Repositório de pequenos sonhos, epifanias e certezas transitórias. Espaço de despejo do excesso que pesa na alma. Lugar de ser pequena quando tudo fora é grande demais.
terça-feira, 18 de maio de 2010
Low battery
Tanta coisa pra dizer e minha energia acabou. 10 da noite e meu dia ainda tá longe de terminar: um texto pra re-ler e terminar de preparar apresentação, três provas de segunda chamada pra corrigir, uma aula pra terminar de preparar. (Não é coincidência, não: tudo começado e nada acabado). Mas uma coisa muito, muito boa pra eu ficar mais animadinha: o livro entrou hoje na gráfica, e logo vai tá nas minhas mãos. E já preparei a garrafa de café que hoje a noite promete!
sexta-feira, 14 de maio de 2010
La Miríade
"O caminhar é inerente ao destino e eu, dentro dessa roda toda. Vermelha. Cor de rosa. Azul marinho."
Volta e meia eu herdo uma amiga da minha irmã. Com essa coisa de ser irmã mais velha, me acostumei com aquele band'menina que vivia pela casa da mamãe e a pensar nelas como umas meninas barulhentas e engraçadas, que eu várias vezes maquiava e penteava pra irem pra um show ou festa, e muitas outras vezes eu também dava carona pros lugares (eu, a irmã mais velha que já dirigia).
Volta e meia eu herdo uma amiga da minha irmã. Com essa coisa de ser irmã mais velha, me acostumei com aquele band'menina que vivia pela casa da mamãe e a pensar nelas como umas meninas barulhentas e engraçadas, que eu várias vezes maquiava e penteava pra irem pra um show ou festa, e muitas outras vezes eu também dava carona pros lugares (eu, a irmã mais velha que já dirigia).
Pois se demorou pra que eu entendesse que minha irmãzinha tinha crescido (e hoje ela é tão maior que eu, em todos os sentidos), demorou quase nada pra eu pegar pra mim algumas de suas melhores amigas. (Que amigo nunca é demais!)
E hoje uma dessas amigas herdadas (mais virtualmente que na vida real) me deu um sustinho bom. Ao entrar no Facebook, encontrei o link pro seu blog (que eu leio de vez em quando mas sempre gosto). Ela tem uma escrita que eu adoro, uma coisa quebrada, de cacos, de pedaços, de mosaico, e que é tão lindo. E morro de inveja porque meus dedinhos acostumados ao linear nunca conseguiriam fazer.
Pois hoje ela postou um texto pra mim e que tá tão melhor do que qualquer um que eu pudesse escrever. Vai lá visitar essa moça. Eu recomendo.
quarta-feira, 12 de maio de 2010
Clube da Lulu
Conversa de mulherzinha e algumas Heineken na cabeça - taí um remedinho bom pra qualquer mal da alma. E é bem verdade que eu tenho padecido de alguns. Mesmo com a garganta inflamada, mesmo sem voz, a reunião de trabalho virou um autêntico clube da Luluzinha - e só eu sei o tanto que eu precisava disso!
Entre definições urgentes do lançamento do tão sonhado livro; entre decisões sobre mesa de frios, bebidas e sushis, um pouquinho de calor pra aquecer a alma, um pouquinho de entendimento sobre o que dói por dentro, um tantinho de certeza de que duvidar é sempre bom.
E eu ainda aprendo isso: a não ter certezas. Que são elas que me desestabilizam. As dúvidas? Elas só me deixam alerta. Mas as certezas minam o que tem de melhor em mim: minha curiosidade, meu buscar constante, minha inquietação.
Pois pronto, agora decidi: duvidar sempre de mim e das minhas certezas. Mas isso já não é uma certeza???
terça-feira, 11 de maio de 2010
Hold on
Não adianta que todos digam que tudo se resolve: saber disso não diminui em nada a turbulência da viagem. Sim, eu sei, tudo é um processo. Mas eu não sou de processos - gosto mesmo é de resultados. Ou como eu dizia quando era criança, eu gosto é do "acabo".
Ossos do ofício de jornalista: a gente pega um pedacinho de realidade que nos parece relevante, joga luz em alguns pontos, corta daqui, edita dali e entrega o pacote de realidade fechado e pretensamente completo. Fast food de realidade. E a vida - tô aprendendo tarde - é pra gourmets, não pra quem se contenta com drive through.
E lá vou eu ouvindo sem parar, no meu computador, no meu carro, no som do banheiro, "Everybody hurts"do R.E.M., que é pra eu cantar enquanto tomo banho, enquanto dirijo, enquanto estudo, enquanto trabalho, que é pra eu cantar bem alto "hold on, hold on, hold on". Pra ver se eu lembro porque é mesmo que eu tenho que segurar essa caneta na mão e não fazer nada com ela. (Isso também é parte do processo? Ficar parada, com cara de babaca?) E sigo me perguntando bem mais: essa caneta é uma arma? Ou será o início da paz? E, sem respostas, canto: "hold on, hold on, hold on".
segunda-feira, 10 de maio de 2010
Rush
Segundo a Lei de Murphy, se algo tiver que dar errado, dará. Mas no jornalismo essa lei foi atualizada para "se algo tiver que dar errado, dará errado apenas na última hora". Qualquer foca sabe disso, e se desespera, e arranca os cabelos e a princípio não entende porque é mesmo que alguém insiste em viver naquela tensão, e entende menos ainda porque gosta tanto daquela tensão. Na hora do fechamento é que tudo dá errado. Só na hora do jornal ir ao ar é que a ilha trava, o TP dá pau, os computadores dão tilt. E depois que todo mundo correu e gritou e bichou e chorou, tudo acaba dando certo, e o jornal vai ao ar e ninguém nem sequer percebeu em casa que aquela matéria caiu. Só então é que se respira e se solta o ar todo dos pulmões. E, bem, impossível não pensar nesse momento como um orgasmo. Hora de descer as escadas pra fumar um cigarro - mas sem cafezinho que a essa hora certamente já acabou!
E eu que jurava sentir saudades do rush da redação, da sensação de que não vai dar certo que acaba no alívio de um cigarro, agora já acho que não tenho mais nervos pra tanta adrenalina, não.
Longe das redações como estou, hoje comecei a viver esse rush de novo. Tudo o que podia dar errado com o livro começou a dar. Sim, estamos nos 45 minutos do segundo tempo: o projeto tem que tá na gráfica até sexta. O orçamento não bate, as mudanças no projeto original já foram feitas. É preciso pegar novos orçamentos, examinar possibilidades, mas já é hora do fechamento. E eu fico sem conseguir dormir, ouvindo Piazzolla e torcendo pra que tudo se resolva logo.
Sim, amigos menáge, se eu tiver um AVC um dia a culpa é disso! (Visualizaram minha mão em concha batendo no peito???)
domingo, 9 de maio de 2010
There must be an angel
Pra fechar o domingão, "There must be an angel", cantada por Fernanda Takai. E se o Pato Fu já deu o que tinha que dar, a moiçola aí tá arrasando solo. E vai arrasar no Festival de Inverno de Pedro II. (E eu dava dois dedinhos meus pra cantar assim, com essa voz miudinha e linda de quem não sabe bem se deveria mesmo estar cantando.)
sábado, 8 de maio de 2010
Dia dos Filhotes
No dia das mães, e em todos os dias, o que eu queria mesmo era ser suficiente pra vocês, meus três luizes, que me pariram mãe. Eu queria não ser tão impaciente, não estar sempre tão cansada, não ser tão controladora, não me exasperar por tão pouco, não ser tão superprotetora. Mas eu não sou uma pessoa muita afeita a limites. E, como vocês, estou ainda aprendendo.
Eu lembro bem do momento em que vi cada um de vocês pela primeira vez, do cheirinho de sangue e pele fresca, do choro desconsolado que só cessou quando eu dei o peito. Lembro de me sentir tão grande e poderosa, de sentir que estava compartilhando com Deus o poder da criação. Mas também lembro da sensação de ser só mais um animal com sua cria, de me sentir como um bicho - e de gostar disso. E desse momento em diante, da hora me que cada um de vocês deixou de ser um apêndice de mim e passou a ser vida em meus braços, eu nunca mais soube o que era amar em tranquilidade e paz. Porque junto com cada um de vocês nasceu em mim medo e culpa, como gêmeos de vocês.
O medo de morrer deixando vocês, o medo de que vocês adoeçam, o medo de não saber resolver, de não ter as respostas. E a culpa por me saber imperfeita. Porque quando vocês botam esses olhinhos puxados em cima de mim, sei que esperam que daqui saia sabedoria, que eu consiga trazer respostas, que eu tenha o caminho das pedras. E eu às vezes não tenho respostas nem pra mim. Pra falar a verdade, ultimamente não tenho tido respostas pra nada. E vocês merecem tão mais do que isso...
É por isso, e só por isso, filhotes, que eu me exaspero: pela consciência de ser tão pouco quando vocês merecem tão mais. É verdade que de vez em quando eu acredito que estou acertando: de manhã cedo, quando recebo o "bom dia, mamãe lindinha" do Antonio, quando o Zé segura a minha mão com medo de cachorro (de que eu também tenho medo mas não deixo que ele saiba), quando o Pedro finalmente me conta da menina que ele tá paquerando e me permite dar conselhos (mesmo que no fundo eu só pense que é muito, muito cedo e que se essa menina magoá-lo eu juro que vou matá-la!).
Eu sei que sigo errando, filhotes. Mas sempre tentando acertar. E me apego a esses momentos pra acreditar que posso ser sempre melhor pra vocês. Porque vocês são meus luizes. E vocês merecem o melhor sempre.
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