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terça-feira, 11 de maio de 2010

Hold on

Não adianta que todos digam que tudo se resolve: saber disso não diminui em nada a turbulência da viagem. Sim, eu sei, tudo é um processo. Mas eu não sou de processos - gosto mesmo é de resultados. Ou como eu dizia quando era criança, eu gosto é do "acabo".


Ossos do ofício de jornalista: a gente pega um pedacinho de realidade que nos parece relevante, joga luz em alguns pontos, corta daqui, edita dali e entrega o pacote de realidade fechado e pretensamente completo. Fast food de realidade. E a vida - tô aprendendo tarde - é pra gourmets, não pra quem se contenta com drive through.


E lá vou eu ouvindo sem parar, no meu computador, no meu carro, no som do banheiro, "Everybody hurts"do R.E.M., que é pra eu cantar enquanto tomo banho, enquanto dirijo, enquanto estudo, enquanto trabalho, que é pra eu cantar bem alto "hold on, hold on, hold on". Pra ver se eu lembro porque é mesmo que eu tenho que segurar essa caneta na mão e não fazer nada com ela. (Isso também é parte do processo? Ficar parada, com cara de babaca?) E sigo me perguntando bem mais: essa caneta é uma arma? Ou será o início da paz? E, sem respostas, canto: "hold on, hold on, hold on".



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