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sexta-feira, 7 de maio de 2010

Bom sinal

Taí, a chuva veio. E se mais tarde o sol abrir de novo, nem me importa mais, porque São Pedro me deu o bom dia mais lindo com úm céu fechado e o tempo úmido. Tem jeito melhor de começar o dia?

quinta-feira, 6 de maio de 2010

Qual o contrário de olho-de-boi?

Sede de chuva. Hoje eu acordei com uma sede absurda de chuva. Depois de um sonho esquisitíssimo e longo, depois de uma misteriosamente bem dormida noite, acordei querendo uma chuva beeem forte. Acho que no sonho Jorge Benjor tocava sem parar - vai ver ele tocava que "lá fora está chovendo mas assim mesmo eu vou correndo" ou algo do gênero. (Jorge Benjor tem muitas músicas de chuva, não?)
E parece até que tinha chovido a noite e vai ver por isso mesmo chovia no meu sonho esquisito (que nem era um sonho bom). Talvez o cheiro de chuva tenha invadido meu quarto e por isso eu quisesse tanto encontrar o céu caindo quando saísse da garagem.
São Pedro até tentou: o céu tava meio nublado. Mas não demorou muito abriu aquele solzão. E o dia passando e eu querendo chuva e trovão, daqueles que quebram lá de cima do céu, daqueles que só mesmo na Chapada do Corisco acontecem.
E à tarde eu tentava ajudar umas mãozinhas inexperientes a escrever e pensava que agora a chuva ia cair, mas nada. E lia o que Balandier tem pra dizer sobre a modernidade e pensava que podia cair uma chuva em cima do livro e eu não ter mais que entender nada disso.
E saí de novo de casa, sem chuva, pra assinar uns benditos papéis. Nessa hora eu juro que ouvi um trovão, mas devia mesmo ser fogos de artifício.
Depois de quase um mês sem pisar na análise, fazendo birra com a analista, resolvi reaparecer. Nessa hora - juro! - ia mesmo chover. Estacionei a duas quadras e fiz questão de deixar o guarda-chuva no carro. Vento forte. Céu fechado. Agora vou tomar um banho de chuva!
Que nada! Subi, deitei, falei, calei, desci. E a chuva, de novo, nada! Tudo o que encontrei foi um engarrafamento na Frei Serafim, seguido da impossibilidade de estacionar no Riverside (ainda sem presente pra mamãe, portanto!).
E agora a noite, eu e Balandier de mãos dadas, mas com afinidade zero. E o céu estrelado, rindo da minha cara. E pra que diabo adianta eu entender a modernidade se eu não consigo uma mísera gota de água do céu!

quarta-feira, 5 de maio de 2010

Melhorou! Melhorou! Melhorou!


Num disse que basta pouquinho pra melhorar meu humor de cão? Acordei com o pé esquerdo mas vou dormir com o direito hoje. Cheguei em casa e meu livrinho finalmente tinha chegado. E olha que eu tava esperando só pro dia 19! Gostei, gostei! Agora só falta eu arranjar tempo pra ler...

HUMPF!

"Muitos, muitos dinheiros" - tava lá escrito no orçamento que a gráfica me mandou hoje à tarde. Eu já quase não consigo abrir o e-mail de tanta ansiedade, e a piiiiiiiiiiiiiii da internet da faculdade sente meu desespero e demora ainda mais a carregar o tal do orçamento. Quando finalmente consegui ler, entendi o porque da demora: era tanto dinheiro que essa gráfica quer pra fazer o livrinho que até a internet ficou pesada.
Puta-que-pariu-caralho! Semanas planejando um lay-out feminino-sem-ser-cor-de-rosinha, fofo-sem-ser-infantil, versátil-sem-ser-joga-aí-em-qualquer-lugar, e aí vem a Halley e joga umas piscina olímpica de água fria nas nossas cabeças!
O pior é que eu ja tinha me apegado à idéia tão lindamente parida por mim, Danda e Grosélia. Porque o livro não ia ser assim, digamos, um livro, mas um objeto que era também um livro. E que poderia ser dividido e presenteado aos pedaços - pedacinhos de textos nossos, com ilutrações lindas da Gabriella Navarro, com a arte impecável da Grosélia, que podiam ser dados pro amigo, pra irmã, pra mãe ou pro brucutu ao lado.
"Desapegue-se, desapegue-se", repito como um mantra. Grosélia jurou que vai pensar em outra coisa, Elizângela tá tão desolada quanto eu. E eu mesma só consigo pensar que eu queria o livro daquele jeitinho, sem tirar nem pôr. Nenhuma idéia vai ser melhor que aquela. E agora vamos ter que nos contentar com o possível. E eu odeio o possível, o viável, o exequível.
Acho que hoje acordei com os dois pés esquerdos.

terça-feira, 4 de maio de 2010

Threesome and more



Às vezes basta umas coisinhas de nada pra me fazer feliz: uma aula deliciosa sobre blogs e comunidades virtuais, alunos participando, conversinha no corredor com Cris Portela, e o som de mensagem do celular tocando repetidas vezes com alguma variante da mesma mensagem: "Samba no coreto! É hoje. Bora?" E daí eu já nem me importo que o meu salto não me deixe sambar, e que de repente eu olhe em volta e todos nós - todos cinco - estejamos tomando coca-cola. Essa, sim, foi uma cena pra ficar pra história.


E mais memorável ainda foi chegar no Hashi e recusar o Campari matador do Pereira e encher a cara de cajuína enquanto brinco com o sonomono que não quer descer goela abaixo, enquanto penso com meus botõezinhos sobre a vida, e rio da eterna mania que vocês tem de zombar da minha estupidez e grosseria e do meu analfabetismo social. (Mas Dona Lunga é um pouco demais, tá?)


E, caso vocês não lembrem, bem ali tem um diploma que diz que eu sou comunicadora social, e isso deveria querer dizer que eu sei me comunicar. Ou não? Sei lá. Isso foi há tanto tempo que eu acho que de lá pra cá os protocolos mudaram e eu desaprendi a ler e escrever, a ouvir e falar.


Mas afinal, mesmo em Milton style, todos sóbrios e de cara, com vocês até lavar o carro vira programão pro sábado. E rir da vida e da gente é tão fácil!


(E pelo menos em uma coisa vocês tem razão: com o passar dos anos tô virando uma menininha sentimental mesmo.)




segunda-feira, 3 de maio de 2010

Tudo truncado

"EU SABIA! EU SABIA! AGORA VOU SER UM CAFAJESTE!" Era esse o texto da mensagem que recebi no celular hoje à tarde. Não conhecia o número e fiquei me perguntando se aquela mensagem não tinha errado de endereço. Daqui a pouco toca meu telefone - ligação do mesmo número. Era um amigo que há tempos não vejo, dizendo que tinha lido a coluna M³ do domingo e que tinha entendido que bom mesmo era ser cachorro com as mulheres. (Na verdade, ele só queria justificar o que sempre foi e usou minhas palavras e da Danda como argumento.) Claro que dei uma boa gargalhada da desfaçatez da figura. E lembrei que na sexta outro amigo dizia algo parecido.
Em volta da mesa na irmandade Orelha, meu amigo cabeludo dizia que a partir de agora ia usar uma máscara de cafajeste, pra assim atrair mais mulheres e se tornar o projeto de vida de uma. Quando ele tirasse a máscara de vadio e passasse a ser o que sempre foi - um fofo - ela acharia que tinha conseguido mudá-lo e passaria a amá-lo muito. Um plano torto desses só podia vir daquela mente criminosa alimentada diariamente com suco de caixinha. Mas tenho que falar que nesse dia ele tomava Coca-cola, algo muito, muito forte pra ele. E deve ter sido por isso que bolou um plano tão desengonçado. Pensando agora na figura, fico imaginando como ele poderia enganar alguém, com aquele olhar angelical e aquele jeito manso, com a fala compassada e a voz que nunca vi levantar.
Mas o que ficou claro mesmo é que não, os homens não entendem nada do que a gente diz. E pouco importa se vem impresso num jornal e eles podem ler e reler. De tão óbvia que estava a coluna desse domingo, ainda assim dois espécimes insistiram em entendê-la errado. E eu fico cada vez mais inclinada a aderir a tese daquele amigo - a da incomunicabilidade dos sexos.

domingo, 2 de maio de 2010

Para a primovisky

Ela, de quem eu tanto gosto, me disse estar tão triste nesse domingo. "Normal, domingo é pra isso mesmo", pensei - mas não disse. Ela que tem uma alegria explosiva tão parecida com a minha e que agora se acha na obrigação de estar sempre sorrindo, sempre bombando, sempre a mil. Ela, que eu bem sei que não está triste por ser domingo, mas que deixou acumular pra esse dia inútil e modorrento a tristeza não sentida de vários dias, e que agora re-aparece com juros.
O que eu quis te dizer, querida, é que a alegria não pode ser um dever, mesmo que sua busca o seja. Lembre-se: somos feitas da mesma matéria, a matéria das mulheres Mesquita. Fomos forjadas em concreto armado e sonhos, misturados a purpurina e música. E lá no meio dessa mistura, em alguns pontinhos pequenos, temos nossas zonas sombrias.
Eu sempre gostei de flertar com essas sombras, e sempre voltei melhor a cada vez. Por que você não experimenta se deitar encolhida num cantinho escuro da alma e chorar? As lágrimas deixam a pele mais bonita e nossos olhos passam a enxergar melhor depois que a gente se permite chorar.
Faz assim: deita numa rede macia, que é o lugar propício pra se chorar dor-de-cotovelo, bota a Canção da Tristeza da Dolores Duran pra tocar, e pensa em todas essas coisas que você vem evitando pensar, afrouxa tudo o que aperta pra vazar. E cutuca a ferida mais uma vez e mais outra e mais quantas forem necessárias até ela sangrar. E ouve tambem Luz Negra cantada pelo Cazuza: impossível se sentir mais miserável e infeliz.
Depois você levanta, toma um banho, vai trabalhar, vai pra rua, vai dançar, vai beijar na boca, sei lá! Sai como o Menino Maluquinho de dentro do quarto, em cima de um foguete. Mas vai leve, sem aquele peso que as pessoas que se negam a sofrer tem, sem aquele olhar rancoroso das pessoas que não sabem o valor de um lágrima.
Amanhã a gente bomba pelo mundo, querida. Hoje, permita-se sofrer. E divirta-se com o seu pranto.