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segunda-feira, 28 de junho de 2010

Houve uma época em que as crônicas esportivas eram assim

Sermão da Planície (para não ser escutado)


Bem-aventurados os que não entendem nem aspiram a entender de futebol, pois deles é o reino da tranquilidade.

Bem-aventurados os que, por entenderem de futebol, não se expõem ao risco de assistir às partidas, pois não voltam com decepção ou enfarte.

Bem-aventurados os que não têm paixão clubista, pois não sofrem de janeiro a janeiro, com apenas umas colherinhas de alegria a título de bálsamos, ou nem isto.

Bem-aventurados os que não escalam, pois não terão suas mãos agravadas, seu sexo contestado e sua integridade física ameaçada, ao saírem do estádio.

Bem-aventurados os que não são escalados, pois escapam de vaias, projéteis, contusões, fraturas, e mesmo da glória precária de um dia.

Bem-aventurados os que não são cronistas esportivos, pois não carecem de explicar o inexplicável e racionalizar a loucura.

Bem-aventurados os fotógrafos que trocaram a documentação do esporte pela dos desfiles de modas, pois não precisam gastar tempo infindável para fotografar o relâmpago de um gol.

Bem-aventurados os fabricantes de bolas e chuteiras, que não recebem as primeiras na cara e segundas na virilha, como os atletas e os assistentes ocasionais das peladas.

Bem-aventurados os que não conseguiram comprar televisão a cores a tempo de acompanhar a Copa do Mundo, pois, assistindo pelo aparelho do vizinho, sofrem sem pagar 20 prestações pelo sofrimento.

Bem-aventurados os surdos, pois não os atinge o estrondo das bombas da vitória, que fabricam outros surdos, nem o matraquear dos locutores, carentes de exorcismo.

Bem-aventurados os que não moram em ruas de torcida institucionalizada, ou em suas imediações, pois só recolhem 50% do barulho preparatório ou comemorativo.

Bem-aventurados os cegos, pois lhes é poupado torturar-se com o espetáculo direto ou televisionado da marcação errada, que paralisa os campeões, ou do lance imprevisível, que lhes destrói a invencibilidade.

Bem-aventurados os que nasceram, viveram e se foram antes de 1863, quando se codificaram as leis do futebol, pois escaparam dos tormentos da torcida, inclusive dos ataques cardíacos infligidos tanto pela derrota como pela vitória do time bem-amado.

Bem-aventurados os que, entre a bola e botão, se contentaram com este, principalmente em camisa, pois se consolam mais facilmente de perder o botão da roupa do que o bicho da vitória.

Bem-aventurados os que, na hora da partida internacional, conseguem ouvir a sonata de Albinoni, pois destes é o reino dos céus.

Bem-aventurados os que não confundem a derrota do time da Lapônia pelo time da Terra do Fogo com a vitória nacional da Terra do Fogo sobre a Lapônia, pois a estes não visita o sentimento de guerra.

Bem aventurados os que, depois de escutar este sermão, aplicarem todo o ardor infantil no peito maduro para desejar a vitória do selecionado brasileiro nesta e em todas as futuras Copas do Mundo, como faz o velho sermoneiro desencantado, mas torcedor assim mesmo, pois para o diabo vá a razão quando o futebol invade o coração.

(Carlos Drummond de Andrade)

A Copa nossa de cada dia

Não me entendam mal: não é que eu queira que o Brasil perca a Copa. Mas esse negócio de jogo mexendo com meu horário já tá me dando nos nervos. Tipo assim: eu já tive que remarcar prova, desmarcar aula, re-organizar minhas coisas simplesmente porque vinte e dois marmanjos resolveram correr atrás de uma bola (Jabulani é o nome dela!).
Não desmereço as intensas emoções que 99% dos brasileiros parecem sentir quando o Brasil entra em campo. Confesso que sinto até certa inveja de quem se empolga assim. Sempre invejei aquela paixão das pessoas que torcem e vibram por seus times, campeonato após campeonato. Imagina a cegueira que é ser torcedor de um time e vê-lo o ano todo lascado e ainda assim bater com orgulho no peito e se declarar Atleticano/Flamenguista/Botafoguense ou qualquer coisa que o valha?
Mas eu não consigo me empolgar. E ponto. Gosto da folia, da galera reunida, da cerveja gelada, e até grito GOOOOOL quando todo mundo grita. E se for pra xingar argentino até xingo também, mas só porque é argentino (desculpa, anjo Ariel, la pequeña sirena).
Nessa copa tô gostando do povo gritando "vai, Kaká, vai, marca!". Por alguns milésimos de segundo penso que é comigo. Mas depois me toco que aquele Kaká é com K, e que pouco me interessa pra onde mesmo ele vai.
O fato é que hoje apostei no bolão que o Brasil perdia. Só pra ver se assim eu não tinha que desmarcar minhas aulas de sexta (que seriam encerramento de disciplina). Sem contar com o encerramento de uma disciplina do mestrado que seria na sexta de manhã e que agora não faço a mínima idéia de quando será. Mais do que uma vitória do Brasil, tô precisando mesmo é de férias, mas a Copa não deixa.

domingo, 27 de junho de 2010

Pra me sentir abraçada no domingo

- Piscina com filhotes
- A cama macia e o carinho incondicional da Maria
- Visita à casa-muito-engraçada que agora até já parece mesmo uma casa
- Crepe do Café Café
- O planejamento do mal com Cafas
- Dustin Hoffman e seu desconcerto em The Graduate
- E um restinho de Bauman pra dormir sem peso
- NOTÍCIA DE ÚLTIMA HORA: a descoberta de que o nome da bola da copa é Jabulani (sim, já tá pra terminar a copa e só agora eu descobri!) Preciso urgentemente nomear alguma coisa de Jabulani.


quarta-feira, 23 de junho de 2010

Personal auto-estima elevator Tabajara

Em um dia bom, eu ficaria feliz com as palavras do Marcos Rezende. Depois da reunião com minha orientadora hoje à tarde, eu quero elevá-lo à categoria de meu levantador-de-auto-estima preferido. Porque eu saí do CCHL pensando o que diabo mesmo eu tô fazendo da vida, onde foi que me meti, por que é que não me aquieto e etc. E quando abri meu e-mail ele tinha me mandado o artigo que publicou no O Dia em 07.06, e que eu não tinha lido. Fica aí só um pedacinho, só pra massagear meu combalido ego. E aqui do lado da mesa, o artigo já tá no mural, inteirinho. Obrigada, Marquito. E continue segurando minha vaga, porque, nesse ritmo, daqui a mil anos eu consigo!

Mas vamos deixar as coisas feias de lado e voltar a falar nas coisas lindas. O Salão do Livro Piauiense é uma dessas coisas que nos deixam certos que nem só de medíocres e suas mediocridades vive o Piauí. Nós temos pessoas que lêem, pessoas que escrevem e que pensam para frente, enfim, nós temos muita gente inteligente e que usa essa faculdade para fazer o bem. O Piauí das coisas lindas é o Piauí do Paulo Nunes, do H. Dobal, do Paulo José Cunha, do Zózimo Tavares, do Miguel Moura, é o Piauí de muitos outros belos piauienses que nos enchem de orgulho. Nós temos coisas lindas como o livro que a lindíssima Clarissa Carvalho escreveu a quatro mãos e duas cabeças maravilhosas com a Elizângela Carvalho, um livro que fala da Mulher, Mãe e Moderna, de mulheres como elas mesmas que vão à luta sem perder a beleza e a ternura.

E ainda bem que ele não falou em perder a paciência ou a esperança, que essas eu já perdi faz tempo! Ô, diazinho nojento esse!

Pastelzinho

Esse é o nome de um dos meus blogs preferidos. Leitura obrigatória todos os dias, antes mesmo dos portais de notícia. E de tudo o que o Maurilo escreve, o que eu mais gosto são as histórias da Sophia, que eu sonho em ter como nora um dia.
E essa foi a que eu achei mais legal - meninazinha decidida essa!

terça-feira, 22 de junho de 2010

Ócio criativo

Não gosto dessa expressão que anda tão em moda ultimamente. Nem sei exatamente o que significa, porque pra mim ócio é não fazer porra nenhuma e criar é fazer um monte de coisa. Mas tudo bem, deve mesmo haver alguém que consiga criar enquanto descansa. E minha professora concorda com isso, tanto que amanhã teremos o dia do ócio criativo, quando cada um fará em sala o que gosta de fazer quando não tem nada pra fazer. E vai ver eu não entendo nada disso porque até meu ócio é tenso.
Não devia ser difícil me preparar pra uma aula assim. Mas eu tenho dois problemas: primeiro, não lembro quando foi a última vez em que não tive nada pra fazer; segundo: as coisas que eu gosto de fazer nem sempre podem ser feitas em sala de aula. Mas resolvi separar algumas pra amanhã.
Vou levar um saco de dormir e tentar tirar uma soneca como se estivesse em algum dos muitos encontros de estudante a que fui. Certamente não vou conseguir, já que nem em casa durmo bem, mas pelo menos vou me esparramar.
Gosto também de escrever, de preferência sem obrigação. Como não terei internet à minha disposição, vai o querido e surrado diário mesmo.
E a parte mais difícil: o que levar pra ler e compartilhar com a turma. Vasculhei a estante, abri uns vinte livros, mas nada me parecia adequado pra ler em sala. Tem livro que é pra ler sozinho, tem livro que é pra ser em voz alta. Tem livro que é pra ler sozinho e ficar enchendo o saco de quem tá ao lado lendo só uns pedacinhos em voz alta. E qual mesmo eu levo pra sala?
Acabei esscolhendo o Coisas de amor largadas na noite do André Gonçalves. Pra quem não sabe, ele é escritor, publicitário, fotógrafo e blogueiro que se tornou piauiense. Sigo o blog dele há anos, sigo ele no twitter desde o meu primeiro dia por lá. Adoro tudo o que ele escreve, em 140 ou um milhão de carateres. Comprei seu livro em 2008, quando foi lançado, mas não sei onde foi parar - vai ver com as coisas de amor que andei largando mundo afora. Mas semana passada me dei outro exemplar de presente e de vez em quando puxo uma das fichas pra arejar meu dia. (Sim, o livro é em fichas e o design, da Josélia Neves). E fica aí um pedacinho do Coisas, uma coisinha de nada mas que, como tudo o que ele escreve, é tanto.
Carne de sol
pendura o coração ao sol, menina
que é de luz que se alimenta
esse músculo que estica e rasga e se arrebenta
sangra, arde, dói, mas não aguenta
bater sem cor, sem lágrima,
sem céu, sem nuvem, sem vento
levanta o olhar e vê
e, quando você menos perceber,
tum tum tum tum tum tum tum
ele vive.

Começando a semana

Nem é novidade: adoro as segundas-feiras. Não sei se porque elas significam que o chato do domingo acabou, ou se porque afinal vou voltar a uma rotina que, mesmo sendo rotina e portanto chata, estrutura a loucura THDA da minha cabeça. O fato é que as segundas-feiras me trazem alegria e me devolvem à normalidade de que eu tanto gosto.
Agora imagine uma segunda que começa com um pneu furado, como a de hoje. E imagine que você só percebe que o pneu tá furado quando já tá quase na universidade. E imagine ainda que você não sabe nem onde fica o estepe do seu carro, e nem tá a fim de descobrir.
Agora imagine que depois de resolver o problema do pneu e de assistir aula, você chega em casa às 12:30h, e seu filho chega em casa às 13h e informa que tem que fazer um trabalho na casa do amigo às 14h. Isso não seria problema se você não tivesse que estar dando aula às 14h. E claro que a casa do amigo fica na Macaúba enquanto a UFPI fica na Ininga. E claro que você vai deixar o moleque na casa do amigo - pra que é que as mãetoristas existem mesmo? E já atrasada pra aula de 14h recebe uma ligação lembrando sobre a assembléia departamental que você nem sabia que aconteceria. Mais alguns percalços até chegar a noite, finalização de disciplinas, documentos que somem e ninguém acha.
Pois é. Essa deveria ter sido uma segunda-feira cachorra. Mas qualquer dia da semana que termina com um filme maravilhoso, pizza nem tão gostosa e companhia mais que deliciosa, não podia ser nada menos que excelente. Boa semana pra gente.