ser dengada.

segunda-feira, 28 de junho de 2010

Houve uma época em que as crônicas esportivas eram assim

Sermão da Planície (para não ser escutado)


Bem-aventurados os que não entendem nem aspiram a entender de futebol, pois deles é o reino da tranquilidade.

Bem-aventurados os que, por entenderem de futebol, não se expõem ao risco de assistir às partidas, pois não voltam com decepção ou enfarte.

Bem-aventurados os que não têm paixão clubista, pois não sofrem de janeiro a janeiro, com apenas umas colherinhas de alegria a título de bálsamos, ou nem isto.

Bem-aventurados os que não escalam, pois não terão suas mãos agravadas, seu sexo contestado e sua integridade física ameaçada, ao saírem do estádio.

Bem-aventurados os que não são escalados, pois escapam de vaias, projéteis, contusões, fraturas, e mesmo da glória precária de um dia.

Bem-aventurados os que não são cronistas esportivos, pois não carecem de explicar o inexplicável e racionalizar a loucura.

Bem-aventurados os fotógrafos que trocaram a documentação do esporte pela dos desfiles de modas, pois não precisam gastar tempo infindável para fotografar o relâmpago de um gol.

Bem-aventurados os fabricantes de bolas e chuteiras, que não recebem as primeiras na cara e segundas na virilha, como os atletas e os assistentes ocasionais das peladas.

Bem-aventurados os que não conseguiram comprar televisão a cores a tempo de acompanhar a Copa do Mundo, pois, assistindo pelo aparelho do vizinho, sofrem sem pagar 20 prestações pelo sofrimento.

Bem-aventurados os surdos, pois não os atinge o estrondo das bombas da vitória, que fabricam outros surdos, nem o matraquear dos locutores, carentes de exorcismo.

Bem-aventurados os que não moram em ruas de torcida institucionalizada, ou em suas imediações, pois só recolhem 50% do barulho preparatório ou comemorativo.

Bem-aventurados os cegos, pois lhes é poupado torturar-se com o espetáculo direto ou televisionado da marcação errada, que paralisa os campeões, ou do lance imprevisível, que lhes destrói a invencibilidade.

Bem-aventurados os que nasceram, viveram e se foram antes de 1863, quando se codificaram as leis do futebol, pois escaparam dos tormentos da torcida, inclusive dos ataques cardíacos infligidos tanto pela derrota como pela vitória do time bem-amado.

Bem-aventurados os que, entre a bola e botão, se contentaram com este, principalmente em camisa, pois se consolam mais facilmente de perder o botão da roupa do que o bicho da vitória.

Bem-aventurados os que, na hora da partida internacional, conseguem ouvir a sonata de Albinoni, pois destes é o reino dos céus.

Bem-aventurados os que não confundem a derrota do time da Lapônia pelo time da Terra do Fogo com a vitória nacional da Terra do Fogo sobre a Lapônia, pois a estes não visita o sentimento de guerra.

Bem aventurados os que, depois de escutar este sermão, aplicarem todo o ardor infantil no peito maduro para desejar a vitória do selecionado brasileiro nesta e em todas as futuras Copas do Mundo, como faz o velho sermoneiro desencantado, mas torcedor assim mesmo, pois para o diabo vá a razão quando o futebol invade o coração.

(Carlos Drummond de Andrade)

A Copa nossa de cada dia

Não me entendam mal: não é que eu queira que o Brasil perca a Copa. Mas esse negócio de jogo mexendo com meu horário já tá me dando nos nervos. Tipo assim: eu já tive que remarcar prova, desmarcar aula, re-organizar minhas coisas simplesmente porque vinte e dois marmanjos resolveram correr atrás de uma bola (Jabulani é o nome dela!).
Não desmereço as intensas emoções que 99% dos brasileiros parecem sentir quando o Brasil entra em campo. Confesso que sinto até certa inveja de quem se empolga assim. Sempre invejei aquela paixão das pessoas que torcem e vibram por seus times, campeonato após campeonato. Imagina a cegueira que é ser torcedor de um time e vê-lo o ano todo lascado e ainda assim bater com orgulho no peito e se declarar Atleticano/Flamenguista/Botafoguense ou qualquer coisa que o valha?
Mas eu não consigo me empolgar. E ponto. Gosto da folia, da galera reunida, da cerveja gelada, e até grito GOOOOOL quando todo mundo grita. E se for pra xingar argentino até xingo também, mas só porque é argentino (desculpa, anjo Ariel, la pequeña sirena).
Nessa copa tô gostando do povo gritando "vai, Kaká, vai, marca!". Por alguns milésimos de segundo penso que é comigo. Mas depois me toco que aquele Kaká é com K, e que pouco me interessa pra onde mesmo ele vai.
O fato é que hoje apostei no bolão que o Brasil perdia. Só pra ver se assim eu não tinha que desmarcar minhas aulas de sexta (que seriam encerramento de disciplina). Sem contar com o encerramento de uma disciplina do mestrado que seria na sexta de manhã e que agora não faço a mínima idéia de quando será. Mais do que uma vitória do Brasil, tô precisando mesmo é de férias, mas a Copa não deixa.