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segunda-feira, 31 de maio de 2010

140 motivos

Hoje eu tenho 140 motivos pra estar feliz. Os 140 motivos estão no bagageiro do meu carro, cheirando a coisa nova, cheirando a sonho. Eu mesma fui lá e peguei os 140 com minhas mãozinhas. Ninei cada pacotinho antes de colocar no carro. E contei os dedinhos/páginas. E brinquei de passar os dedos nas páginas pra sentir o ventinho no nariz e o cheiro. (Cheiro de livro novo é um dos mehores do mundo. Cheiro do SEU livro novo é o céu). E liguei pra Danda e Josélia fazendo invejinha por ser a primeira a ver nosso bebê. E ele tá a nossa cara. E amanhã tem mais 860 vindo. E eu quero todos saindo, indo embora, pras mãos de outras pessoas. Como toda boa mãe eu sei que os filhotes devem ir embora.
E quando chegar em casa, tenho cer-te-za que encontrarei Danda e Grosélia enlouquecidas procurando por nosso filhote. E eu só queria dormir. Tô tão cansada que parece que peguei uma surra, e o único músculo do meu corpo que não dói hoje é o miocárdio, porque meu coração tá leve, leve com a chegada do livrinho.
Ah! E quem quiser comprar, ele está a venda a partir de amanhã no estande da livraria Nova Aliança, no SALIPI. E às 18:30h, eu e Danda estaremos no Bate Papo literário, falando do parto desse bebê.

sábado, 29 de maio de 2010

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Aula boa deixa a gente pensando por horas depois. E hoje eu tive uma aula ótima, que me deixou com vontade de mudar meu projeto, de esquecer a cibercultura, de dar o braço a torcer e dizer que antropologia é feita no meio de gente (embora em algum lugar eu ainda saiba que tem gente se relacionando, socializando no ciberespaço, claro). Vontade de ter uns mil dias só pra ficar lendo e pensando, pensando e lendo. E a dúvida eterna ainda foi realimentada: como mesmo estranhar o que eu sei que sou? Como estranhar o que é ser mulher/mãe se é isso que eu sou? Como jogar luz no que é tão óbvio que me deixa cega pra ver além? Como tentar descobrir algo que eu tenho certeza que já sei? Como derrubar essas certezas pré-fabricadas? Aula boa deixa a gente angustiada também. Mas de uma angústia boa de querer encaixar as ideias, encontrar o caminho, esquecer as respostas prévias. E eu tenho que ter um cuidado absurdo com isso, porque eu detesto refazer qualquer coisa: meu negocio e jogar fora e começar de novo. Não sei usar borracha, e acabo perdendo o que já fiz.
Mas alem disso, a aula me deixou pensando em mim como professora. Paixão e uma das coisas mais belas do mundo. Sabe aquela coisa de ter tesão no que se esta fazendo? De gostar, de ter prazer no que faz? Eu queria ser esse tipo de professora, como a da aula que assisti hoje. Que coisa bonita foi vê-la falando de suas pesquisas com índios, dos seus filmes e, principalmente, da certeza de que a pesquisa deve servir pra algo mais alem de dar títulos. Bonito demais ver gente com tutano, que tem paixão pelo que faz. E não que eu não tenha, mas ando cansada e repetitiva, reconheço. Mesmo que eu ainda me sinta motivada pelos meus alunos ultimamente não estou conseguindo estar inteira em lugar nenhum - fragmentei tanto que não me acho nos pedaços.
Tai. Agora me deu vontade de voltar pra analise. Se foi la que eu entendi o que e como eu queria pesquisar, vai ser la também que vou desfazer esse no.
(E meu teclado pirou, os acentos so entram quando querem. Quero jogar o notebook fora e compar outro. hahaha)

quinta-feira, 27 de maio de 2010

Os melhores amigos do mundo são os meus

E eu não canso de repetir. Eu tenho os melhores amigos do mundo. Pra almoçar, amigo menáge, porque hoje é quinta e ele é meu "marido de quinta". (Leia-se de quinta categoria, porque nem a lâmpada queimada do meu banheiro ele trocou!) Mas rodou comigo pela cidade pra eu achar as etiquetas que eu queria e, apesar de se irritar com minha obsesssão por canetinhas perfumadas, topou encarar o centrão pra eu ter o cheiro certo nos convites do livrinho. (Homens nunca entendem porque a gente se fixa em cheirinho de caneta - "Como assim uma pessoa que nem sequer usa perfume e que odeia cheiro forte pre-ci-sa de canetas perfumadas?")
À noite Mu e Maria me ajudando a preencher os convites, a organizar a lista, a não esquecer ninguém. E a cervejinha que não podia mesmo faltar, e o papo colocado em dia, e a saudade que eu tava da Maria já quase querendo passar. (Mas precisa de muitos e muitos dias, Maria, pra minha saudade de tu passar!)
E agora vou mesmo é dormir, feliz em saber que melhor que esse livro é saber que tem tanta gente junto comigo torcendo e ajudando.
Os melhores amigos do mundo são só meus. E eu não dou, não divido, não compartilho e não abro mão nunca mais. Porque eu sou ciumenta e possessiva mesmo. E tenho dito!
(P.S. super nada a ver, mas alguém reparou na lua absurda que tá no céu? É quase uma ofensa!)

quarta-feira, 26 de maio de 2010

Pendular

Hoje é mais um daqueles dias que parecem infinitos. Tem orientando vindo aí, tem aula pra dar, tem reunião ainda depois do trabalho, tem texto pra ler quando chegar em casa, tem uma culpa pra engolir quando encontrar as crianças dormindo, tem um silêncio horroroso de casa com crianças apagadas. (Por favor, deixem as luzes acesas ou é capaz de eu tropeçar nessa angústia que me segue noite e dia!)

Ao mesmo tempo que quer muitas horas a mais pra conseguir fazer tudo, você precisa que o dia acabe logo e amanhã nasça um outro. A gente sempre pensa que amanhã vai ser outro dia. Burrice humana - já nascemos programados pra esperança. A memória é coisa perigosa e traiçoeira: lembramos só o que nos interessa, tratamos de esquecer o que mais dói, e por isso acabamos caindo em armadilhas iguais. Minha avó dizia que a dor do parto é uma dor esquecida. Mas eu acho que toda dor é assim. A gente esquece que doeu e vai de novo com a cara no muro. (Ontem eu queimei a mão no mesmo lugar da semana passada, fazendo exatamente o mesmo prato. Mas eu juro que foi sem querer. E juro que nem tão cedo faço almôndegas de novo. E não, isso não é uma metáfora barata robertodamattiana.)

De tarde tentei dar um colo que eu nem tenho pra uma menina cuja avó/mãe tá muito doente. Eu gosto tanto dela e queria tanto ajudá-la. Mas acho que não servi pra muita coisa e continuo sem entender porque tanto procuram conforto em mim. Eu mesma ando abusando do colo dos meus amigos, sentindo uma falta desgraçada da minha mãe, enchendo o saco da minha irmã. Eu mesma ando sem saber bem onde estou. Eu, pêndulo humano, ando oscilando entre a euforia e a tristeza, entre meias certezas e dúvidas silenciosas, entre o cansaço e o impulso. E às vezes me pego sorrindo abestada, ou sem saber onde botar as mãos ou que palavras usar. E a certeza firme que tenho - a única - é só do que eu não quero.
Eu acho que eu tô precisando de férias de mim, só por uns dois ou três séculos.

terça-feira, 25 de maio de 2010

Hoje eu deixo pro poeta do absurdo

no dia que eu me zangar, mato você de carinho
dou uma pisa de amor que você erra o caminho

Zé Limeira

* E bora estudar, meu povo, que a semana mal começou...

segunda-feira, 24 de maio de 2010

Minha alma canta...

Óia o que eu acabei de encontrar na minha caixa de entrada:


CLARISSA SOUSA DE CARVALHO:

Parabéns, o seu documento MATERNIDADE, PARTO E RELAÇÕES DE PODER ENTRE
OS GÊNEROS foi aceito para ser apresentado na(o) II Fórum Internacional de
Análise do Discurso que acontecerá 2010-09-08 em Rio de Janeiro.

Obrigado e aguardamos sua participação no evento.
Rosane Santos Mauro Monnerat
UNIVERSIDADE FEDERAL FLUMINENSE
II Fórum Internacional de Análise do Discurso
Discurso, texto e enunciação

Pronto, agora eu tô si-si. E haja Foucault, Lipovetsky, Benveniste e Bakhtin pra eu enfim escrever o artigo (mas a cabeça tá é na praia mesmo).

Pequena guerreira


Quase entrando em sala de aula, eu pensava que hoje quando saísse da faculdade passaria pra "caçar" a Maria (sim, porque você sumiu e eu não te vejo há semanas e tô com saudade do teu abraço e daquele jeito fofo que você tem de dizer "amo tu", cheia de dengo e com uma doçura que eu morro de inveja e não consigo jamais aprender!).


Mas daí uma pessoa que pouco conheço, com quem já trabalhei e que aprendi a admirar demais, entra em contato comigo no gtalk. Achei a princípio curioso esse contato. Mas ela me falou dos problemas de saúde que a filha vem passando, e desse momento de absoluto desamparo/desespero/medo/impotência que eu tão bem conheço. E quis saber de mim como lidar com isso, como saber que se está fazendo a coisa certa, quem ouvir, como conseguir dormir (essa eu nunca aprendi).


E tudo o que eu pude dizer é que a gente acha as respostas nos filhos, nas suas reações, no seu conforto ou desconforto. E daí vem uma força que eu não sei nem de onde, e uma lucidez que te mostra o que fazer. Eu sei, parece místico, mas você vai saber, sim, como agir. Eu sei que agora isso parece impossível, e que vocês mal conseguem respirar sem que doa, e que bate uma culpa desgraçada de estar saudável quando ela está doente, e que dá vontade de berrar que Deus é esse que permite que uma criança adoeça. Eu sei de tudo isso. Eu estive aí, eu senti assim (segredo: às vezes ainda sinto), mas uma hora, nem que seja por puro senso prático, você vai entender que de nada adianta a revolta e o medo, e nessa hora você vai aprender a olhar com outros olhos e a buscar respostas dentro e não fora.


Eu lembro que eu olhava pros outros pais no hospital com seus filhos e não entendia como eles conseguiam não desmoronar. Eu os via como super heróis e pensava que Antonio tinha o azar de ter uma mãe tão fraca e impotente que jamais conseguiria segurar a barra que ele precisava que eu segurasse. E em tão pouco tempo (talvez o tempo de um sorriso dele), eu me vi defendendo meu pequeno como a leoa que toda mãe deve ser e, mesmo sem um manual, entendi o que ele queria de mim.


Todo dia repito: crianças especiais merecem pais especiais. E vocês são esses pais. E sua pequena pintora modernista é tão mais forte do que o que vocês pensavam quando escolheram pra ela esse nome. O frio, o cobertor... Lembra? Ela é uma pequena guerreira, porque a vida está exigindo isso dela.


Então, Maria, hoje eu corri da faculdade pra casa, o mais rápido que pude, e nem fui te ver. Porque eu queria abraçar meus luizes e lembrar que eu existo pra defendê-los, e que pra eles e com eles eu sei ser doce. E que esse medinho que eu ainda sinto não é sinônimo de covardia, mas sim de certeza de que por eles eu tenho que ser sempre bem mais.