Páginas

domingo, 9 de maio de 2010

There must be an angel

Pra fechar o domingão, "There must be an angel", cantada por Fernanda Takai. E se o Pato Fu já deu o que tinha que dar, a moiçola aí tá arrasando solo. E vai arrasar no Festival de Inverno de Pedro II. (E eu dava dois dedinhos meus pra cantar assim, com essa voz miudinha e linda de quem não sabe bem se deveria mesmo estar cantando.)

sábado, 8 de maio de 2010

Dia dos Filhotes

No dia das mães, e em todos os dias, o que eu queria mesmo era ser suficiente pra vocês, meus três luizes, que me pariram mãe. Eu queria não ser tão impaciente, não estar sempre tão cansada, não ser tão controladora, não me exasperar por tão pouco, não ser tão superprotetora. Mas eu não sou uma pessoa muita afeita a limites. E, como vocês, estou ainda aprendendo.
Eu lembro bem do momento em que vi cada um de vocês pela primeira vez, do cheirinho de sangue e pele fresca, do choro desconsolado que só cessou quando eu dei o peito. Lembro de me sentir tão grande e poderosa, de sentir que estava compartilhando com Deus o poder da criação. Mas também lembro da sensação de ser só mais um animal com sua cria, de me sentir como um bicho - e de gostar disso. E desse momento em diante, da hora me que cada um de vocês deixou de ser um apêndice de mim e passou a ser vida em meus braços, eu nunca mais soube o que era amar em tranquilidade e paz. Porque junto com cada um de vocês nasceu em mim medo e culpa, como gêmeos de vocês.
O medo de morrer deixando vocês, o medo de que vocês adoeçam, o medo de não saber resolver, de não ter as respostas. E a culpa por me saber imperfeita. Porque quando vocês botam esses olhinhos puxados em cima de mim, sei que esperam que daqui saia sabedoria, que eu consiga trazer respostas, que eu tenha o caminho das pedras. E eu às vezes não tenho respostas nem pra mim. Pra falar a verdade, ultimamente não tenho tido respostas pra nada. E vocês merecem tão mais do que isso...
É por isso, e só por isso, filhotes, que eu me exaspero: pela consciência de ser tão pouco quando vocês merecem tão mais. É verdade que de vez em quando eu acredito que estou acertando: de manhã cedo, quando recebo o "bom dia, mamãe lindinha" do Antonio, quando o Zé segura a minha mão com medo de cachorro (de que eu também tenho medo mas não deixo que ele saiba), quando o Pedro finalmente me conta da menina que ele tá paquerando e me permite dar conselhos (mesmo que no fundo eu só pense que é muito, muito cedo e que se essa menina magoá-lo eu juro que vou matá-la!).
Eu sei que sigo errando, filhotes. Mas sempre tentando acertar. E me apego a esses momentos pra acreditar que posso ser sempre melhor pra vocês. Porque vocês são meus luizes. E vocês merecem o melhor sempre.

sexta-feira, 7 de maio de 2010

Bom sinal

Taí, a chuva veio. E se mais tarde o sol abrir de novo, nem me importa mais, porque São Pedro me deu o bom dia mais lindo com úm céu fechado e o tempo úmido. Tem jeito melhor de começar o dia?

quinta-feira, 6 de maio de 2010

Qual o contrário de olho-de-boi?

Sede de chuva. Hoje eu acordei com uma sede absurda de chuva. Depois de um sonho esquisitíssimo e longo, depois de uma misteriosamente bem dormida noite, acordei querendo uma chuva beeem forte. Acho que no sonho Jorge Benjor tocava sem parar - vai ver ele tocava que "lá fora está chovendo mas assim mesmo eu vou correndo" ou algo do gênero. (Jorge Benjor tem muitas músicas de chuva, não?)
E parece até que tinha chovido a noite e vai ver por isso mesmo chovia no meu sonho esquisito (que nem era um sonho bom). Talvez o cheiro de chuva tenha invadido meu quarto e por isso eu quisesse tanto encontrar o céu caindo quando saísse da garagem.
São Pedro até tentou: o céu tava meio nublado. Mas não demorou muito abriu aquele solzão. E o dia passando e eu querendo chuva e trovão, daqueles que quebram lá de cima do céu, daqueles que só mesmo na Chapada do Corisco acontecem.
E à tarde eu tentava ajudar umas mãozinhas inexperientes a escrever e pensava que agora a chuva ia cair, mas nada. E lia o que Balandier tem pra dizer sobre a modernidade e pensava que podia cair uma chuva em cima do livro e eu não ter mais que entender nada disso.
E saí de novo de casa, sem chuva, pra assinar uns benditos papéis. Nessa hora eu juro que ouvi um trovão, mas devia mesmo ser fogos de artifício.
Depois de quase um mês sem pisar na análise, fazendo birra com a analista, resolvi reaparecer. Nessa hora - juro! - ia mesmo chover. Estacionei a duas quadras e fiz questão de deixar o guarda-chuva no carro. Vento forte. Céu fechado. Agora vou tomar um banho de chuva!
Que nada! Subi, deitei, falei, calei, desci. E a chuva, de novo, nada! Tudo o que encontrei foi um engarrafamento na Frei Serafim, seguido da impossibilidade de estacionar no Riverside (ainda sem presente pra mamãe, portanto!).
E agora a noite, eu e Balandier de mãos dadas, mas com afinidade zero. E o céu estrelado, rindo da minha cara. E pra que diabo adianta eu entender a modernidade se eu não consigo uma mísera gota de água do céu!

quarta-feira, 5 de maio de 2010

Melhorou! Melhorou! Melhorou!


Num disse que basta pouquinho pra melhorar meu humor de cão? Acordei com o pé esquerdo mas vou dormir com o direito hoje. Cheguei em casa e meu livrinho finalmente tinha chegado. E olha que eu tava esperando só pro dia 19! Gostei, gostei! Agora só falta eu arranjar tempo pra ler...

HUMPF!

"Muitos, muitos dinheiros" - tava lá escrito no orçamento que a gráfica me mandou hoje à tarde. Eu já quase não consigo abrir o e-mail de tanta ansiedade, e a piiiiiiiiiiiiiii da internet da faculdade sente meu desespero e demora ainda mais a carregar o tal do orçamento. Quando finalmente consegui ler, entendi o porque da demora: era tanto dinheiro que essa gráfica quer pra fazer o livrinho que até a internet ficou pesada.
Puta-que-pariu-caralho! Semanas planejando um lay-out feminino-sem-ser-cor-de-rosinha, fofo-sem-ser-infantil, versátil-sem-ser-joga-aí-em-qualquer-lugar, e aí vem a Halley e joga umas piscina olímpica de água fria nas nossas cabeças!
O pior é que eu ja tinha me apegado à idéia tão lindamente parida por mim, Danda e Grosélia. Porque o livro não ia ser assim, digamos, um livro, mas um objeto que era também um livro. E que poderia ser dividido e presenteado aos pedaços - pedacinhos de textos nossos, com ilutrações lindas da Gabriella Navarro, com a arte impecável da Grosélia, que podiam ser dados pro amigo, pra irmã, pra mãe ou pro brucutu ao lado.
"Desapegue-se, desapegue-se", repito como um mantra. Grosélia jurou que vai pensar em outra coisa, Elizângela tá tão desolada quanto eu. E eu mesma só consigo pensar que eu queria o livro daquele jeitinho, sem tirar nem pôr. Nenhuma idéia vai ser melhor que aquela. E agora vamos ter que nos contentar com o possível. E eu odeio o possível, o viável, o exequível.
Acho que hoje acordei com os dois pés esquerdos.

terça-feira, 4 de maio de 2010

Threesome and more



Às vezes basta umas coisinhas de nada pra me fazer feliz: uma aula deliciosa sobre blogs e comunidades virtuais, alunos participando, conversinha no corredor com Cris Portela, e o som de mensagem do celular tocando repetidas vezes com alguma variante da mesma mensagem: "Samba no coreto! É hoje. Bora?" E daí eu já nem me importo que o meu salto não me deixe sambar, e que de repente eu olhe em volta e todos nós - todos cinco - estejamos tomando coca-cola. Essa, sim, foi uma cena pra ficar pra história.


E mais memorável ainda foi chegar no Hashi e recusar o Campari matador do Pereira e encher a cara de cajuína enquanto brinco com o sonomono que não quer descer goela abaixo, enquanto penso com meus botõezinhos sobre a vida, e rio da eterna mania que vocês tem de zombar da minha estupidez e grosseria e do meu analfabetismo social. (Mas Dona Lunga é um pouco demais, tá?)


E, caso vocês não lembrem, bem ali tem um diploma que diz que eu sou comunicadora social, e isso deveria querer dizer que eu sei me comunicar. Ou não? Sei lá. Isso foi há tanto tempo que eu acho que de lá pra cá os protocolos mudaram e eu desaprendi a ler e escrever, a ouvir e falar.


Mas afinal, mesmo em Milton style, todos sóbrios e de cara, com vocês até lavar o carro vira programão pro sábado. E rir da vida e da gente é tão fácil!


(E pelo menos em uma coisa vocês tem razão: com o passar dos anos tô virando uma menininha sentimental mesmo.)