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segunda-feira, 19 de julho de 2010

Sinal?

Eu não acredito em duendes, fadas, gnomos,e coisas afins. E eu acredito em coincidências. O que eu quero dizer é que eu acho que algumas coisas - a maioria delas - são mera coincidência, e pronto. Tem gente que vê em tudo um sinal pra qualquer coisa. Tá em dúvida sobre aceitar ou não uma proposta, daí a Gal canta Folhetim ("se acaso me quiseres, sou dessas mulheres que só dizem sim") no rádio e - pimba! - era o sinal que tava precisando pra culpar o acaso pela decisão que queria tomar. E ainda argumenta: "Claro que foi um sinal! Onde já se viu tocar Gal Costa na FM Cultura? E ainda mais uma música tããão desconhecida?" Então tá. Vai lá e acredita no que quiser. Euzinha não tenho paciência pro pensamento mágico.
Mas hoje - olha só - aconteceu um negócio engraçado. Há semanas penso em cortar meu cabelo joãozinho de novo. Mentira: eu sempre penso em voltar a usar o cabelo assim, mas nas últimas semanas tenho ficado cada vez mais impaciente com esse cabelón que ando ostentando há uns bons três anos. Não posso nem ver a Sandra Anhemberg na bancada do Jornal Hoje que me dá vontade de pegar a primeira tesoura e fazer o serviço sozinha. Daí hoje eu recebi um vídeo via facebook. É uma parte de um documentário sobre o bar Beirute, que eu adoro, em Brasília, cidade que eu amo. E o vídeo foi enviado pra mim porque lá no fundinho, por uns 5 segundos (lá pelos 8:58m de vídeo), Maklóvia encontrou eu e cumpadi Zé numa mesa papeando. E meu cabelo? Curtésimo! Me senti tão livre só de ver como era fácil usar aquele cabelitcho! Como diria Cafa, AIN! Eu devia ver isso como um sinal, né? Por que eu não acredito em pensamento mágico?

sábado, 17 de julho de 2010

Império dos Sentidos

Pro tato, penugem das costas do bebê; barba por fazer; xenhenhém ou qualquer lençol velho e macio; calcinha de algodão; tacho de feijão no Mercado Velho; cafuné; preparar massa pra taco; pés descalços na terra ou piso frio; areia de praia; costelar com filho; lavar o macarrão escorrido; vento de praia no cabelo; botar agasalho quando faz frio.


Pro paladar, chocolate meio amargo; pato no tucupi; cerveja estupidamente gelada; jaca; manga verde com sal; bombom de cupuaçu; siriguela e goiaba; lasanha de beringela; vinho tinto e seco.


Pro olfato, cabeça de recém-nascido; tucupi na panela; alho frito; bafinho de filho ao acordar; lençol passado com alfazema; livro novo; patchuli; terra molhada.


Pra visão, o primeiro olhar pro filho; chuva caindo com raio; o pôr-do-sol de Teresina no B-R-O bró; o céu de Brasília o ano inteiro; o mar do Coqueiro; filhos dormindo abraçados; filho acordando manhoso, coçando o olho com remela.


Pra audição, "mããããee", dito pela gente ou pelos filhos; Piazolla pra parir um livro; samba pra desopilar; Chico pra sentir toda hora; Beatles pra dirigir cantando; blues e jazz pra arrumar o guarda-roupa; sussuro ao pé do ouvido; Palavra Cantada pra cantar com os meninos; rock dos anos 80 pra nunca esquecer; Cazuza e Barão pra tudo; "filhota", dito pelo meu pai; onda quebrando na praia; Tarkan pra rememorar; vento no bambuzal; Jorge Benjor pra dançar e suar.

sexta-feira, 16 de julho de 2010

Carinho em pílulas

Tu-tu Tu-tu. O som de mensagem do meu celular é mais ou menos assim. E eu adoro. Enquanto eu lia sobre os Arapesh e encontrava absurdas semelhanças com um E.T. que conheço, chega uma mensagem carregada do friozão de Curitiba:
"Prima, você PRECISA de um celular TIM. Sabe pra quê? Pra eu ligar pra vc!"
Tem alguém que aguente viver sem família?
P.S. desaforado: criatura chata que me criticou porque meus posts são longos, taí um curtinho pra você. E, não, eu não tenho problema com críticas. Humpf!

Pequeno blogueiro

Meus meninos me requisitam o tempo inteiro quando tô em casa. Coisa de filho que sabe que a presença da mãe é coisa rara. Hoje eu já tinha jogado bola e brincado de esconde-esconde, enquanto tentava nos intervalos fazer um trabalho no computador. De língua de fora, implorei por uma brincadeira mais leve. (O Play Station quebrou essa semana, bem no meio das férias.) "Por que vocês não jogam alguma coisa no computador?"
Meia hora de jogo, e eu tentando voltar a me concentrar no trabalho. Zé Luiz me vem com essa:
- Mãe, quero ter um blog.
(Visualize minha expressão de surpresa)
- Mas por que tu quer um blog?
- Pra escrever as coisas que eu fico pensando, ora.
(Visualize minha expressão de contentamento)
OK, fui lá ajudá-lo a fazer o blog. Depois de criado e definido template, Zé me pediu que eu saísse do escritório. "Quero pensar sozinho" (Esse não foi trocado na marternidade, não)
Suas mãos gordinhas de seis anos passaram a tarde pra escrever o primeiro post. Ofereci ajuda só pra revisar e ele aceitou (mas ainda deixei umas coisinhas que achei tão típicas da idade que não fazia sentido mudar).
E tô aqui cheia de orgulho, lendo e relendo o post do meu pequeno blogueiro, e torcendo pra que esse verme de escrever o que tá pensando se instale nele como a necessidade de respirar, como acontece comigo.
Vai lá ver que lindo é o pensamento escrito do meu .

quinta-feira, 15 de julho de 2010

E precisava?

Hoje é o dia do homem. Não é piada, não, gente. Alguém inventou o dia do homem. Que utilidade esse dia tem, não sei. Mas achei engraçado demais. E fiquei me perguntando o que diabo significa ser homem. Eu que tenho três em casa, me pergunto todo dia o que é isso que os diferencia do ser mulher. E continuo sem saber.
Eu sei que tenho que me livrar de meus pré-conceitos e posições pré-concebidas. Mas não tem como eu não sentir/pensar/perceber que homem é uma mulher que não deu certo. Tipo assim: mulher vê em 3D; homem vê em duas, e às vezes só mesmo em uma dimensão. Homem é coisinha sem profundidade. Homem é de cores básicas: azul, amarelo, vermelho. Mulher tem tons, matizes e nuances. Pensando numa escala evolutiva, é como se homem estivesse alguns estágios atrás da mulher, do gato e do orangotango. Mulher consegue sentir como o outro, se colocar no lugar do outro. Homem não entende nem o próprio lugar, e nem se esforça pra entender. Sofrem de etnocentrismo relacional - não entendem o outro porque vêem o mundo pela própria ótica limitada.
Eu sei, e a Monstro vai dizer, que precisamos parar com essa generalizações. E é verdade. Nem todo mundo vai se encaixar nessas definições. Mas que de uma maneira geral, as pessoas são assim, são.
E agora eu pensei que quando fiz meu mapa astral, o astrólogo bam-bam-bam dizia que o planeta tal em não-sei-que-casa era o que me fazia ter uma energia tão masculina (fiquei ofendidíssima). E que há alguns meses o trânsito de outro planeta por outro lugar estava mudando o sentido da minha vida, que agora seria buscar o feminino em mim. Não sei se é minha busca pessoal, ou o que os planetas têm a ver com isso, mas é bem verdade que minha busca acadêmica é exatamente o que diabo significa ser mulher. E minha produção jornalística também tenta trazer a visão feminina do mundo. E meu livro com a Danda trata exatamente das nossas questões. Ai, meu Deus, será esse excesso de mulherzice que tem me deixado assim tão mulherzinha nos últimos meses?
E pra vocês, rapazinhos que hoje comemoram seu dia, aprendam com Gil, viu?

Salve Alexander

Sabe quando toca o telefone de um número com prefixo 81 e você já tem cer-te-za que é operadora de celular oferecendo o melhor plano/preço/aparelho/caralho-de-asa pra que você migre pra aquela operadora e deixe a sua? Pois é. Ontem quando meu celular tocou eu achei que era isso. E atendi meio enfadada. Susto quando me chamaram de Cacá. Mais susto ainda quando descobri que do outro lado quem falava era Aruela, minha amiga com quem eu não falava havia uns sete ou oito anos.
(Um minuto de silêncio em memória de Graham Bell, o inventor dessa máquina maravilhosa de unir pessoas)
Tanto tempo sem se ver/se falar e engatamos numa conversa que parecia que ainda no dia anterior estávamos juntas, sentadas na grama da 316 Norte, conversando besteira e tomando cerveja. Tanta coisa aconteceu nas nossas vidas durante esses anos, mas em um segundo parecia que a gente já tinha apertado o F5 e a vida tinha sido toda atualizada. Clichê como seja, tão bom reconhecer na Manu a mesma amiga de sempre. Melhor ainda combinar um encontro de todo mundo em agosto e convencê-la a viajar comigo em setembro, e ouvi-la reclamar de algo com seu jeito lixa, que bate o meu de longe.
Salve, salve, Alexander Graham Bell. E por que mesmo ele ainda não foi canonizado?

terça-feira, 13 de julho de 2010

Dia Internacional do...

Rock!, você pensou. Engano. Pra mim hoje é o Dia Internacional do Mu, meu amigo xuxu. Porque hoje ele faz aniversário, qualquer menção ao rock parece pequena pra mim. Porque ele é muito mais MPB e Chico, mas foi ele quem me apresentou e fez com que eu me apaixonasse pelos Los Hermanos.

E porque o Mu é um dos amigos que entraram mais tarde na minha vida, mas acho que nós nos reconhecemos como amigos de infância. A Eulália, na época nossa chefe na TV, dizia que foi amor à primeira vista. E foi mesmo identificação imediata. O Mu me lembrava (e ainda lembra) uma pessoinha que dança de tamanco turco no meu coração. Cara de um, focinho do outro. Daí comecou nossa amizade. E todo dia a gente descia pra fumar um cigarro na masmorra, no subsolo da TV. E as conversinhas bestas regadas a nicotina e cafeína acabaram virando conversas de coração aberto.

E um dia me vi perdida, tendo que resolver mil coisas pra correr pra São Paulo com Antonio doente. E Mu se colocou à minha disposição pra resolver tudo o que eu precisasse. E resolveu. Do documento do trabalho, à conta que tinha que ser paga. E quando já tava com tudo arrumado pra embarcar, me toquei que não tinha como levar aqueles exames enormes, cheio de imagens horrorosas. Caí no choro (porque eu choro por besteira pra não chorar pelo que é mais importante). E Mu me apareceu com uma big pasta onde deu pra eu guardar e carregar tudinho. E também com uma pulseira de Nossa Senhora que eu uso até hoje.

Mas Mu não é só amigo das horas difíceis, não. Ele é uma das melhores companhias do mundo pra farra. Acabo de voltar do Orelha, da comemoração do aniversário dele. E em dois tempos ele mudou o rumo das minhas férias e dos meninos. É que tudo com ele é divertido. E eu topo o que ele disser. E topei na hora as mudanças que ele propôs. É que ele tem uma qualidade pra qual eu não tenho defesas: ama meus filhos de olhos fechados. "Quem trata bem meus filhos adoça minha boca", já diziam os mais velhos. E quem faz tudo no mundo pra agradá-los faz carinho na minha alma.
Então , Mu, já que o rock tem a sorte de ser comemorado nesse dia que é seu, fica aí com uma das melhores músicas da melhor banda brasileira de rock. Amo tu, Xuxu. Se tu não existisse eu tinha que mandar fazer um de barro!