Repositório de pequenos sonhos, epifanias e certezas transitórias. Espaço de despejo do excesso que pesa na alma. Lugar de ser pequena quando tudo fora é grande demais.
quarta-feira, 10 de novembro de 2010
Novo lançamento
Hoje à noite, a partir das 19h, lançamento do livro M³ - Mulher, Mãe, Moderna, na Semana de Comunicação do CEUT. Eu, Elizângela Carvalho e Josélia Neves vamos bater uma papo sobre o livro, sobre a coluna, sobre a vida de M³ e sobre o que mais vocês quiserem falar. (O médico vai me matar se souber que eu pretendo falar tanto assim!) Ah! E se você estuda comunicação, aproveita e passa antes no GD Ética na Comunicação, onde eu e Cristiane Portela estaremos discutindo esse assunto polêmico e que alguns até acham que não existe. O GD começa às 17h, lá no CEUT. Vai lá, vai.
terça-feira, 9 de novembro de 2010
Shhhhhhhhh
- Bichinha, dois calos, viu? Acho que dessa vez você vai pra faca.
Foi isso que o adorável médico me disse enquanto eu vomitava, depois de fazer a videolaringoscopia.
- Como assim, dr.? Não dá pra fazer fono?
- Até daria. Mas você tem que fazer repouso de voz, e levar as sessões a sério. Você já me disse na consulta passada que não tem tempo pra frequentar fono e nem condições de fazer repouso, né?
É, eu disse. E disse o mesmo dois anos atrás quando fui parar no mesmo médico pelo mesmo problema: começo a semana cheia de voz, e depois vou perdendo aos poucos, a ponto de não conseguir nem cantar baixinho pros meninos dormirem. Na sala de aula, tusso o tempo inteiro. Eu sei, isso é mau uso da voz. Eu fiz fono um tempo, eu aprendi a respirar e a impostar a voz. Eu me senti ótima e dona de uma voz potente. Até tudo voltar agora.
Ao longo da conversa com o médico, entendi que a frase inicial dele era puro terrorismo: posso, sim, recuperar minha voz sem entrar na faca. Mas vou ter que dar um jeito de usá-la o mínimo possível. Visto que sou professora, não sei como farei isso. Visto que eu sou tagarela, acho que vou enlouquecer. Eu falo o que eu penso e o que não penso. Eu falo o que sinto quase sempre. E quando não falo é mau sinal. A verdade é que eu falo muito e o tempo todo. Achando pouco falar o dia inteiro, ainda falo dormindo. Como é mesmo, doutor, que eu faço pra ficar calada?
Combino de voltar na próxima semana e marcar as sessões de fono. E prometo beber água durante as aulas, usar a voz o mínimo, pendurar um patuá gigante no pescoço, fazer promessa pra Nossa Senhora Desatadora dos Nós, desde que eu não precise entrar na faca.
Quando eu já ia saindo do consultório, o médico lembra:
- Bichinha, faça silêncio, viu?
Eu faço, sim, doutor. O senhor nem imagina o tanto de calos que essa história de falar demais tem me causado. O senhor nem imagina. Agora eu quero é ficar bem caladinha.
Foi isso que o adorável médico me disse enquanto eu vomitava, depois de fazer a videolaringoscopia.
- Como assim, dr.? Não dá pra fazer fono?
- Até daria. Mas você tem que fazer repouso de voz, e levar as sessões a sério. Você já me disse na consulta passada que não tem tempo pra frequentar fono e nem condições de fazer repouso, né?
É, eu disse. E disse o mesmo dois anos atrás quando fui parar no mesmo médico pelo mesmo problema: começo a semana cheia de voz, e depois vou perdendo aos poucos, a ponto de não conseguir nem cantar baixinho pros meninos dormirem. Na sala de aula, tusso o tempo inteiro. Eu sei, isso é mau uso da voz. Eu fiz fono um tempo, eu aprendi a respirar e a impostar a voz. Eu me senti ótima e dona de uma voz potente. Até tudo voltar agora.
Ao longo da conversa com o médico, entendi que a frase inicial dele era puro terrorismo: posso, sim, recuperar minha voz sem entrar na faca. Mas vou ter que dar um jeito de usá-la o mínimo possível. Visto que sou professora, não sei como farei isso. Visto que eu sou tagarela, acho que vou enlouquecer. Eu falo o que eu penso e o que não penso. Eu falo o que sinto quase sempre. E quando não falo é mau sinal. A verdade é que eu falo muito e o tempo todo. Achando pouco falar o dia inteiro, ainda falo dormindo. Como é mesmo, doutor, que eu faço pra ficar calada?
Combino de voltar na próxima semana e marcar as sessões de fono. E prometo beber água durante as aulas, usar a voz o mínimo, pendurar um patuá gigante no pescoço, fazer promessa pra Nossa Senhora Desatadora dos Nós, desde que eu não precise entrar na faca.
Quando eu já ia saindo do consultório, o médico lembra:
- Bichinha, faça silêncio, viu?
Eu faço, sim, doutor. O senhor nem imagina o tanto de calos que essa história de falar demais tem me causado. O senhor nem imagina. Agora eu quero é ficar bem caladinha.
segunda-feira, 8 de novembro de 2010
Pecado capital
Eu ODEIO a Cristiana Guerra. Simples assim. Eu odeio que ela escreva tão bem. Eu odeio ter me tornado refém do que ela escreve há anos atrás. Quer saber por quê? Pois lê aí, lê. Parafraseando Validuaté, "isso ainda vai render uma manifesto pela má distribuição do bem escrever".
Quero vestir o seu abraço e sair com ele por aí, como um colete à prova de balas. Abraço longo, apertado, quente. Quero mais, me abrace mais. Mais um pouquinho. Vai sempre faltar abraço pra minha sede dele.
Sei que dentro de você moram sorrisos. Alguns você deixa escapar, os outros esconde no escuro, pra eu procurar. E eu gosto do jogo.
Mentira. Eu a-do-ro tudo o que ela escreve. Isso é inveja, minha gente. Inveja demaaaaaiiiiiiiiis! Inveja que até dói!
Quero vestir o seu abraço e sair com ele por aí, como um colete à prova de balas. Abraço longo, apertado, quente. Quero mais, me abrace mais. Mais um pouquinho. Vai sempre faltar abraço pra minha sede dele.
Sei que dentro de você moram sorrisos. Alguns você deixa escapar, os outros esconde no escuro, pra eu procurar. E eu gosto do jogo.
Mentira. Eu a-do-ro tudo o que ela escreve. Isso é inveja, minha gente. Inveja demaaaaaiiiiiiiiis! Inveja que até dói!
domingo, 7 de novembro de 2010
Registrado
Não, hoje eu não vou fechar o domingo com música. Internet lenta demais pra isso. (Mas recomendo, sim, o que tenho ouvido a semana inteira: Validuaté. Compre o disco, cante alto, ria dos inúmeros exemplos de piauiês nas letras das músicas, dance. Tenho feito isso há dias. E recomendo.) Hoje vou aproveitar pra fazer uma coisa que há dias prometo: tá aí o link do álbum organizado pela Grosélia, com nossas fotos de Buenos Aires. Melhor que as fotos são as legendas que ela criou. Divirta-se. Eu me divirto só de rever e lembrar.
http://picasaweb.google.com/joselianeves/BuenosAires#
http://picasaweb.google.com/joselianeves/BuenosAires#
quinta-feira, 4 de novembro de 2010
quarta-feira, 3 de novembro de 2010
Rosa
É que ontem foi aniversário de uma pessoinha de um metro e meio que eu amo. É que hoje eu fui pra sua tradicional festa surpresa que de surpresa não tem mais nada. É que nesses anos em que nos conhecemos ela tem alternado os papéis de mãe postiça, amiga, apoiadora incondicional e dona da minha admiração irrestrita. É que ela tem um jeito parecido com o meu de se emocionar por coisas pequenas, e encheu os olhos d`água ao receber meu abraço. É que ela é tão diferente de mim em tantas coisas, mas tão idêntica no que mais importa no mundo: a disposição em defender e cuidar dos seus. É que ela tem sempre os melhores e os piores conselhos pra dar, e o grande lance é saber onde encaixar o conselho do dia, porque ela SEMPRE tem conselhos, até mesmo quando eu não peço, não quero, não preciso. É que ela me quer um bem desgraçado e eu a ela. É que ela é uma rosa.
(Sim, coleguinhas Wizard, podem dizer que tô puxando o saco da chefinha. Essa conversa já é tããão antiga...)
(Sim, coleguinhas Wizard, podem dizer que tô puxando o saco da chefinha. Essa conversa já é tããão antiga...)
terça-feira, 2 de novembro de 2010
Cacá in a box
Encaixotar a vida é tarefa ingrata e cansativa, mas também libertadora. Esses dias encaixotei lembranças, pedaços de vida, fraldinhas bordadas, sorrisos. Guardei com carinho fragmentos de felicidade, trechos de músicas ouvidas na varanda, calor de amigos à minha volta na cozinha, passinhos incertos pelo corredor, planos e sonhos. Joguei fora dores, mágoas, e qualquer restinho de tempero amargo que ainda estivesse num canto escondido do armário da cozinha. Ao separar o que eu queria do que eu não levaria comigo, acabei produzindo mais cacarecos: uma certeza cega de que tudo vai ficar bem, uma coragem pra seguir, uma sensação de ser invencível, e uma felicidade que não consigo reconhecer de onde vem. Tá tudo aqui guardado. E é com esses cacarecos e bugingagas que vou entrar na minha nova casinha. Lembrando sempre a mensagem que uma amiga me mandou meses atrás, sigo feliz com os filhotes para construir entre aqueles tijolos nosso novo lar:
"Cacá, sinto que casa nova, tijolo e reboco com certeza vão te trazer muita felicidade. É minha sensação e desejo que assim seja... encaixotar e levar só o que interessa é um exercício poderoso! um beijo."
P.S.: Muitíssimo obrigada a Mu, Beth, Ostiga, Lasanha. Sem vocês a mudança teria sido não só mais difícil, mas praticamente impossível. Agora é aguardar a hora da lavagem de sal grosso na casa nova.
"Cacá, sinto que casa nova, tijolo e reboco com certeza vão te trazer muita felicidade. É minha sensação e desejo que assim seja... encaixotar e levar só o que interessa é um exercício poderoso! um beijo."
P.S.: Muitíssimo obrigada a Mu, Beth, Ostiga, Lasanha. Sem vocês a mudança teria sido não só mais difícil, mas praticamente impossível. Agora é aguardar a hora da lavagem de sal grosso na casa nova.
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