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sexta-feira, 30 de julho de 2010

Diga 33


Eu não tenho medo de envelhecer. Nunca tive. Até hoje nunca sequer me passou pela cabeça mentir minha idade. Tenho muito orgulho de meus 32 anos, que amanhã serão 33. É por isso também que adoro aniversário - pra mim o ano começa no dia 31 de julho. Sabe as resoluções de ano novo que as pessoas gostam de fazer em 01 de janeiro? Faço todas no dia do meu aniversário. É quando gosto também de olhar pra trás e pensar sobre o aniversário anterior e sobre os 365 dias que passaram até chegar essa data de novo. É um exercício interessante e uma reflexão necessária pra mim. Hoje penso que foram 360 graus de mudança em 365 dias apenas.

No dia 31 de julho de 2009 eu estava triste, como na maioria dos dias daquele ano . Mas, mais que isso, eu me sentia perdida e impotente. Crise dos trinta atrasada? Talvez. Mas eu pensava que ainda tinha tanta coisa que eu queria fazer e viver e sonhar... Meio morta - era assim que eu tava. "Ah! Mas isso deve passar!", eu pensava. E passou agosto, passou setembro e só o que não passava era a certeza de que alguma coisa (quase tudo) tava errada.

No dia 31 de julho do ano passado eu fiz minha famosa listinha das coisas boas que tinham acontecido no ano anterior, e das coisas que eu queria mudar, conquistar, conseguir. A segunda lista era tão maior que eu tive vontade de rasgar tudo, me trancar no banheiro e chorar. E foi o que eu fiz.

No dia 01 de agosto eu acordei decidida a mudar a vida, mas nem sabia por onde começar. A vontade era explodir tudo e depois ver o que fazer com os pedaços que sobrassem. E, de um jeito ou de outro, foi mais ou menos isso que eu fiz, embora tenha me custado muito mais tempo e lágrimas do que o que eu inocentemente esperava.

Pensado nesses 365 dias, prefiro lembrar as coisas boas que me aconteceram - e olha que não foram poucas. Eu passei na seleção do mestrado. Fui ao Japão mais uma vez e encontrei um país completamente diferente do que eu tinha conhecido oito anos antes, e lá re-encontrei amigos que me fazem uma falta sem nome. Lá também eu senti borboletas no estômago mais uma vez. Quando o frio foi muito grande, voltei pro Brasil e re-encontrei amigos perdidos, trouxe pra mais perto todos os outros, e ainda ganhei uns novos que me fazem muito, muito bem. Comecei o mestrado, achando tudo um pouco esquisito, sabendo nada de antropologia, mas com vontade de aprender e aprender e aprender. Acabei descobrindo que estava no lugar certo. Lá conheci pessoas maravilhosas, que hoje faço questão de que façam parte da minha vida, e que eu adoro saber que vou encontrar todo dia de manhã.

Esse ano também eu botei em prática, junto com Danda, o projeto do livro, que há tempos estava parado por pura inércia nossa. O processo de produzir esse filho, com a ajuda da Josélia, foi ao mesmo tempo estressante, intenso e fantástico. Vê-lo pronto foi uma emoção que eu nem sei bem como explicar.

Algumas coisas que me incomodavam continuam aqui: eu ainda sou ansiosa, eu ainda me angustio, eu ainda olho em volta às vezes e penso que não sou suficiente. Mas eu sei também que isso, uma hora ou outra, vai passar. E pelo menos tô aprendendo a não ter pressa e a respeitar o ritmo do tempo - às vezes louco, às vezes lento - e a não tentar modulá-lo à minha vontade.

E o melhor de tudo, eu re-aprendi a sonhar, a pensar que as coisas ficam sempre melhores e que eu sempre consigo dar meus pulos, e colocar tudo no lugar. Hoje eu já me pego sonhando - com a conclusão do mestrado, com o curso de francês, com a viagem de mochila pela Europa, com o próximo livro, com um doutorado em Salamanca, com a casa nova, com um documentário, com a paz na inquietude.

Aprendi também - e acho que esse foi o aprendizado mais difícil, mas também o mais libertador - a pedir colo, a me mostrar frágil, a aceitar os muitos ombros amigos que sempre estiveram à minha disposição. E entendi que nada disso é fraqueza e que eu não tenho mesmo nada a provar.

No final das contas, coisa boa é aniversário, pra pensar que, do ano anterior pra cá, eu sinto muito mais que antes, e meus olhos vêem mais e melhor, e buscam muito mais longe do que quando eu olhava apenas pra baixo e pra trás.

quinta-feira, 29 de julho de 2010

O bom filho...

Vontade de me sentir em casa. A paixão por línguas. Paixão maior ainda pela língua inglesa. Necessidade de praticá-la. Vontade de aprender Francês. Dinheiro, que, ganho pela gente, nunca é demais. Conforto de amigos antigos. Desconto na mensalidade das crianças. O tesão pela sala de aula. As reuniões e encontros pedagógicos que às vezes valem mais que uma sessão de Monty Python. A festa de natal. A sensação de acolhimento toda vez que passo pela porta larga.

Essas são algumas das razões pelas quais tô voltando pra Wizard. Pra quem não entendeu, pra quem criticou e pra quem me perguntou onde eu vou arranjar tempo, eu respondo que o que importa é que eu tô voltando pra casa, outra vez. (E eu continuo odiando o Lulu Santos)

quarta-feira, 28 de julho de 2010

Utilidade Pública

Atenção, poetinhas e poetões! A Med Plan está com inscrições abertas para o Concurso Cultural de Poesia "Te amo, Teresina". Entra lá no site, que tem o regulamento, forma de inscrição e etc. E tem também uma entrevista com o maravilhoso salve, salve André Gonçalves.
E eu até queria escrever poesia, principalmente sobre essa cidade que eu amo e onde me sinto tão acolhida, mas eu sou mesmo é prosa.

terça-feira, 27 de julho de 2010

02 Neurônio

Sem tempo, sem internet, e a caminho de ficar sem teto também. É assim que eu ando, sem contar com uma irresistível vibe nômade que tem me assolado. Por tudo isso ando sumida daqui e dos blogs que sempre leio. Mas não resisti ao entrar hoje no 02 Neurônio e ler um post um pouco antigo da Nina Lemos. Adooooro o humor da criatura. Ó o post aí:

"E você caiu no papo dele?" Ou a sabedoria infinita dos amigos homens

Depois de muita paquera e alguns encontros, Um cara falou um monte de coisas, fez juras de amor e planos, Em seguida, ele agiu de um modo completamente esquisito. E deu tudo errado. Ponto.

Bem, caso clássico, não? Mas ficamos, eu, minhas amigas, nossos conhecimentos de psicanálise selvagem e nossa imaginação fértil. Construímos uma tese de mestrado para o comportamento do rapaz que incluía coisas como:



1- Ele percebe que você no fundo tem desprezo pelo meio de trabalho dele. Ele não suporta a sua crítica em relação a uma coisa que ele acha o máximo. (tese da jô)

2- Ele é auto-centrado, só consegue pensar em si mesmo. “Que mal contemporâneo”, comentou o Vitor a respeito do diagnóstico.

3- Essa coisa de fazer muita declaração e achar que você é tudo dá nisso. Cuidado que uma hora ele vai estar te odiando. Amor e ódio andam juntos, você sabe (Luana)

4- É tudo falta de amor de mãe, esses caras não foram amados suficientemente pelas mães (Bia, que usa essa teoria para todos os homens e mulheres).

5- Ele não tem coragem de bancar o desejo dele. E quem não banca os próprios desejos não serve (teoria minha, aplicada a todos os homens e mulheres).



As teorias não foram só essas. Temos outras. Um verdadeiro tratado psicológico sobre o sujeito e o mal estar da sociedade contemporânea, que inclui o abuso das redes sociais, o mal causado pela indústria da moda para quem leva isso a sério, toda a teoria do desejo do Freud e por aí vai.



Até que eu contei a história em versão remix para um amigo homem. Ele me olhou rindo e disse:



_ _Ihhh. E você caiu no papo dele?



Simples assim. E ele resolveu o enigma. Obrigado, amigos homens, pela sabedoria. Obrigada, amigas mulheres, pela nossa capacidade infinita de invenção, que preenche o nosso tempo e nos dá temas para crônicas.

Repetindo: adooooro a Nina Lemos!

terça-feira, 20 de julho de 2010

"Não precisa nem dizer tudo isso que lhe digo..."

É que hoje é dia do amigo. E eu ia linkar aqui alguns posts passados que falam de amizade, mas eram tantos que eu desisti. É que amizade é uma coisa que nunca me faltou: tenhos muitos e bons amigos. E fico toda derretida quando falo deles.
Olha que lindo o Rei e o Tremendão cantando juntos a amizade. Feliz dia do amigo pra todos os meus amigos de fé, irmãos camaradas - os que estão perto, os que estão longe e principalmente os que sempre dão um jeitinho de se fazer presentes. Amor é isso, viu?

segunda-feira, 19 de julho de 2010

Sinal?

Eu não acredito em duendes, fadas, gnomos,e coisas afins. E eu acredito em coincidências. O que eu quero dizer é que eu acho que algumas coisas - a maioria delas - são mera coincidência, e pronto. Tem gente que vê em tudo um sinal pra qualquer coisa. Tá em dúvida sobre aceitar ou não uma proposta, daí a Gal canta Folhetim ("se acaso me quiseres, sou dessas mulheres que só dizem sim") no rádio e - pimba! - era o sinal que tava precisando pra culpar o acaso pela decisão que queria tomar. E ainda argumenta: "Claro que foi um sinal! Onde já se viu tocar Gal Costa na FM Cultura? E ainda mais uma música tããão desconhecida?" Então tá. Vai lá e acredita no que quiser. Euzinha não tenho paciência pro pensamento mágico.
Mas hoje - olha só - aconteceu um negócio engraçado. Há semanas penso em cortar meu cabelo joãozinho de novo. Mentira: eu sempre penso em voltar a usar o cabelo assim, mas nas últimas semanas tenho ficado cada vez mais impaciente com esse cabelón que ando ostentando há uns bons três anos. Não posso nem ver a Sandra Anhemberg na bancada do Jornal Hoje que me dá vontade de pegar a primeira tesoura e fazer o serviço sozinha. Daí hoje eu recebi um vídeo via facebook. É uma parte de um documentário sobre o bar Beirute, que eu adoro, em Brasília, cidade que eu amo. E o vídeo foi enviado pra mim porque lá no fundinho, por uns 5 segundos (lá pelos 8:58m de vídeo), Maklóvia encontrou eu e cumpadi Zé numa mesa papeando. E meu cabelo? Curtésimo! Me senti tão livre só de ver como era fácil usar aquele cabelitcho! Como diria Cafa, AIN! Eu devia ver isso como um sinal, né? Por que eu não acredito em pensamento mágico?

sábado, 17 de julho de 2010

Império dos Sentidos

Pro tato, penugem das costas do bebê; barba por fazer; xenhenhém ou qualquer lençol velho e macio; calcinha de algodão; tacho de feijão no Mercado Velho; cafuné; preparar massa pra taco; pés descalços na terra ou piso frio; areia de praia; costelar com filho; lavar o macarrão escorrido; vento de praia no cabelo; botar agasalho quando faz frio.


Pro paladar, chocolate meio amargo; pato no tucupi; cerveja estupidamente gelada; jaca; manga verde com sal; bombom de cupuaçu; siriguela e goiaba; lasanha de beringela; vinho tinto e seco.


Pro olfato, cabeça de recém-nascido; tucupi na panela; alho frito; bafinho de filho ao acordar; lençol passado com alfazema; livro novo; patchuli; terra molhada.


Pra visão, o primeiro olhar pro filho; chuva caindo com raio; o pôr-do-sol de Teresina no B-R-O bró; o céu de Brasília o ano inteiro; o mar do Coqueiro; filhos dormindo abraçados; filho acordando manhoso, coçando o olho com remela.


Pra audição, "mããããee", dito pela gente ou pelos filhos; Piazolla pra parir um livro; samba pra desopilar; Chico pra sentir toda hora; Beatles pra dirigir cantando; blues e jazz pra arrumar o guarda-roupa; sussuro ao pé do ouvido; Palavra Cantada pra cantar com os meninos; rock dos anos 80 pra nunca esquecer; Cazuza e Barão pra tudo; "filhota", dito pelo meu pai; onda quebrando na praia; Tarkan pra rememorar; vento no bambuzal; Jorge Benjor pra dançar e suar.